
Capítulo 346
Casamento Predatório
Hoje, Estia recebera os emissários de Balkat de forma superficial. Essa recepção pouco cordial devia ter magoado o orgulho de Balkat. Mas ainda era surpreendente que o rei tivesse ido visitá-la antes do banquete. Deixou Leah ansiosa.
Por um momento, ela ficou pensando, apertando uma das penas que Ishakan havia apontado para ela. Talvez o rei tivesse vindo com uma proposta interessante. Algo que não poderia dizer publicamente.
O Rei de Balkat está te mirando…
O aviso de Ishakan ecoou em sua mente, e ela pousou a pena. Ela poderia usar essa oportunidade para descobrir se o Rei de Balkat realmente havia vindo a Estia com tal propósito. Ela poderia concordar em vê-lo e mandá-lo embora imediatamente se ele dissesse alguma bobagem.
O homem levantou-se cortesmente do seu divã quando ela entrou na sala de audiências, e ambos congelaram.
“……!!”
O homem estava tão surpreso quanto ela, a agitação refletida em seus rostos. Mas depois de um momento, ambos disfarçaram a emoção sem tirar os olhos um do outro.
“Que a luz ilumine Estia”, disse o homem, a voz um pouco tensa. “Eu sou Herodes de Balkat.”
O homem que ela havia encontrado na livraria era o Rei de Balkat. Era uma circunstância tão inacreditável que era quase impossível considerá-la uma coincidência. Talvez ele tivesse planejado.
A expressão de Leah endureceu ao lembrar novamente o que Ishakan havia lhe contado.
“Por que Vossa Majestade solicitou uma audiência, Rei de Balkat?”, perguntou ela, falando formalmente para deixar claro que não queria reconhecer nenhum relacionamento pessoal. “Há algum problema?”
A pergunta só lhe deixava espaço para apresentar uma queixa específica ou ir embora. Herodes entendeu suas intenções, mas não tinha intenção de obedecer. Soltou uma risadinha.
“Nunca pensei que te encontraria assim de novo”, disse ele alegremente, lançando-lhe um olhar admirativo que absorvia cada detalhe de sua aparência. “Seu cabelo e seus olhos… ficam muito melhor assim.”
Leah estreitou os olhos. A irritou que ele estivesse fingindo que tinha sido um encontro casual. E ele estava fingindo não perceber seu claro desejo de ignorá-lo.
“Acabei de me lembrar de um assunto urgente, então devo me retirar”, disse ela. “Os jardins do palácio são bastante bonitos. Vossa Majestade pode aproveitar um passeio por lá, se estiver ocioso.”
Ela deixou a sala de audiências antes que ele pudesse responder mais, e a Baronesa Cinael, que havia estado esperando Leah do lado de fora, rapidamente se moveu para segui-la. Uma voz a chamou enquanto ela se afastava.
“Vossa Alteza!”
Leah suspirou, franzindo a testa. Gesticulando, ela mandou a Baronesa Cinael embora por um momento, e quando sua dama partiu, Herodes caminhou rapidamente para alcançá-la.
“Por favor, permita-me explicar…” ele começou.
“Não sei o que quer dizer.”
“Vossa Alteza, isso é um mal-entendido”, disse ele, aproximando-se. Leah deu um passo para trás.
“Não sei do que está falando”, disse ela friamente.
“……”
“Nosso encontro na livraria foi uma coincidência. Confie em mim.”
Ele esperava que ela concordasse. Mas Leah não queria acreditar nele.
E nada mudaria mesmo que fosse uma coincidência. As marcas que ele deixara em seus braços haviam ferido o coração de Ishakan e machucado Mura ainda pior. Pelo bem de seus entes queridos, Leah não queria chegar perto dele.
Além disso, o olhar em seus olhos a deixava desconfortável. Lembrou-a de como ela costumava se sentir na frente de Blain ou Byun Gyeongbaek.
Arrepiou-se assim que pensou nisso. Memórias que ela queria esquecer a esfaquearam o coração. Ela não queria ficar com ele nem mais um segundo. Parecia que Herodes tinha mais coisas para dizer, mas Leah lhe ofereceu apenas uma despedida superficial.
“Vejo Vossa Majestade no banquete”, disse ela, e desapareceu.
Deixando Herodes sozinho novamente. Assim como da última vez.
“…você é difícil”, murmurou Herodes, o rosto inexpressivo.
Mas um sorriso lento logo se espalhou.
“É mais divertido assim”, sussurrou ele.