Casamento Predatório

Capítulo 338

Casamento Predatório

Ishakan suspirou, encostando a testa na de Leah.

“Você não pode dizer essas coisas com tanta leviandade.”

“Só digo para você.”

Ele sorriu satisfeito e a colocou de volta no chão.

“Já volto”, disse ele. “Espero que minha esposa também.”

Ela se despediu dele com um sorriso.


Leah saiu do palácio com Mura ao seu lado. Ambas as mulheres usavam longas túnicas com capuzes para esconder seus rostos, e Leah até tomara uma poção preparada por Morga para mudar temporariamente a cor de seus olhos e cabelos.

Fazia muito tempo que ela não escondia sua identidade assim. Caminhando pelas ruas comerciais lotadas, Leah olhava ao redor, observando cuidadosamente.

Estia havia erradicado completamente a escravidão, mas, infelizmente, isso apenas criara novos problemas. Os comerciantes que haviam perdido essa fonte de renda recorreram a outras maneiras de ganhar dinheiro.

O problema mais preocupante ultimamente era a falsificação de moedas.

As moedas falsas eram feitas derretendo moedas de prata cunhadas pelo governo de Leah e, em seguida, refundindo-as com substâncias adicionais. As moedas falsas pesavam o mesmo que as moedas de prata genuínas, portanto, não podiam ser detectadas nem mesmo com balanças. A única diferença perceptível era uma leve falta de detalhes nos padrões da moeda falsa. Era preciso um olho experiente para detectá-la.

Neste momento, elas estavam investigando para ver quão prevalentes as moedas falsas se tornaram. E como Leah nunca foi do tipo que deixava tudo nas mãos de seus subordinados, ela estava investigando por conta própria.

Ela comprou alguns itens em várias lojas, recebendo moedas como troco. Felizmente, todas as moedas de prata que recebeu eram genuínas.

“É difícil…” Mura balançou a cabeça, seguindo de perto Leah com as compras em suas mãos. Ela não conseguia distinguir as moedas falsas das reais. “Mesmo as moedas genuínas se desgastam com o tempo. Como você consegue diferenciá-las?”

“Os padrões são um pouco diferentes. Especialmente aqui…”

Leah explicou em detalhes para a curiosa Mura, mas a mulher kurkan ainda não conseguia ver as sutis diferenças.

“Vamos até aquela livraria”, sugeriu ela com um sorriso. “Depois, paramos para tomar um chá e comer alguma coisa.”

“Boa ideia.”

Mura sempre ficava feliz quando Leah se oferecia para comer alguma coisa e foi para a livraria com entusiasmo. Assim que chegaram, Leah pediu que ela esperasse lá fora.

A livraria tinha de tudo, desde livros antigos até lançamentos novinhos em folha, uma coleção fascinante de um dono que claramente amava histórias. Leah poderia ter pedido um sortimento de livros para serem enviados ao palácio, mas não havia nada como a satisfação de escolher os livros pessoalmente. Ela gostava de andar pelos corredores, folheando todos os títulos.

Leah sorriu assim que entrou na livraria. O cheiro de livros a deixava à vontade, embora ela imediatamente tenha percebido que não havia mais ninguém lá. Parecia que o dono havia saído por um momento.

Mas ela achou que ele voltaria em breve; não havia nenhuma placa na frente dizendo que estava fechado. Leah decidiu olhar os livros enquanto esperava, e Mura tinha um charuto para fumar, então ela poderia levar seu tempo.

Enquanto ela vagava, examinando livros novos que haviam acabado de chegar de terras estrangeiras, ela ouviu passos dentro da loja.

“……!”

Um homem de pele branca com óculos sentou-se na cadeira vazia atrás do caixa.

“Está procurando algum livro em particular?”, perguntou ele com um leve sorriso.

O dono da livraria era um velho corcunda que andava com uma bengala.

“O senhor está cuidando da loja por um tempo?”, perguntou ela, examinando cuidadosamente este homem.

Seus olhos brilharam com sua pergunta.

“Por que você diz isso? O dono pode ter mudado.”

Ele parecia achar sua pergunta engraçada. Leah decidiu entrar na brincadeira. Ele provavelmente não daria uma resposta direta de outra forma.

“Seus óculos são caros, um plebeio não poderia comprá-los. O senhor tem cabelo liso, mãos limpas e… até cheira a perfume.” Seus olhos atrás dos óculos nem sequer piscaram enquanto ela dizia isso, e Leah continuou sem desviar o olhar. “Talvez o senhor seja um nobre, trabalhando aqui por capricho por um tempo.”

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