
Capítulo 347
Casamento Predatório
A aristocracia de Estia estava em polvorosa. Pela primeira vez em muito tempo, haveria um grande banquete de Estado. Ao cair da noite, carruagem após carruagem chegava ao palácio.
Mura, que havia sumido com Ishakan o dia todo, retornou a tempo de ajudar Leah a se arrumar. Ela vestia um vestido de seda roxo com acessórios de joias, presentes que Ishakan lhe dera. Justo quando ela se dava uma última olhada no espelho, uma pequena visita inesperada apareceu.
“Mamãe.”
Lesha se aproximou, com o rostinho triste, e Leah rapidamente se abaixou para confortá-lo enquanto ele abraçava a barra do seu vestido.
“Quero ir com você”, disse ele.
“Não, Lesha”, respondeu ela. A festa ia durar até tarde da noite. Só o processo de se arrumar para um evento desses já era cansativo, que dirá o banquete em si. Era algo muito entediante para uma criança, e ela não queria que ele estivesse presente. “Menino bom vai dormir cedo.”
“Não quero”, disse Lesha. “Tenho que p’oteger a Mamãe.”
Seu rosto estava surpreendentemente determinado.
“Tenho que ir com a Mamãe”, insistiu ele, e quando ela tentou afastá-lo, ele se agarrou teimosamente à saia dela. “Não! Quero ir com a Mamãe!”
Enquanto discutiam, Ishakan apareceu na porta. Ele já estava pronto para o banquete, e por um momento, Leah não conseguia tirar os olhos dele. Ela não tinha tido tempo de prestar muita atenção à aparência de Ishakan ultimamente, e ele estava magnífico com suas roupas no estilo Kurkan. Estava muito bonito, com o cabelo perfeitamente penteado para trás.
“Lesha”, disse ele severamente, afastando o filho do vestido de Leah e suprimindo facilmente sua rebeldia. “Sua mãe já tomou uma decisão.”
“Mas…”
“E as noites pertencem ao seu pai.”
Lesha puxou o pai para sussurrar algo em seu ouvido. Os olhos de Ishakan se estreitaram.
“Eu prometo, Lesha”, disse ele, e deu um sorriso rápido para o menino.
Isso bastou para que ele finalmente parasse de tentar segui-la, e Genin se abaixou para pegá-lo no colo.
“Vou levá-lo para o seu quarto”, disse ela, fazendo uma reverência. O menino gritou por cima do ombro enquanto eles saíam.
“Amanhã, eu vou p’oteger a Mamãe…!”
Ishakan sorriu ao estender a mão para Leah, seguindo a etiqueta de Estia. Isso a fez sorrir levemente.
Os dois murmuraram baixinho enquanto caminhavam de mãos dadas para o banquete, e Ishakan passou algum tempo dizendo o quanto ela estava linda.
“Você deve falar com cuidado esta noite”, disse ele ao se aproximarem do salão de banquetes.
Era um aviso vago, mas Leah sabia que não eram palavras sem sentido. Ela assentiu.
“Ainda não…” Ele acrescentou, recusando-se a dar mais detalhes com um sorriso. “Vou te contar mais quando eu tiver certeza.”
Talvez estivesse relacionado a qualquer negócio em que ele estivera envolvido mais cedo naquele dia, quando saiu com todos os Kurkans.
“Tudo bem. Vou ter cuidado.”
“Você não está curiosa?”, perguntou Ishakan diante da resposta sem hesitação.
“Claro”, respondeu Leah, apertando o aperto em sua mão. “Mas você deve ter um motivo para não me contar agora.”
Ishakan parou bruscamente, e a comitiva atrás deles parou imediatamente. Ele olhou para ela por um longo momento.
“Você fica ainda mais linda quando fala”, murmurou ele, com um brilho nos olhos que ela reconheceu. Ele a teria beijado ali mesmo, se ela não estivesse tão cuidadosamente vestida para o banquete.
A unha de Leah deslizou levemente pela palma da mão dele. Ishakan levantou uma sobrancelha.
“Não faça isso”, ele a advertiu. “Vai arrepiar.”
“……”