
Capítulo 294
Casamento Predatório
Leah piscou ao sentir dedos roçando seus cílios. Ishakan acariciava suas bochechas, e ela franziu a testa com a sensação de cócegas.
“Acorda, Leah”, sua voz grave a instou. “Você me fez esperar demais…”
Sua sonolência desapareceu como num passe de mágica, e Leah virou a cabeça para olhar para cima. Seus olhos dourados encontraram os dela.
Deixando o cachimbo de lado, ele exalou uma última lufada de fumaça e então a ergueu para sentá-la em seu colo. Leah se aninhou em seu peito.
“…Ishakan.”
Embora ainda se sentisse um pouco trêmula, ela examinou seu corpo cuidadosamente. Lembrava-se de procurar por ferimentos antes de desmaiar, mas se ele tivesse algum, eram leves o suficiente para terem cicatrizado enquanto ela dormia.
“Mura…” Ela se lembrou. “O que aconteceu com a Mura?”
“Não se preocupe. Ela está se recuperando”, disse Ishakan secamente. “É hora de se preocupar com outras pessoas agora?”
“…Ah.”
Seus olhos se desviaram para suas pernas, e ela olhou junto com ele para os membros imóveis, flácidos como as pernas de uma boneca quebrada. Quando tentou movê-las um pouco, a dor lancinante foi tão intensa que lágrimas brotaram em seus olhos.
Ela se lembrou de como havia caído quando a fumaça negra de Cerdina a atingiu. Algo deve ter acontecido com suas pernas quando ela bateu naquela parede.
“Vai demorar cerca de uma semana para você conseguir movê-las”, disse Ishakan. “E pelo menos um mês para voltar a andar direito.”
Sua voz era fria, mas Leah encontrou seus olhos diretamente. Ishakan estava apertando os dentes como se estivesse retendo palavras, e então ele silenciosamente alcançou e levantou a saia de sua camisola, expondo suas coxas.
Seus olhos se arregalaram ao olhar para os grandes ferimentos visíveis mesmo sob as finas bandagens em cada coxa.
“Você terá cicatrizes”, disse Ishakan.
Parecia que os ferimentos haviam sido suturados enquanto ela dormia, mas nem mesmo aquela dor a havia despertado. Ela nem havia percebido que estava ferida.
Será que foi a fumaça negra que a cortou? Talvez tenham sido todos os pedaços de pedra e vidro quebrados no chão da Sala da Glória que a feriram. Ela estava focada em outras coisas na época, e suas pernas estavam cobertas pelo vestido.
Mas a gravidade dos ferimentos a assustou. Era muito pior do que ela pensava.
“O bebê?”, perguntou ela com urgência. Mas Ishakan não respondeu imediatamente. Sua boca estava teimosamente fechada. “Ishakan?”
Ela ficou subitamente aterrorizada com o que ele poderia dizer. Parecia que o filhote de lobo estava saudável quando ela o vira correndo por aquelas vastas planícies, mas talvez algo tivesse acontecido com ele desde então.
Seu olhar estava fixo na boca de Ishakan, desejando que ele falasse.
“O bebê está bem”, disse ele após um longo silêncio. “Kurkans não morrem tão facilmente.”
Leah suspirou aliviada, mas seu rosto permaneceu rígido de raiva.
“Mas você é humana”, disse ele suavemente, e ela sentiu seu coração afundar. Aquelas breves palavras tinham um significado poderoso. “Eu me recupero rapidamente de qualquer dano. Você não.”
Ele não estava a condenando. Era uma constatação.
“Não me deixe sozinha”, ele concluiu.
Seu rosto estava sombrio. Ela quase se desculpou, sem pensar, mas então hesitou.
“…Não vou”, disse ela, estendendo a mão para acariciar sua bochecha. “Daqui para frente, nós sempre estaremos juntos.”
Ele olhou para ela em silêncio, e Leah hesitou um momento e então se esticou para beijá-lo levemente nos lábios. Só então Ishakan finalmente relaxou.
Encostada em seu peito. Ela podia sentir seu calor enquanto ouvia seu coração batendo. Depois de um tempo, ela tomou coragem para perguntar.
“Cerdina… ela está morta?”
Era uma pergunta difícil. Ela precisava saber o que havia acontecido com ela. Com certeza, ela devia estar morta. Cerdina tinha sido mais cruel do que corajosa. Leah só lamentava não ter conseguido ver Cerdina morrer com seus próprios olhos.
Mas ela o olhou com crescente nervosismo diante da pitada de travessura em seus olhos, e um sorriso igualmente travesso.
“Ela escapou.”