Casamento Predatório

Capítulo 336

Casamento Predatório

Mura não pareceu surpresa com a aparição repentina de Ishakan. Ela provavelmente esperava que ele aparecesse à frente de seu exército.

“Você gostaria de tomar café da manhã com sua família?”, perguntou ela, aproximando-se de Leah com uma bacia de água para lavar o rosto. “Os dois estão esperando por você.”

Claro que ela queria tomar café da manhã com eles. Depois de se lavar, vestiu-se às pressas e dirigiu-se à sala de jantar. Já havia comida na mesa, mas intacta. Parecia que Lesha e Ishakan estavam esperando por ela.

Assim que se sentou, Leah começou a comer. Em Estia, as refeições eram servidas em etapas, em uma ordem específica. Mas sempre que comia com Lesha e Ishakan, eles jantavam no estilo kurkan, que ela preferia muito. Ter tanta comida na mesa a fazia sentir como se pudesse comer à vontade.

Leah entendeu o porquê. No passado, ela sempre havia sido mantida em uma dieta rigorosa, e havia vivido assim por tanto tempo que ainda comia muito menos que uma pessoa normal.

Ela gostava de poder comer livremente, depois de tantos anos reprimindo sua fome. E achava gratificante ver seu marido e filho comendo com tanto entusiasmo. Ver Lesha devorar uma perna de peru aguçou seu próprio apetite. – Publicado apenas em NovelUtopia

Com Ishakan de volta, Leah estava comendo com vontade pela primeira vez em muito tempo, e Mura sorriu enquanto servia mais comida, observando o prato de Leah esvaziar.

“O Rei de Balkat está te mirando”, disse Ishakan, retirando cuidadosamente os ossos de sua carne com uma faca.

“O…o quê?”, Leah piscou repetidamente, assustada.

Ele só poderia estar planejando matá-la, já que não tinha chance de matar Ishakan.

Na verdade, houve várias tentativas de assassinato, pois a união de Kurkan e Estia representava uma ameaça significativa aos reinos do resto do continente. Mas não houve tentativas contra a vida de Leah recentemente, devido às políticas de Ishakan com os assassinos.

Todos eles foram punidos severamente e torturados para obter informações e descobrir quem os havia contratado, mas aqueles que miraram em Leah receberam tratamento especial.

Em uma ocasião, Ishakan ficou tão furioso que ele e todo o seu exército desviaram para visitar o reino que havia enviado os assassinos. A família real era responsável pelo crime, então ele os decapitou publicamente em frente ao próprio palácio.

Isso foi tão severo que não houve mais tentativas de assassinar Leah.

Claro, a própria Leah nunca tinha visto os assassinos. Os kurkans os detectavam e lidavam com eles muito antes que eles chegassem a ela.

Ficava difícil acreditar que o Rei de Balkat tentaria matá-la, quando todos os outros reinos do continente tinham aprendido a lição.

“Por que ele faria uma coisa tão tola?”, murmurou ela pensativa. “Ele deveria saber o que aconteceu com todos os outros.”

Ela ficou em silêncio ao ver o sorriso de Ishakan.

“Não parece ser isso”, disse ele. Leah inclinou a cabeça.

“Então?”

“Ele está interessado em você.”

De repente, Leah se lembrou dos boatos que havia ouvido sobre o Rei e a Rainha de Balkat.

“…Ah.”

Só então Leah percebeu o que Ishakan queria dizer, e Lesha levantou a cabeça, as bochechas cheias de comida como as de um esquilo. Ele engoliu.

“Pessoas más querem machucar a Mamãe?”, perguntou ele. Ele ainda não conseguia entender completamente as conversas deles, mas era bom em sentir as emoções deles. Ishakan sorriu para ele.

“Sim.”

“Não! Não podem machucar a Mamãe, eu vou caçá-los!”

Ele parecia adorável quando disse isso, com as mãos na cintura, mas um brilho misterioso brilhou de repente em seus olhos dourados.

Ele parecia exatamente com o pai.

Leah olhou para Ishakan, que estava olhando orgulhosamente para seu filho.

De qualquer forma, não seria necessário. Ela só interagiria com o Rei de Balkat em público durante o banquete, onde os kurkans a defenderiam como uma muralha de ferro. Ishakan não tinha motivos para se preocupar.

Mas essa convicção logo desapareceu.


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