
Capítulo 289
Casamento Predatório
O lindo vestido branco de Leah estava destruído. Ninguém diria que era um vestido de noiva; além de ensanguentado, estava em pedaços, e a noiva caminhava por um longo corredor descalça.
Parando diante de uma grande porta, ela a abriu lentamente. Era a Sala da Glória, repleta de obras-primas de artistas que desejavam que a luz brilhasse para sempre sobre Estia.
Em um dia claro, um raio de luz penetrava pela janela no centro da cúpula, iluminando o ambiente. Mas o céu lá fora estava encoberto por uma fumaça negra, e a luz na sala era muito fraca.
Leah olhou pela janela, sem expressão. Não demorou muito para que ela começasse a ouvir barulhos do lado de fora, e ela esperava que a porta se abrisse logo. O barulho estava ficando mais alto à medida que se aproximava.
Suas mãos tremiam, e ela teve que se esforçar para conter o tremor. Seria mentira dizer que não estava com medo, mas ela precisava superar isso. Havia algo mais importante.
—Eu não tenho medo de nada, desde que eu tenha você.
Ela se lembrou de uma voz calma, de um homem que não tinha medo. Lembrar-se de seus olhos dourados a acalmou.
A espera foi longa e o tempo voou enquanto o barulho se aproximava e finalmente alcançava a Sala da Glória. A porta se abriu bruscamente, e Leah voltou seu olhar para ela.
“……”
A primeira coisa que ela notou foi o cabelo loiro. Blain não havia vindo sozinho. Ao entrarem na sala, Leah desviou o olhar. Atrás dele estavam muitos outros Tomaris.
Cerdina os havia traído. Ela havia devorado os corações de seu próprio povo, um crime imperdoável em todas as nações. Mas ainda assim, haveria aqueles que seriam atraídos por seu grande poder.
Esse era o caso desses Toma, que ainda a seguiam. Mesmo conhecendo seu comportamento aberrante, e sabendo que a qualquer momento ela poderia decidir devorar seus corações, eles ainda estavam determinados a segui-la até o fim.
Era ridículo, mas Leah não supôs que eles eram simplesmente estúpidos. Talvez eles seguissem Cerdina porque suas naturezas eram as mesmas.
Claro, a que mais se parecia com ela era aquela que ela concebeu…
Os olhos azuis de Blain se voltaram para Leah, e ele não conseguiu evitar de rir ao ver o que ela segurava na mão, mesmo com a raiva o consumindo.
“Hahahahaha…! Você está planejando me matar com isso?”
Na mão de Leah havia uma adaga. Era pequena, mas afiada o suficiente para cortar a carne de alguém.
“Isso é ridículo…”
Blain passou os dedos pelo cabelo. Ele estava tão furioso que não sabia o que fazer, e se virou, murmurando impropérios, então explodiu de repente, golpeando os punhos em estátuas próximas. Um busto em um pedestal de mármore caiu no chão.
“Me mate, vadia, me mate!”, gritou ele ao se aproximar, sua voz ecoando alto pela sala.
Leah não disse nada. Não havia mais sentido em falar. Ele havia sido distorcido desde o nascimento, e nunca se arrependeria de nada do que havia feito. Seria um desperdício de energia conversar com ele.
Ele parou diante de Leah, e sua mão disparou e envolveu seu pescoço.
“Você fala o tempo todo, e agora não tem nada a dizer?”, ele esfregou o rosto no dela. “Então por que a gente não morre…”,
Aquilo não era apenas uma ameaça. Ele realmente pretendia fazer isso. Olhando em seus olhos, ficou claro que ele havia perdido completamente a cabeça.
“Eu vou te matar primeiro”, ele ofegou. “Só com minhas mãos…”
Mas no momento em que suas mãos apertaram seu pescoço, a janela de vidro acima deles se estilhaçou, e Mura irrompeu na sala, mirando diretamente em Blain, mas ele desviou e a evitou por pouco. Naquele mesmo instante, mais Tomaris correram do corredor.