Casamento Predatório

Capítulo 265

Casamento Predatório

Carregando Leah nos braços, Ishakan caminhou até onde os outros Kurkans estavam esperando. Não houve hesitação ao deixarem o palácio. Nem mesmo precisaram falar. Deitada calmamente em seus braços, Leah descansou a cabeça em seu peito e ouviu o forte batimento de seu coração.

Só recobrou a consciência quando ele finalmente parou diante de uma velha estalagem perto do centro da cidade, que lhe pareceu estranhamente familiar. Muitos Kurkans a esperavam ali, e embora Ishakan tivesse coberto suas roupas rasgadas com uma túnica, ela encolheu-se automaticamente diante das dezenas de olhares.

Com um gesto de mão de Ishakan, todos os Kurkans que esperavam abaixaram a cabeça.

Com certeza não tinham más intenções; apenas estavam curiosos. Mas nenhum deles disse uma palavra ou levantou os olhos enquanto Ishakan os passava e subia as escadas.

Quando ele chegou ao quarto no fim do corredor, este também lhe pareceu estranhamente familiar, e assim que a colocou no chão, ajudou-a a trocar de roupa. O confortável camisolão no estilo Kurkan estava folgado sobre a leve redondeza de sua barriga.

“Ainda não recuperei minhas memórias”, disse ela a ele.

“Eu sei.”

Pegando sua mão, ele a acariciou.

“Mas você fez algo que todos achavam impossível”, sussurrou ele, e ergueu a mão dela aos lábios. “Estou orgulhoso de você.”

“……”

Leah abaixou a cabeça automaticamente. Ela não estava acostumada a receber elogios, e as pontas de suas orelhas ficaram vermelhas em meio aos fios prateados de seu cabelo.

E Ishakan apenas a acariciou mais, sorrindo enquanto seus dedos se moviam sobre os finos ossos de seu pulso.

Mesmo sem recuperar suas memórias, ela se sentia livre.

Deixando Blain para trás, ela não sentira absolutamente nada. Seu coração estava frio como gelo. Ela até mesmo chegara a sentir ódio por ele. Ela não estava completamente livre do feitiço, mas saber que seus sentimentos eram novamente dela a enchia de alegria.

Leah se lembrou da porta de ferro que vira em seu sonho. Graças à ajuda do filhote de lobo, ela havia quebrado a corrente que a prendia. Agora ela só precisava abrir a fechadura. Parecia impossível. Como ela abriria uma fechadura que não tinha chave? Mas o pensamento não a assustava mais.

Ela faria isso. Ela recuperaria suas memórias.


Naquela noite, Leah ficou na estalagem. Ela nem sabia ao certo quando tinha pegado no sono; pareceu que assim que a tensão do confronto com Blain finalmente desapareceu, ela imediatamente desmaiou. Leah acordou na manhã seguinte com o nascer do sol.

E Ishakan foi a primeira coisa que ela viu.

Foi embaraçoso, mas gratificante vê-lo no momento em que abriu os olhos, e eles tomaram banho juntos e depois tomaram café da manhã.

Eles falaram sobre as coisas que não conseguiram falar no dia anterior. Parte do feitiço havia sido quebrado, mas ainda havia muitos problemas restantes para ser fácil. Ishakan se recusou a soltar suas mãos.

“Eu não vou te deixar sozinha”, disse ele, e Leah se lembrou das pessoas no palácio, movendo-se como marionetes em um fio.

De alguma forma, ela tinha a sensação de que se tornaria uma delas.

Blain faria isso para colocar as mãos nela. Com sua fúria insana, ele faria qualquer coisa, e agora que ela dissera que não o amava, ele não hesitaria. Leah ficou em silêncio por um longo tempo.

“O que tinha naquela poção que a velha Toma me deu?”, perguntou ela finalmente.

“É uma poção simples”, respondeu Ishakan. “Serve para mudar a cor do cabelo. A Morga também poderia criar.”

Bem, Leah não esperava que a velha tivesse grandes poderes. Se tivesse, provavelmente não teria pedido a ajuda de Leah desde o início. Mas talvez aquela poção fosse uma pista para outra coisa.

Assim que pensou nisso, a mente de Leah começou a trabalhar freneticamente.

Seu objetivo era quebrar o feitiço sobre as pessoas do palácio, forçando-as a perceber que havia algo errado. E por que a velha Toma lhe daria uma poção que mudava a cor do cabelo? Enquanto ela especulava, Ishakan disse em voz alta.

“Acho que sei para que serve isso”, disse ele, e puxou uma mecha do cabelo de Leah, olhando para o brilho prateado enrolando-se na palma de sua mão. “Blain. Isso soa mais como o nome de um homem loiro.”

No momento em que ele disse isso, Leah entendeu o que ele estava propondo. Foi como se alguém a tivesse atingido com força na nuca.

Leah tampou a boca com a mão.

Muitas coisas vieram à sua mente, mas mais do que tudo, a imagem de Blain flutuava em sua mente. Um homem que não se parecia em nada com Leah, ou com o Rei morto que era supostamente seu pai.

Ele só se parecia com Cerdina…

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