Casamento Predatório

Capítulo 286

Casamento Predatório

Cerdina olhou para Leah, sorrindo como se não acabassem de a encurralar.

“Ousa me desafiar com truques tão simples?”, disse ela baixinho, e os lábios de Leah se apertaram de súbito. Aquilo não era o que ela esperava. Cerdina estava se recuperando muito mais rápido do que ela havia planejado.

E de repente, os olhos de Cerdina se desviaram. O Conde Weddleton, trêmulo, quase desmaiou quando o olhar dela caiu sobre ele.

“Pai”, disse Cerdina com voz suave.

“Rainha… Rainha Mãe”, disse o Conde Weddleton rapidamente. “Não tive escolha, fui ameaçado—!”

“E eu não quero fazer isso”, disse Cerdina. “Mas não tenho escolha…”

Não havia sacrifício mais poderoso do que um coração que batia com o seu próprio sangue. Ela sorriu levemente.

“Você está disposto a morrer pela sua filha, não está?”

O Conde Weddleton não teve permissão para dizer palavras finais. Não houve tempo para ninguém fazer nada. A fumaça negra se lançou sobre ele em um instante e Ishakan puxou Leah para junto de seu peito.

O som de carne se rasgando encheu a sala e Leah fechou os olhos com força, escondendo o rosto nele.

“Hahahaha…hahahaha…”

Rindo como uma louca, Cerdina devorou o coração do pai diante dos olhos horrorizados e petrificados dos convidados do casamento.

Quando acabou, ela lambeu o sangue dos lábios. A fumaça negra contorcida parou. Houve um longo momento de silêncio, e então a fumaça se espalhou em todas as direções enquanto o corpo de Cerdina se elevava no ar, e a escuridão envolveu todo o palácio.

Cerdina falou.

“Embora a Toma do primeiro poder tenha sido derrotada pela selvagem mutante…”

Sua voz soou estranha.

“Não importa. Pois eu a superei.”

A fumaça negra encheu o salão e roçou o dorso da mão de Ishakan.

“……”

Ishakan franziu a testa. Uma marca vermelha apareceu em sua mão.

“Bárbaros!”, a voz estranha de Cerdina gritou, seu rosto cheio de alegria. “Vocês serão presos como cães mais uma vez! Vocês rastejarão diante dos Tomaris de joelhos!”

A fumaça negra girava em torno do palácio como uma atmosfera separada, e tudo escureceu ao cobrir o céu. Cerdina estava rindo de novo, e os convidados que estavam saindo do feitiço estavam imóveis, como se tivessem virado pedra. Como se cordas invisíveis os estivessem puxando, eles afundaram de volta em suas cadeiras.

Eles pareciam fantoches. Fantoches assistindo a um espetáculo.

“Venha aqui, minha filha.”

Sorrindo, ela olhou para Leah.

“Implore. Diga-me onde você errou, e eu a perdoarei.”

As palavras estavam cheias de malícia.

“Mura”, disse Ishakan suavemente. Mura se aproximou por trás enquanto Ishakan gentilmente empurrava Leah em direção a ela. “Leve-a para um lugar seguro.”

Mura pegou Leah.

“Ishakan…” Leah esticou a mão em direção à dele, e Ishakan a pegou e a levou aos lábios.

“Você vai primeiro”, disse ele. “Eu tenho que terminar isso.”

Mas mesmo enquanto ele pegava sua mão, ela viu que ele havia sido ferido pela fumaça. Apesar de sua imunidade, a magia de Cerdina conseguia tocá-lo.

Leah não queria atrapalhar, mas como poderia deixá-lo para trás? Ansiedade encheu seus olhos, e Ishakan sorriu.

“Não se preocupe. Nos veremos em breve.”

Ele estava tão calmo, apesar do perigo. Leah apertou os lábios para conter um soluço.

“Eu cruzei o deserto por você”, disse ele de repente, e ela olhou para ele, ouvindo. “Houveram tantas noites que não consegui dormir, pensando em você… e eu sempre percebi a mesma coisa.”

Apesar da escuridão, seus olhos brilhavam tanto.

“Eu não tenho medo de nada, desde que eu tenha você. Nada é pior do que te perder.”

Leah não conseguia falar. Ela só conseguiu acenar com a cabeça enquanto ele sorria para ela, levantando uma mão para acariciar sua bochecha.

“Eu pensei em um nome para o bebê. Tenho certeza de que você vai gostar”, sussurrou ele, suas palavras finais. “Eu te direi quando eu voltar.”

E então ele se despediu.


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