
Capítulo 297
Casamento Predatório
Em silêncio, Leah a observava de cima. Estava tão elegantemente vestida que qualquer um a reconheceria como realeza. O rei bárbaro permanecia ao seu lado, encostado casualmente no trono. Sua expressão era de desinteresse, mas ao olhar para Cerdina, sorriu.
Antes que a fúria a consumisse por causa daquela atitude prepotente, Cerdina olhou para si mesma.
Não só estava maltrapilha, como também não estava sequer lavada.
A beleza da qual sempre se orgulhara havia desaparecido. Seu rosto envelhecera, como se todos os seus anos tivessem caído sobre ela de uma vez. Cerdina sorriu amargamente. Só agora percebia o quanto havia caído.
Olhar para Leah era como olhar para cima do fundo de um abismo. Era miserável ver a mulher que lhe havia roubado tudo o que sempre desejara, e nada restava de seu orgulho. Ele se estilhaçara em fragmentos, perfurando-lhe o coração como cacos de vidro.
Cerdina decidiu que chegara ao limite.
Ela cravou os dentes na própria língua.
Determinada a morrer, e nem isso lhe permitiriam. Sua tentativa de suicídio foi interrompida imediatamente, com os Kurkans se aproximando e forçando sua boca a abrir. Cerdina gritou enquanto o sangue jorrava de sua boca.
“Me matem! Prefiro morrer!!!”
Era melhor morrer do que continuar aquela humilhação. Ela queria morrer. Lá de cima, viu Leah morder o lábio, e por um instante, Cerdina sentiu uma tênue esperança de que pudesse ser por piedade.
Era uma fantasia inútil.
Leah estava se lembrando de outro dia como aquele, o dia em que Cerdina a resgatara do deserto. Cerdina a olhando de cima, repleta de arrogância. Leah lutara até o fim, implorara até para ser morta, mas Cerdina não hesitou em forçá-la a engolir uma poção e lançar seu feitiço.
Agora era Cerdina quem implorava pela morte. Suas fortunas se inverteram. De joelhos, Cerdina sentiu as pernas formigarem e, com sua humilhação completa, não podia fazer nada além de olhar para a pessoa que controlava seu destino.
Os belos olhos roxos de Leah brilhavam como jóias. Apesar de todo o tormento que Cerdina lhe infligira, aqueles olhos não perderam seu brilho. Se alguma coisa, aquele brilho havia se intensificado, como ferro forjado em aço. Eram olhos que nenhuma palavra maligna, nenhum feitiço, nenhum poder maléfico conseguira destruir.
Um arrepio de medo percorreu Cerdina.
Era uma emoção que nunca sentira antes. Medo da pessoa que tivera em suas mãos a vida toda, e de repente sentiu uma vergonha indescritível.
Leah a olhou calmamente.
“Por que eu deveria ser tão misericordiosa?”, perguntou, com perfeita compostura. “Você nunca me ofereceu isso.”
“……”
Os lábios de Cerdina se moviam silenciosamente, procurando algo a dizer, mas no fim só conseguiu fechar a boca. Não havia nada que pudesse dizer.
A nova rainha de Estia proferiu sua sentença.
“Você vai morrer. Dolorosamente.”
Esse foi o fim.
Muitos Kurkans haviam esperado em silêncio nas sombras, e agora se aproximavam, rindo. Aproximaram-se de Cerdina com sorrisos e expressões de puro deleite. A visão de dezenas de selvagens convergindo sobre ela ao mesmo tempo fez os olhos de Cerdina arregalarem-se de terror. Como presas farejando os caçadores.
Uma mulher com expressão impassível agarrou Cerdina pela cintura.
“Levarei Leah embora”, disse Ishakan, falando pela primeira vez. Ele sorriu, seus olhos se estreitando enquanto olhava para Cerdina. “Guarda um pouco para mim, Genin.”
Depois de levar Leah de volta ao seu quarto, Ishakan dissera a ela para ir dormir, mas Leah não conseguia pegar no sono. Sentada encostada às costas da cama, ela abriu a cortina para olhar pela janela. Nos finos galhos lá fora, novos brotos estavam crescendo.
Lentamente, o palácio real estava ficando verde novamente. O feitiço que o cobria havia sido quebrado.
Com o poder de Cerdina enfraquecido, os feiticeiros Kurkans, liderados por Morga, finalmente conseguiram romper o feitiço. Mas instantaneamente, o caos irrompeu.
Uma mulher Tomari conseguira ocultar sua identidade e colocar seu filho, que não fazia parte da família real, no trono de Estia. Foi um evento que nunca seria esquecido em toda a história do continente. Os nobres de Estia não conseguiam acreditar que haviam sido tão enganados pelos Tomaris.
Leah liderara os nobres confusos na restauração da Estia arruinada. E embora confusos, eles naturalmente a seguiram.