Casamento Predatório

Capítulo 305

Casamento Predatório

“Agghhh!”

A criança que gritava tinha nem metade do tamanho de Isha. Pelo desespero em seu rosto, parecia ter sido muito amado pelos pais, antes de ser vendido como escravo.

“Socorro, me ajude!”

Como os outros escravos Kurkan, ele provavelmente havia sido vendido por ser mestiço. Era prática comum, nos primeiros dias de cativeiro, espancá-los com barras de ferro para quebrá-los. Mas aquele menino estava pior que a maioria, e o domador de escravos lançou seu olhar para Isha.

“Você”, disse ele, gesticulando com a barra de ferro. “Venha aqui. Só vou te bater um pouquinho.”

“……”

“Ou você pode levar a surra no lugar dele.”

O sorriso dele deixou suas intenções claras. Ele estava deliberadamente tentando provocar Isha, e quando a rebeldia habitual surgiu, uma mão se esticou para agarrar seu braço.

“Isha”, Mel sussurrou, calmo mas firme. “Você vai se meter em encrenca se causar problemas de novo.”

E então ele se adiantou na frente da criança encolhida.

“Pare”, disse ele. “Ou você vai morrer.”

O domador caiu na gargalhada.

“Parece que tem vários querendo apanhar hoje”, disse ele, mudando de alvo sem hesitar. Mas Mel era uma vítima menos satisfatória, aceitando a surra em silêncio resignado. O domador franziu a testa e atingiu a testa do menino com sua barra de ferro.

“Dói muito, não é?”, perguntou ele sarcasticamente.

“…….”

“Você é um escravo insignificante. Vou parar se você me implorar.”

Mel cuspiu sangue.

“Sou Kurkan”, disse ele com os lábios sangrando. “Você não pode quebrar meu orgulho.”

A declaração não impressionou o domador. Ele riu alto.

“Orgulho?”, repetiu ele, como se fosse uma piada. “Que orgulho têm aqueles que vendem seu próprio povo como escravos?”

Era impossível contestar aquela verdade desprezível.

“Você será mandado para o buraco”, acrescentou o domador com um aceno de cabeça.

“……!”

Os olhos de Mel se arregalaram com a palavra buraco. Aquele era o castigo que os escravos mais temiam. Eles seriam espancados quase até a morte e, então, jogados em um buraco sem luz. Durante todo o tempo de confinamento, não receberiam água.

Era um castigo brutal, passado na escuridão completa até que a porta de madeira no teto se abrisse novamente.

A ameaça surpreendeu até outro domador, que rapidamente tentou dissuadi-lo.

“Acho que outra punição seria melhor”, disse ele nervosamente. “Você lembra o que aconteceu da última vez…”

O primeiro domador estalou a língua. A última criança Kurkan que havia sido trancada no buraco tinha enlouquecido. Quando o tiraram de lá, ele nem sabia o próprio nome. Por um momento, o domador ficou pensativo, e então balançou a cabeça.

“Tanto faz”, disse ele. “Aquele que o comprou gosta de coisas inusitadas.”

O domador encontrou os olhos de cada Kurkan, um por um, terminando com Isha, cujo olhar ainda ardia de rebeldia apesar de tantas lições. O domador sorriu abertamente.

“Nem seria má ideia matar um deles”, disse ele, agarrando Mel. “Como exemplo.”

“Mel! Mel! Mel!”

Os Kurkans choraram desesperadamente, sem saber o que fazer.

“Eu vou ficar bem”, disse Mel calmamente, tentando confortar as crianças Kurkan mesmo agora.

Ele saiu com determinação no rosto. E não voltou por muito tempo.

A cada dia que ele não retornava, a ansiedade de Isha aumentava. Ele tentava escapar para entrar no buraco, mas era pego todas as vezes. Os dias se passaram, e ele não podia fazer nada além de esperar.


Uma semana se passou antes que Mel retornasse.

“Reúnam-se!”, gritou o domador, e a boca de cada Kurkan secou repentinamente ao se aproximarem.

“Mel…”

“Oh…”

Mel seguiu o domador para o quarto, mancando, com a cabeça baixa. Seu rosto estava escondido por seus cabelos compridos e lisos. Mas os olhos de Isha foram para suas mãos, onde todas as unhas estavam quebradas e lascadas. Provavelmente de tentar sair do buraco, arranhando a porta com os dedos.

O domador empurrou Mel para o centro do grupo de crianças Kurkan, para garantir que todos pudessem vê-lo, e então deu um tapinha nele, como um sinal.

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