
Capítulo 337
Casamento Predatório
O banquete para celebrar a vitória sobre Herben teria que esperar até que o restante do exército Kurkan chegasse. Seria um evento magnífico, triunfal, mas dificilmente poderiam realizá-lo agora só porque Ishakan havia aparecido, sozinho, muito mais cedo que o esperado.
Os emissários de Balkat avisaram que chegariam em breve, e isso deixou Leah um pouco de tempo livre para passar com a família. Todas as manhãs, Ishakan ia até Leah com um buquê de flores, que ele mesmo havia colhido e depois aparado. Ele sempre se certificava de cortar todos os espinhos.
Ele gostava de fazer coisas para ela com as próprias mãos. Cada vez que ela recebia flores dele, sua devoção a fazia sorrir. E então ele dizia algo para a envergonhar.
“Você é mais linda que todas essas”, dizia ele, completamente sério, olhando para ela como se ela fosse a coisa mais linda do mundo. Toda vez que ele fazia isso, a deixava corada.
Leah suspeitava que ele estava dando flores para ela só por isso.
E quando não estava com a esposa, Ishakan passava muito tempo brincando com Lesha.
O menino estava se divertindo muito. Leah era sempre quieta, mas Ishakan brincava com o filho com uma rudeza surpreendente. Assistir aos dois brincando era o suficiente para dar palpitações a Leah.
Começavam de forma bruta e depois escalavam para algo perigoso, e seu jogo mais recente era impossível de assistir. O jogo envolvia um arco e flechas.
Lesha corria ao longe enquanto Ishakan atirava flechas nele, e o garoto tinha que desviar das flechas até chegar ao lugar onde Ishakan havia plantado uma bandeira.
As pontas das flechas estavam embotadas com ataduras de pano, e Lesha corria pelo chão, desviando-as todas até que finalmente uma das flechas o atingiu.
O menino caiu.
“Lesha!”
Leah, que estava observando da sombra de uma árvore, se levantou com um grito. Mas Lesha rapidamente se levantou e Leah sentiu um alívio a inundar enquanto ele voltava a correr.
Parecia que isso era natural para um Kurkan. Leah não conseguia entender o mundo deles. Para ela, aquilo parecia mais um treinamento de combate do que um jogo, mas ela decidiu não intervir. Lesha estava se divertindo muito.
Alguns dias depois, Ishakan decidiu levar o filho para caçar. Com uma nova adaga pequena no quadril, Lesha estava cheio de determinação.
“Mamãe! Vou pegar uma presa grande para você!”
Ele esticou os braços para indicar o animal enorme que pegaria, e Leah acariciou sua bochecha.
“Tudo bem se você não conseguir. Só tome cuidado.”
Lesha fez um bico com suas palavras. Sua intenção de pegar o troféu maior e mais feroz para sua mãe estava clara em seu rosto, para provar sua proeza como caçador. Mas, mesmo assim, Leah repetiu a advertência a Ishakan.
“Você também se cuida. Não se machuque.”
Assim que ela disse isso, percebeu que era inútil. Ishakan sorriu.
“Faz tempo que ninguém me diz algo assim.”
Os animais temiam os Kurkans, sentindo instintivamente que estavam diante de um predador de topo. Até mesmo animais como lobos eram rápidos em sair do caminho deles.
“Eu sempre me preocupo com você”, Leah disse, e Ishakan a abraçou.
“Deveríamos ir juntos? Eu só vou caçar coelhos, se você vier.”
Quando ela não respondeu, ele a levantou em seus braços.
“Ishakan! Me coloque no chão.”
“Acho que não consigo”, disse ele. Ele sabia que ela não podia ir com eles porque tinha trabalho para fazer naquele dia, mas estava fingindo que nunca tinha ouvido falar disso. “Estou pensando em sequestrá-la.”
Ele beijou sua esposa que lutava, agarrando suas mãos enquanto ela tentava empurrá-lo. Leah se suavizou e sorriu, acariciando sua bochecha.
“Depois que eu terminar meu trabalho hoje… farei o que você quiser.”