Casamento Predatório

Capítulo 288

Casamento Predatório

À frente do grupo de tomaris estava a velha que havia dado a Leah a cesta de rosas. Ela se curvou profundamente, com reverência.

“Graças à bondade da Rainha, ainda estamos vivos.”

Foi Leah quem os salvou de serem assassinados por Cerdina.

“Vou cobrir os olhos dela com um feitiço por um tempo”, continuou a velha toma, e como se estivesse preparado de antemão, um padrão mágico apareceu na grama do jardim.

Seria seguro ali. Mas Leah não entrou no padrão. Em vez disso, ela olhou para o salão de recepções, onde a fumaça negra ainda subia para o céu.

Ela havia deixado as pessoas do palácio desorientadas. Ela os havia abalado o suficiente para que Cerdina sentisse o impacto da interrupção de seu feitiço. Mas Cerdina se recuperou muito mais rápido do que o esperado.

Leah havia deixado Ishakan naquele lugar.

“Leah”, Mura chamou, a incentivando a ir para um lugar seguro. Leah não havia dado um passo em direção à segurança do padrão, e apenas virou a cabeça para olhar para a velha toma, lendo a ansiedade em seu olhar. Havia algo que a velha queria dizer.

“Há mais alguma coisa que eu possa fazer?”, Leah perguntou, olhando diretamente para ela. Ao lado dela, o olhar de Mura para a velha congelou instantaneamente, como se a avisando para não dizer nada de tolo. A toma não deu ouvidos ao aviso.

“O Rei de Kurkan não vai gostar”, disse ela cautelosamente. “Porque sua Rainha deve estar manchada de sangue…”

Os olhos de Mura ficaram mais escuros.

“Explique”, Leah ordenou. Ela não queria ficar parada esperando Ishakan resolver tudo. Assim como ele estava arriscando a vida por ela, ela também queria protegê-lo. “Eu farei qualquer coisa.”

As mãos de Mura se contraíram em um gesto de advertência, como se ela quisesse torcer o pescoço da velha se ela dissesse mais uma palavra, mas Leah segurou sua mão.

“Mura”, Leah disse gentilmente, convencendo-a com poucas palavras. “Haban também está lá.”

“……”

Os lábios de Mura tremeram.

“Cerdina abandonou sua humanidade em busca de poder”, disse a toma impacientemente. “Dizem que o Rei de Kurkan é forte, mas isso pode ser… um pouco difícil. Eu gostaria de explicar uma maneira pela qual podemos ajudá-lo.”

Ela parecia séria e obviamente estava escolhendo cuidadosamente suas palavras. Leah fez um aceno de cabeça para que ela continuasse, apertando a mão de Mura.

“O feitiço de Cerdina foi construído sobre a fundação de Estia. Graças à família real, ela ganhou poder quase infinito.” O que significava que Leah era necessária, se eles quisessem abalar o feitiço em sua fundação. “É algo que apenas a verdadeira dona do palácio… a verdadeira dona de Estia pode fazer.”

“Por que você está dizendo isso agora?”, perguntou Mura com suspeita.

A toma lançou um olhar para as tomaris aglomeradas, como se respondendo à sua pergunta. Todas elas pareciam ter visto vislumbres do fim violento de suas vidas.

“Porque é um método que eu não queria usar”, disse a velha, com um sorriso amargo. “Mas hoje é o dia da expiação, onde devemos quebrar as correntes forjadas pelos pecados de nossos ancestrais.” A mulher transferiu seu olhar para Leah. “Você quer nos ajudar com esse feitiço?”

Elas provavelmente já sabiam qual seria sua resposta. Leah assentiu, e assim que a decisão foi tomada, as tomaris reunidas se moveram para transformar o padrão existente no chão, adicionando e deslocando suas linhas. Elas já haviam se preparado, assumindo que Leah aceitaria sua proposta.

Observando, Mura murmurou algo em kurkan em voz baixa. Ninguém pediu para ela traduzir. Parecia que seria indelicado em qualquer idioma.

“Precisamos de um sacrifício”, explicou a velha toma. “Na magia, um coração da mesma linhagem sanguínea é o maior sacrifício. É por isso que Cerdina comeu o coração de seu pai.”

Os lábios de Leah se apertaram ao se lembrar do fim horrível do Conde Weddleton.

“Então devemos fazer um sacrifício equivalente?”, ela perguntou.

“Isso mesmo.”

“Mas um sacrifício comparável ao coração de seu pai…”

“Ainda assim…” a toma disse lentamente. “Há alguém mais que é conectado por sangue a Cerdina.”


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