
Capítulo 350
Casamento Predatório
“Maldito louco!”, Judia disse histérica. “Você que precisa fazer o seu trabalho. Me dá, onde está?”
Herodes apontou silenciosamente para um criado-mudo próximo. Havia duas garrafas de vidro sobre ele, cheias de um líquido suspeito com um brilho ameaçador. Judia guardou uma das garrafas no bolso.
“Você acha mesmo que vai ter chance de usar?”, Herodes perguntou zombando.
“Cala a boca. Vamos ver quem chega primeiro.”
Judia saiu, batendo a porta com força, e Herodes se levantou, rindo. Pegando a garrafa de vidro restante, ele a observou por algum tempo.
Ele não poderia imaginar que a mulher que conheceu na livraria seria a Rainha de Éstia. Era uma coincidência incrível. O destino às vezes era caprichoso.
Não importava para ele que ela tivesse aquele rei bárbaro como marido; Herodes tinha a plena intenção de seduzi-la de qualquer maneira. Agora ele havia se livrado do trabalho de ter que encontrá-la, e seu pequeno desentendimento não representaria nenhum obstáculo.
Seus cabelos prateados pareciam tão elegantes, brilhando sob a luz dos lustres. Seus olhos roxos pareciam joias. Em todos os sentidos, ela era uma mulher perfeita. Nenhuma parte de seu corpo era decepcionante.
Agora ele entendia por que a chamavam de fada de Éstia. Valeraria a pena perder a própria vida, se isso significasse que ele poderia tê-la. Claro, Herodes pretendia viver uma longa vida depois disso.
“Claro, Judia tem que ter sucesso em sua própria tarefa para que isso aconteça…” Ele murmurou para si mesmo.
Por um tempo, Herodes ficou perdido em pensamentos. O poder de Éstia estava aumentando com o apoio de Kurkan, o que colocava os outros reinos vizinhos em desvantagem. Originalmente, Balkat tinha uma forte influência sobre seus vizinhos, mas havia perdido toda a sua proeminência para Éstia.
Herodes estava tentando voltar no tempo. Éstia devia ser enfraquecida para que Balkat pudesse recuperar sua dominância perdida. E para fazer isso, ele devia separar Éstia de Kurkan.
Essa era a razão pela qual ele veio tão longe com Judia, mesmo não gostando de sua rainha. Mas agora ele sentia um desejo genuíno pela Rainha de Éstia.
Herodes sacudiu a garrafa de vidro em sua mão. Ele esperava não ter que usá-la, mas já que Judia estava fazendo birra, ele provavelmente deveria fazê-lo o mais rápido possível. Normalmente, ele preferia ir devagar, e saborear sua refeição, mas não era ruim de vez em quando se esbaldar.
Deixando a garrafa sobre a mesa, ele saiu. Queria fumar um pouco.
O jardim estava silencioso à noite. Ele podia ouvir o som distante da música do salão de banquetes, e Herodes cantarolava baixinho. Ele caminhava tranquilamente até parar bruscamente.
O cheiro de fumaça de charuto chegou ao seu nariz. Era uma mistura única que ele nunca havia sentido na vida, fresca e sutilmente doce em seu final.
Herodes olhou ao redor, procurando a fonte do cheiro. Então ele se viu olhando para olhos dourados brilhantes que se destacavam mesmo no escuro.
Como é possível que eu não tenha percebido?
Estranho que ele não tivesse notado aquela presença antes. O homem corpulento estava encostado em uma árvore e fumando, e enquanto olhava para Herodes, ele exalou uma pluma de fumaça.
Isso deu a Herodes uma sensação estranha. Aqueles olhos não eram como olhos humanos.
Um arrepio percorreu sua espinha, mas Herodes o cumprimentou com indiferença.
“Não esperava encontrá-lo aqui, Rei de Kurkan.”
Ishakan ofereceu um sorriso sutil em resposta às palavras. Com aquele sorriso, um pensamento passou pela mente de Herodes: talvez o Rei de Kurkan esperasse por isso.
“Gostaria de fumar um também, se você não se importar.”
Ishakan não respondeu, mas aquele silêncio não era uma ordem para ir embora. Herodes acendeu seu próprio charuto. À medida que o cheiro da fumaça começou a se espalhar pelo local, o silencioso Kurkan falou pela primeira vez.
“Ah”, disse ele, sorrindo enquanto falava. “Era esse o cheiro.”