
Capítulo 339
Casamento Predatório
Aquele homem parecia estrangeiro, pela maneira como falava, mas Leah decidiu guardar essa observação para si.
O homem caiu na gargalhada.
“É verdade”, disse ele. “Você também não parece uma pessoa comum.”
Leah apenas sorriu. Como o dono da livraria não parecia que voltaria tão cedo, ela simplesmente disse ao homem o nome do livro que procurava.
“Vocês têm o oitavo volume de Numismática Clássica?”
“Se você consegue ler esse livro, deve dominar as línguas antigas”, respondeu ele, surpreso.
“…Sei um pouco.”
A família real estiana era obrigada a aprender muitas línguas antigas para conseguir ler textos antigos. Mas Leah era a única que havia se dado ao trabalho de aprendê-las de verdade. Eram bastante difíceis, mesmo para estudiosos.
E agora ela era a única sobrevivente da família real.
“Você é incrível”, disse o homem, tirando Leah de seus pensamentos, com o rosto iluminado. “Você já leu Monarquia, Estado e Política? E Interpretação Honesta?”
Sua voz era rápida e animada.
“Li ambos.”
Parecia que ele ia prolongar a conversa se ela não fizesse alguma coisa.
“O senhor ia pegar aquele livro?”, Leah o lembrou, antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.
“Me desculpe, me empolguei um pouco”, disse ele, sorrindo sem jeito. Levantou-se do balcão e passou por Leah. “Me dê um instante…”
O homem resmungava para si mesmo enquanto vasculhava a estante atrás dela. Leah olhou para os livros que estavam no balcão, perto do caixa. Eram principalmente romances leves que poderiam chamar a atenção dos clientes. Um título chamou sua atenção.
Me Coma…?
Que título estranho. Leah folheou parte da primeira página. Parecia que a protagonista feminina havia pegado dinheiro emprestado do protagonista masculino, que era bastante assustador, apesar de sua beleza. Daí começaram os problemas. Parecia uma fábula de moral, ensinando a importância de cuidar do dinheiro.
Mas logo ela perdeu o interesse; pareceu-lhe que muitos personagens eram mentalmente doentes. Nem mesmo ela consideraria o protagonista masculino normal. Balançando a cabeça, ela colocou o livro de volta.
Houve um barulho atrás dela, e Leah se virou, assustada. Uma mão a agarrou, puxando-a, e ela apertou os olhos com força ao perder o equilíbrio, esperando cair no chão.
Mas em vez do choque do impacto, algo a segurava firmemente.
“……”
Suavemente, Leah abriu os olhos, encontrando o olhar do homem. Seu capuz havia caído quando ela escorregou, e ele a olhava de cima, com os lábios levemente entreabertos. Leah desviou o olhar.
Ele havia perdido o equilíbrio na escada, alcançando um livro em uma prateleira alta, e então agarrou seu robe para não cair. Felizmente, ele havia se recuperado rápido o suficiente para segurar os dois.
Mas Leah ficou envergonhada com a posição em que estava, tão agarrada em seus braços que ela achou que ele poderia ter deixado marcas de suas mãos.
“Me solta”, disse ela seriamente.
Mesmo que tivesse sido um erro, ela não conseguiu esconder a frieza em sua voz. O homem soltou-a lentamente.
“…Desculpe”, disse ele, um pedido de desculpas hesitante e tardio.
“Quanto custa?”, perguntou Leah, pegando o livro da mão dele e recolocando o capuz no lugar.
O homem gaguejou o preço, e Leah deixou o dinheiro no balcão e saiu antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa.
“Leah!”
Mura sorriu enquanto Leah se aproximava, caminhando lentamente. Ela estava muito cansada para ir à cafeteria. Ela só queria voltar para o palácio. De repente, ela parou, olhando para o título do livro em sua mão.
“Haa…”
Ela suspirou alto, esquecendo-se momentaneamente de suas maneiras.