Casamento Predatório

Capítulo 340

Casamento Predatório

O homem havia cobrado o preço errado pelo livro. Leah havia pago muito menos do que deveria. Na verdade, a livraria ia quebrar se ele continuasse daquele jeito.

Ela não conseguia imaginar por que a loja estava nas mãos dessa pessoa. Checando o preço do livro novamente, Leah tirou duas moedas.

“Mura, espera um minuto”, disse ela. “O balconista errou o preço…”

Deixando o livro com Mura, ela voltou à livraria e encontrou o caixa vazio. Estava prestes a chamar quando percebeu que a porta nos fundos da livraria estava entreaberta, dando acesso a um beco lateral.

Ao sair pela porta, encontrou o homem fumando um charuto no beco, olhando fixamente para o céu. A cena a lembrou tanto o Ishakan, que ela parou e, sem perceber, ficou observando-o por um minuto enquanto ele fumava.

Mas uma expressão de dúvida surgiu em seu rosto ao olhar para suas mãos brancas, marcadas por veias. O cheiro do charuto também era totalmente diferente dos que Ishakan apreciava. O cheiro acre a fez coçar o nariz.

Leah prendeu a respiração e se aproximou rapidamente, mostrando as duas moedas de prata.

“Você me cobrou o preço errado pelo livro.”

Ele não pareceu surpreso com sua aparição repentina.

“Ah, muito obrigado”, disse ele calmamente, pegando as moedas com indiferença.

Isso deixou Leah desconfiada. Será que ele havia cometido o erro de propósito? Talvez ele tivesse feito isso com a intenção de fazê-la voltar à loja, embora ela não conseguisse imaginar qual seria o motivo.

O homem jogou o charuto no chão e o esmagou com o pé. Parecia que ele queria conversar, mas Leah não tinha motivos para continuar a conversa e se virou.

“Vou indo.”

“Ah, espere”, disse ele, segurando sua manga. “Gostaria de tomar um chá? Tem uma boa cafeteria perto daqui.”

Ele fez o convite com um sorriso.

“Desculpe, meu marido está me esperando”, disse Leah. “Eu também tenho um filho. O senhor não deveria se aproximar de uma mulher casada.”

“Você é muito séria”, observou ele com um leve sorriso. “Eu só queria conversar com você.”

O sorriso dele era tão inocente que Leah se surpreendeu, envergonhada por sua presunção.

“Não é sempre que encontro alguém que saiba falar as línguas antigas”, continuou ele. “E além disso, nós temos interesse em livros semelhantes.”

Inconscientemente, Leah assentiu. Era verdade. Mas o homem deu um passo à frente, se posicionando perto o suficiente para deixá-la desconfortável.

“Então, quando você voltará?” Perguntou ele.

Se ele tivesse dado mais um passo, ela teria recuado.

“Não sei.”

“Gostaria de ter certeza de que estarei aqui, para poder conversar com você.”

Sua voz estava repleta de boas intenções. Ele parecia um homem gentil, fácil de imaginar sentado em uma mesa com um livro em mãos.

Ela percebeu de imediato que ele era forte, apesar das roupas largas. Ela havia sentido a força de suas mãos quando ele a alcançou e a segurou. Ele provavelmente era uma pessoa de inteligência excepcional.

Leah olhou nos olhos do homem por trás dos óculos, o sorriso que se estendia até eles o fazia parecer inofensivo. Mas quanto mais ela olhava, mais cautelosa se sentia.

“Talvez em quinze dias”, disse ela, escolhendo um número aleatório, já que não conseguiria voltar à loja tão cedo. “Acho que nos veremos, se tivermos a chance.”

Ela não precisava dizer a verdade; as chances eram de que eles nunca mais se veriam. Era apenas a maneira mais rápida de se livrar da conversa. Ela deixou o beco sem olhar para trás, deixando o homem para trás.

Ele riu, observando-a ir embora.

“…Hmm.” Murmurou ele. “Eu gosto dela.”

Comentários