
Capítulo 296
Casamento Predatório
Cambaleando até os pés, Cerdina seguiu em frente, observando o entorno. O som distante de música chamou sua atenção, o som de vozes cantando, e ela se dirigiu até lá.
Aproximando-se com dificuldade, ela se encostou a uma parede e observou um grupo de tomaris reunidos, conversando alegremente. Mas assim que eles viram Cerdina, ficaram em silêncio. Ela forçou um sorriso.
“Irmãos e irmãs…” Sua voz estava rouca e falha. Fazia tanto tempo que ela não bebia nem uma gota d'água. Cerdina levantou os cantos da boca, sussurrando: “Ajudem-me.”
Os tomaris olharam para ela com espanto.
“Você deve pagar pelos seus pecados”, disse um homem toma após algum tempo.
Os cantos de sua boca se contraíram. Ela queria dar um tapa nele para mostrar seu lugar, mas era impossível. Ela lutou para conter sua raiva.
“Vocês preferem seguir os bárbaros a alguém do próprio sangue?!”
“Você foi quem nos traiu primeiro.”
“Cala a boca!”
Ela acabou gritando de qualquer jeito. A ideia de ter que se curvar para essas criaturas insignificantes e pedir ajuda era insuportável. Assim que recuperasse seu poder, ela os esmagaria sob seus pés.
Lançando-lhes um olhar cheio de malícia, ela se afastou, sem perceber que eles a observavam e balançavam a cabeça enquanto ela cambaleiava. Mas aquilo era apenas o começo de suas dificuldades.
Cerdina fora uma nobre a vida toda. Ela nunca poderia imaginar como uma mulher comum conseguiria sobreviver nas ruas da capital, muito menos uma mulher sem braços. Era a primeira vez que ela experimentava a miséria.
Cerdina nunca imaginou que apenas viver poderia ser tão difícil.
A noite toda, ela tremeu, atormentada pelo frio. Quando não aguentava mais a fome, comia comida que caía na rua. Estranhos a olhavam com pena.
Ela nem mesmo tinha um cobertor para se proteger do frio. Era uma existência de rato, obcecada por comida, e ela sofria dores fantasmas em seus braços amputados repetidamente.
Chegou um dia em que as ruas estavam lotadas de gente. Cerdina tinha encontrado um pedaço de pão mofado e estava comendo rapidamente do chão; ela nem conseguia pegá-lo, sem braços. Só depois que acabou, ela levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo.
Todas as pessoas estavam agitando pequenas bandeiras, aplaudindo e jogando pétalas de flores no ar. Uma banda marchou, tocando música enquanto passava.
Cerdina se moveu para um canto discreto onde pudesse observar, roendo o lábio inferior. Seus olhos estavam vermelhos e inchados.
Os gritos da multidão ficaram cada vez mais altos, e uma carruagem apareceu, puxada por seis cavalos brancos. Era uma procissão triunfal, e as pessoas estavam aplaudindo Leah de Estia, a nova Rainha de Estia.
Seus cabelos prateados deslumbravam sob a luz do sol. Havia uma coroa em sua cabeça, e uma capa vermelha com o brasão real de Estia bordado nas costas caía sobre seus ombros. Quando ela sorriu para a multidão, eles aplaudiram freneticamente sua bela Rainha. – Publicado apenas em NovelUtopia
“Uau!!!”
Em meio à efusão de alegria, Cerdina bufou. Aquela coroa gloriosa, a capa vermelha, o palácio real e aqueles cabelos prateados… tudo aquilo pertencia a Blain. Leah tinha roubado tudo dele e estava sorrindo despreocupadamente. Os olhos de Cerdina a fixaram.
Foi então que aconteceu. Leah acenava para a multidão quando, de repente, virou a cabeça, e através da massa de pessoas, seus olhares se encontraram.
Os olhos de Cerdina se arregalaram. Ela gritou impropérios, mas as palavras foram encobertas pelos aplausos, e não havia esperança de abrir caminho através da multidão.
Por um momento, Leah olhou, absorvendo a aparência patética de Cerdina, depois se virou.
Ela a estava tratando como se Cerdina fosse insignificante.
A fúria a consumiu, e Cerdina gritou. Mas de repente, um golpe na parte de trás da cabeça a fez perder a consciência instantaneamente.
Um jato de água fria a acordou, e Cerdina recuperou a consciência, pingando água gelada. Tremendo, ela olhou em volta. Era um lugar muito familiar.
Ela estava em um grande salão com a bandeira real de Estia pendurada acima, e no final do grande salão, duas colunas de mármore ficavam de cada lado de um trono em um palco elevado.
Leah estava sentada no trono dourado, olhando para Cerdina ajoelhada.
“Quanto tempo”, disse ela.