
Capítulo 290
Casamento Predatório
Os Tomaris que haviam vindo com Blain logo se perderam entre os outros que haviam invadido o cômodo para ajudar Leah, e em pouco tempo eram dezenas deles, lutando em meio às obras-primas, derrubando-as e pisoteando-as. Obras de arte de valor inestimável foram esmagadas.
Tudo aconteceu em um instante, e em meio ao caos, os olhos de Mura brilharam cruelmente. Rapidamente, ela se moveu para assassinar brutalmente o homem Toma à sua frente.
Leah encontrou o olhar de Blain. Ele havia escapado para o fundo da confusão e a observava através do caos, gritando impropérios. Mas Leah o ignorou. Mura se aproximava dele rapidamente, e os olhos de Blain piscaram ao perceber a gravidade da situação.
Leah apertou o aperto da adaga. Pela primeira vez, seus lábios se moveram e ela falou.
“Você é quem vai morrer, Blain.”
***
Seu poder era como um oceano. Não importava quanta água fosse retirada, não havia sinal do fundo. Cerdina estava embriagada de poder. Era tão estimulante, tão eufórico, que sua consciência ficou nublada.
Ela podia fazer qualquer coisa. Seu poder era tão enorme que ela não conhecia limites. O fato de finalmente ter atingido o reino dos deuses a levou a um êxtase infinito.
Lambendo os lábios, Cerdina olhou para os bárbaros diante dela. Ela havia resistido aos ataques deles até agora, e como uma criança brincando com formigas, os picava um pouco de cada vez.
Não seria divertido acabar com tudo de uma vez. Ela queria torturá-los e se vingar de toda a humilhação que sofrera. Isso era uma coisa que a incomodava: os feitiços não funcionavam no Rei de Kurkan.
Os *seus* feitiços, sim. Ela havia se tornado uma deusa acima de qualquer selvagem mutante; seus feitiços podiam atingi-lo, mas ela ainda não conseguia dominá-lo como queria. Quando tentou cortar seu braço, apenas o feriu superficialmente. Mesmo que sua magia finalmente pudesse tocar a criatura, ela ainda não conseguia subjugá-lo como desejava.
Seus olhos brilhantes e bestiais não demonstravam medo. Aos seus olhos, parecia apenas que ele estava curtindo a batalha, e era Cerdina quem estava estressada. A cada ataque de sua misteriosa espada vermelho-sangue, um arrepio estranho percorria sua espinha.
Nenhum deus deveria sentir aquela sensação. Naquele momento, tudo o que ela conseguia pensar era que precisava matá-lo primeiro.
“……!!”
Cerdina voltou a si como se acabasse de receber um choque de água fria. Algo estava errado com os Tomaris que guardavam Blain. Ela podia sentir as conexões através do feitiço se rompendo, como se alguém estivesse cortando-as com uma tesoura. – Publicado apenas em NovelUtopia
Parecia que eles estavam tentando colocar as mãos em Blain enquanto ela brincava com os bárbaros, e não havia nada que ela pudesse fazer a não ser largar tudo e ir imediatamente para onde seu filho estava.
Uma fumaça negra subiu de seus pés, envolvendo rapidamente seu corpo. Os bárbaros tentaram impedi-la de ir embora, mas ela repeliu todos os feitiços lançados contra ela. Seu único pensamento era encontrar Blain.
Envolta em fumaça negra, ela chegou ao jardim, mas não havia ninguém naquele lugar silencioso. Mas, estranhamente, ela podia sentir vestígios de Blain ali.
Enquanto o procurava desesperadamente, ela encontrou um grande padrão mágico desenhado no chão. Ela havia sido enganada por um truque tão simples.
Cerdina soltou um grito furioso, e mais fumaça se espalhou, procurando por ele. Levou um tempo até que ela finalmente pudesse dizer onde Blain estava.
Na Sala da Glória.
Cerdina respirou fundo. Aquele era o lugar onde ela havia reunido os Tomaris pela primeira vez, para pedir ajuda. E agora que ela pensava sobre isso, aquele padrão mágico no jardim devia ter sido feito pelos Tomaris.
Seu coração desabou em um pressentimento repentino e ominoso.
Cerdina correu direto para a Sala da Glória, e a primeira coisa que viu foi Blain estirado em um padrão mágico desenhado no centro da sala. Seu corpo estava coberto por um vestido branco rasgado, manchado de sangue como se fosse um sudário. Seus olhos estavam cheios de medo.
Leah levantou sua adaga. A lâmina brilhou.
“Não…!”
Cerdina estendeu a mão. A seu comando, uma fumaça negra disparou como uma flecha, diretamente para Leah. Mas antes que pudesse tocá-la, a adaga perfurou o coração de Blain.