Casamento Predatório

Capítulo 295

Casamento Predatório

Cerdina tinha muito em comum com Estia.

Ela fora belíssima. Todos a consideravam a mulher mais linda do Império. Mas ninguém diria isso ao olhar para ela agora.

Cerdina recobrou a consciência em um beco, e em vez dos belos vestidos que sempre usara, só restavam trapos rasgados. A tinham despojado de suas joias e de todas as outras decorações esplêndidas.

Enquanto se virava na sujeira do beco, seus olhos se voltaram para o céu. As nuvens negras haviam se dissipado e nuvens brancas salpicavam o céu azul como tinta. Olhou fixamente para a paisagem pitoresca, sem expressão.

A dor que a atingiu de repente foi infernal.

Reflexivamente, Cerdina tentou alcançar os braços com ambas as mãos, só para descobrir que não havia braços, não havia mãos, apenas pensamentos, reflexos automáticos e fúteis.

“……!”

Seu corpo não se movia como ela queria, e Cerdina se olhou com olhos trêmulos. Onde seus braços deveriam estar, só havia cicatrizes de onde tinham sido arrancados. A dor era uma dor fantasma de membros que não existiam mais.

Suor frio escorria pelo seu rosto com a agonia dos membros perdidos. Um a um, ela se lembrou dos acontecimentos que ocorreram antes de desmaiar, as lembranças passando em sua mente como um flash.

Seu sangue vermelho. Gritos penetrantes. Raiva incontrolável.

Seu corpo fraquejou enquanto ela se contorcia, seus olhos tremendo descontroladamente.

Teria sido melhor se ela tivesse morrido.

Ela preferiria ter morrido. Seu coração doeria menos se ela tivesse morrido nas mãos de Blain. Ela faria qualquer coisa por seu amado filho. Ela não teria medo de entregar seu corpo a ele. Ela teria amado se ele tivesse comido seu coração.

Se ela pudesse ter dado tudo o que tinha para Blain, teria morrido em paz.

Lágrimas escorreram por suas bochechas e caíram no chão. Cerdina rangeu os dentes, seu rosto endurecendo.

Não podia acabar assim. De alguma forma, ela teria vingança. Ela mataria Leah diante dos olhos daquele bárbaro, para que ele conhecesse o seu desespero. Ela não se importaria em morrer depois disso.

Ela jurou uma vingança sangrenta enquanto rangia os dentes, mas de repente, uma pergunta lhe ocorreu.

Por que o selvagem a deixara ir embora?

Ele era um bárbaro, cruel e brutal por natureza. Ela esperava que ele tivesse se fartado de torturá-la, considerando o quanto ela fizera Leah sofrer, mas Cerdina não conseguia acreditar que ele a deixaria ir tão facilmente.

Talvez ela tivesse escapado de seus dedos de alguma forma? Talvez um dos Tomaris a tivesse levado em segredo. Sangue é mais espesso do que água. Mesmo que os bárbaros os tivessem enganado por um tempo, talvez os Tomaris tivessem se arrependido tarde demais. – Publicado apenas em NovelUtopia

Inúmeras teorias correram por sua mente, mesmo com o cheiro de lixo podre enchendo seu nariz. Primeiro, ela precisava sair dali.

Mas não era fácil levantar o corpo. Cerdina cambaleou, desequilibrada sem os braços, e caiu de costas contra a parede enquanto recuperava o fôlego. Mas então ela percebeu que estava sendo ridícula.

Ela estava se comportando como uma humana patética.

Cerdina sorriu amargamente. Seria difícil desenhar um padrão mágico sem os braços, mas ela ainda podia usar seu poder. Em um instante, uma fumaça negra emanou de seu corpo, mas no instante em que ela confiantemente estendeu seu poder, algo aconteceu.

“…Argh!”

Vomitando sangue, ela desabou no chão. Já tinha sido tão difícil levantar-se do chão, e agora ela havia caído novamente. A fumaça negra que a envolvia desapareceu.

Seu poder não funcionaria corretamente, e de repente ela se lembrou da espada longa que o bárbaro havia enfiado em seu corpo. Ela se lembrava claramente de sua estranha cor vermelho-escura e da agonia ardente que sentira quando a lâmina a perfurou.

E se…

Cerdina ficou pálida. Novamente, ela tentou levantar seu poder, e novamente, mas nada aconteceu. A fumaça subiu apenas para se dispersar no ar.

Aquela espada longa tinha sido forjada com o sangue de mutantes. Quando penetrou em seu corpo, aquele poder divino desapareceu como um sonho. Magicamente, era como se ela tivesse sangue de mutante correndo em suas veias agora, diluído ao nível de uma feiticeira fraca, apta apenas para poções simples.

Deitada no chão, Cerdina gritou.

Ela soluçava, e ninguém sequer se virou para olhá-la. Após um período interminável de loucura, nada havia mudado.

“……”


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