Casamento Predatório

Capítulo 287

Casamento Predatório

Ishakan olhou para frente, o rosto impassível. Não havia mais nada de humano em Cerdina. Veias negras sobressaíam em sua pele, pálida como cera, com mais veias escuras percorrendo-lhe os braços, o pescoço, até mesmo o rosto. Seus olhos eram poços de escuridão.

“Você se tornou um monstro?”, perguntou Ishakan.

Atrás dele, os Kurkans engoliram em seco ao olharem para ela. Ela era uma bagunça ambulante. Essa fúria tinha sido previsível desde o início; nunca haveria fim em sua busca por poder. Eles até esperavam que ela fosse capaz de suportar as consequências de quebrar seus feitiços.

Eles não esperavam que ela comesse o coração do próprio pai.

Ishakan olhou para a linha vermelha no dorso da mão. Ela provavelmente pretendia cortá-la. Embora fosse apenas um ferimento superficial, era a prova de que ela era poderosa o suficiente para machucá-lo, até mesmo matá-lo.

Leah vira o ferimento em seu dorso, e naquele momento ela parecia prestes a chorar. Não, Ishakan não tinha a intenção de deixá-la viúva.

Ele nunca havia considerado a derrota. Leah era a única pessoa que poderia derrotá-lo. Mas considerando que o poder de Cerdina poderia rivalizar com o de um deus, ele estava preparado para aceitar alguns danos. Ele até concluiu que poderia ganhar algumas cicatrizes novas quando tudo acabasse.

“Não gosto disso.”

Ishakan sorriu. Ele queria ser um homem mais forte para Leah. Ele desejava que ela confiasse nele, não importa o que enfrentassem. Mas ela ia ver seu corpo nu muitas e muitas vezes no futuro, e se ele voltasse com cicatrizes, talvez isso a fizesse lembrar de coisas desagradáveis.

Ishakan afastou a mão machucada. Ele teria que fazer o melhor para sofrer o mínimo de danos possível.

“Genin.”

A seu comando, ela lhe entregou a espada comprida presa às costas. A espada era de um vermelho profundo, como se já estivesse encharcada de sangue. Enquanto Ishakan a empunhava, Haban e Genin se posicionaram de cada lado dele. Os outros Kurkans se alinharam atrás deles.

Os feiticeiros se posicionaram em semicírculo com Morga no meio. Com um gesto de sua mão, cada um deles pegou uma adaga e cortou os antebraços. Seu sangue não pingou no chão. Flutuou no ar, formando um padrão mágico.

Em uníssono, os olhos de todos os Kurkans brilharam diante da perspectiva da batalha.

“Você vai morrer.” Cerdina falou com aquela voz estranha. Ela sorriu, observando aqueles preparativos, e enquanto falava, suas palavras ecoaram nos ouvidos de todos os Kurkans presentes. Os olhos de Ishakan se estreitaram, mas seu sorriso não vacilou.

Andando para frente, ele arrastou a espada pelo chão, aproximando-se de Cerdina sem hesitar.

“Bruxa imunda.” Ele esperara por esse momento por muito tempo. A euforia da batalha crescia nele a cada passo. Seus olhos dourados brilhavam. “Hoje não vai acabar com um aviso.”


Mura correu sem olhar para trás. Rapidamente, deixaram o salão para trás, embora o vestido de noiva de Leah dificultasse um pouco sua movimentação.

“Mura, me ponha no chão.”

“Desculpa, não posso fazer isso.”

“Não quero voltar”, disse Leah enquanto Mura corria. “Só quero fazer alguma coisa com esse vestido.”

Quando finalmente a convenceu, Mura a colocou no chão. Leah tirou os saltos e levantou a barra do vestido até os joelhos.

“Você poderia rasgá-lo para mim?”

Imediatamente, Mura rasgou o tecido, e deu a Leah um momento para olhar ao redor. O céu estava coberto de uma fumaça negra e espessa, e parecia que elas estavam sozinhas no mundo.

Pegando uma pedra, Leah a entregou a Mura, que imediatamente entendeu e a arremessou contra a barreira de fumaça. No instante em que a tocou, ela desapareceu sem deixar rastros.

“Acho que não podemos sair”, murmurou Mura, franzindo a testa.

O palácio inteiro estava nas mãos de Cerdina. Não importava para onde Leah fosse, ela estaria em perigo. Assim que confirmaram que seria impossível escapar, Mura imediatamente sugeriu uma alternativa.

“Vamos para o lugar mais seguro do palácio”, propôs ela. “Há Tomaris que vão nos ajudar.”

Os Toma escondidos ocultariam Leah dos olhos de Cerdina enquanto Ishakan a enfrentava. Elas estavam se escondendo no jardim principal do palácio. Não ficava muito longe do salão de recepção, mas era longe o suficiente para que elas pudessem estar a salvo.

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