
Capítulo 313
Casamento Predatório
O resgate dos escravos tinha sido um sucesso completo. Pelo menos por um tempo, não haveria mais escravos Kurkan em Estia.
Leah sorriu radiante, incapaz de esconder sua alegria. Queria agarrar alguém e contar o que tinha feito, e o quanto se orgulhava do que tinham conquistado. Mas, como sempre, teve que se contentar em imaginar.
Não seria nada bom se soubessem que a Princesa de Estia estava escondida, saindo sorrateiramente do palácio.
Sua madrasta, Cerdina, controlava rigorosamente todos os seus movimentos e a repreendia severamente por qualquer imprudência. Se não fosse pela ajuda do Conde Valtein e de suas damas de companhia, Leah teria passado a vida trancada em seu palácio.
Mas hoje, ela não conseguia se preocupar muito com isso. Seu coração cantava de alegria.
Leah entrou no jardim do palácio muito antes do nascer do sol com um sorriso no rosto. O sol ainda não havia nascido, e o jardim estava muito silencioso e de certa forma sombrio, verde-claro no início da estação.
Ela esfregou os braços, sentindo-se de repente gelada.
Não havia sinal de movimento, mas de repente ela se sentiu estranha. Leah parou bruscamente ao ver Blain parado no meio do jardim.
Ele deveria estar caçando com seu avô, o Conde Weddleton. Ela não esperava vê-lo no palácio por alguns dias. Vestido com roupas de caça, havia algo estranho nele, além de sua aparição repentina.
Os lábios de Leah tremeram.
À primeira vista, poderia parecer um truque da iluminação do jardim. Mas mesmo piscando e olhando de novo, era inconfundível. O cabelo de Blain era um loiro dourado brilhante.
A cabeça de Blain se virou ao sentir o olhar dela. Seus olhos ardiam de raiva.
“Leah!”
Sua voz quebrou o silêncio da manhã, e ele caminhou em direção a ela, levantando a mão.
“……!”
Reflexivamente, Leah abaixou a cabeça, apertando os olhos. Mas, felizmente, desta vez ele não a deu um tapa. Em vez disso, ele a agarrou pelos cabelos, enfiando o rosto no dela.
“Abra os olhos.”
Ela abriu os olhos. Além de seus olhos azuis, brilhando de raiva, ela ainda podia ver aquele cabelo dourado. Não havia uma única mecha de prata.
“O quê, você estava vagando pelas ruas?” A mão que a segurava pelo cabelo tremia. Blain respirou fundo. “Achei que você tinha fugido.”
Internamente, Leah riu com o pensamento, mas mordeu o lábio para não deixar escapar. Levantando a mão, ela puxou o cabelo dele, e os olhos de Blain se arregalaram de choque.
Não era apenas uma retaliação por ele ter puxado seu cabelo. Ela precisava verificar se aquele era o cabelo dele. Parecia real, e de repente tudo ficou muito, muito sério.
“Seu… cabelo…” Ela disse inarticuladamente, com a língua presa. Mas sua confusão foi totalmente comunicada a Blain. O sorriso dele era malicioso, e não havia medo, apenas desprezo em seu rosto.
Deixou-a tonta. Que diabos estava acontecendo? Isso significava que o cabelo prateado dele não era real? Mas então como ele escondia a verdadeira cor do seu cabelo? E, mais importante…
Isso significava que ele não era seu irmão?
Ele não fazia parte da família real de Estia?
Enquanto se olhavam, de repente ouviram uma voz atrás de Blain.
“Blain!”
Blain soltou o cabelo de Leah.
“…Mãe.”
Os lábios da mulher eram vermelhos como bagas de espinheiro.
“Eu te disse para prestar atenção na hora de tomar sua poção”, ela o repreendeu. “Por que você não ouve sua mãe?”
Apesar do fato de que o cabelo de seu filho tinha mudado de cor repentinamente, Cerdina estava muito calma enquanto entregava a Blain uma garrafa. Apenas Leah estava confusa, observando Blain beber cada gota do líquido estranho, e somente depois que ele acabou é que a atenção de Cerdina se voltou para a garota.
Seus olhos foram gulosamente para o cabelo prateado de Leah, o símbolo da família real, brilhantemente iluminado sob a luz da lua que se desvanecia. Um arrepio percorreu a espinha de Leah enquanto Cerdina se aproximava lentamente dela e a abraçava suavemente como se fosse uma flor.
“Leah, minha querida filha.” Enquanto acariciava o cabelo de Leah, ela inclinou a cabeça, aproximando os lábios da orelha de Leah, e o som de sua voz era como veneno. “Você viu algo que não deveria ter visto. Você vai esquecer hoje.”
Cerdina colocou as mãos nos ombros de Leah e olhou diretamente em seus olhos.
“……!”
De repente, ela sentiu uma dor de cabeça insuportável. Cerdina a segurou para impedi-la de cair, e Leah não entendia por que sua madrasta continuava dizendo…
“Esqueça. Esqueça. Esqueça.”