Casamento Predatório

Capítulo 266

Casamento Predatório

Blain não fazia parte da família real de Estia.

Cerdina não só escondeu o fato de ser Tomari, como engravidou de outro homem e depois alegou que ele era filho do rei. E nem isso tinha sido o suficiente para ela. Ela aspirou a colocá-lo no trono, e conseguiu.

O rosto inexpressivo de Leah endureceu lentamente enquanto ela percebia tudo o que Cerdina havia feito. Ela mordeu o lábio. Mas, em sua fúria, ela teve uma ideia repentina.

“É possível fazer parecer que um feitiço foi quebrado, mesmo que não tenha sido?”, perguntou ela pensativa.

“É possível.”

“Então… se também é possível fingir estar sob um feitiço…” Lentamente, Leah esboçou seu plano para ele. Se feito corretamente, eles poderiam danificar o feitiço de Cerdina sobre as pessoas do palácio. Ela precisaria sacudi-las com força, se quisesse despertá-las.

Leah conversou por muito tempo, animada com a possibilidade, e Ishakan finalmente concordou em tentar se Morga concordasse que era possível. E embora Leah estivesse exausta depois de falar tanto, assim que respirou fundo, havia outra questão que ela queria discutir.

“Eu me lembro de escapar com você”, disse ela, certa de que ele se lembraria de todos os detalhes da história. Mas Ishakan apenas a olhou curiosamente.

“Nós nunca escapamos”, disse ele, cruzando os braços. “Eu te sequestrei.”

“Você me sequestrou?”, perguntou ela, confusa.

Ishakan parecia travesso.

“Ah, sim”, disse ele, sorrindo. “Você não queria, mas eu te sequestrei mesmo assim.”

“Não brinque.”

“É a verdade.”

“……”

Quanto mais ela aprendia sobre seu passado, mais confuso ficava. Como tinha sido o relacionamento dela com este homem? Leah sacudiu a cabeça e ignorou o pensamento.

“Quero dizer… quando éramos jovens.”

As palavras o atingiram, e ela viu as pupilas de seus olhos dourados se contraírem, e então diminuírem. De alguma forma, aquela visão a deixou um pouco assustada.

“Eu me lembrei daquele momento. Um pouco. Só uma breve memória…”

Ele não disse nada, apenas a olhou enquanto ela gaguejava, tentando lembrar os detalhes daquela visão muito breve.

“Estávamos correndo por um corredor estreito, e você parecia jovem… e estava machucado, você não conseguia correr muito bem. E você era tão magro…”

Ela calou-se. Era só isso. Nem mesmo uma história, apenas um breve flash de uma memória.

“Eu pensei que você tinha esquecido…” Disse ele lentamente, e sua voz vacilou levemente. “Aquela memória… fazia parte de um feitiço? E você se lembrou…”

Ele calou-se. Havia algo mais que ela não sabia? Ele estava tão perturbado que ela passou a mão na testa dele.

“Isso significa que você é mais novo que eu?”, perguntou ela, procurando uma pergunta mais leve para fazê-lo se sentir melhor. Ele sorriu.

“Kurkans parecem mais jovens antes de nossa cerimônia de maioridade. E naquela época eu não estava apenas sendo… maltratado. Eles não me alimentavam.”

Aquela revelação a chocou. Ela só estava brincando, nunca tinha imaginado… o sorriso desapareceu de seu rosto. De alguma forma, ela pensara que Ishakan sempre fora como ele era, poderoso e inabalável. Mas ele tinha sido jovem e fraco, um dia. Ele tinha sido abusado.

“Como…?”, ela sussurrou, e Ishakan sorriu, encolhendo os ombros.

“Havia muitas pessoas más.”

“……”

Mas Leah não conseguia descartar tão facilmente. Olhando para seu rosto infeliz, ele franziu a testa.

“É patético, não é? Meu coração também dói quando me lembro.” Ele tocou sua bochecha, embaixo dos olhos onde as lágrimas estavam brotando. “Me beija. Isso vai te fazer se sentir melhor.”

Rapidamente, ela levou os lábios aos dele, e os braços de Ishakan envolveram sua cintura para puxá-la para o colo dele. Ela tinha a intenção apenas de dar um único beijo, mas de alguma forma ele demorou e se aprofundou enquanto o calor explodia entre eles.

“Ahh…” A língua de Ishakan penetrou entre seus lábios enquanto ele apertava seus seios, suas mãos quentes através do tecido fino de sua camisola. Leah se contorceu, tentando empurrá-lo para longe enquanto ele se movia sobre ela faminto. Ele estava tentando distraí-la, mas a preocupação com ele puxava seu coração.

“O que aconteceu com as pessoas que te machucaram…?”, perguntou ela, determinada a terminar a conversa. Se ele não tivesse se vingado delas, então ela pretendia fazer algo a respeito sozinha.

“Está tudo bem”, disse ele bruscamente, sem se preocupar. “Eu já matei todos eles.”

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