Casamento Predatório

Capítulo 264

Casamento Predatório

Ishakan abraçava Leah com força, um braço em suas costas e o outro puxando-a contra si.

“Eu o mato depois”, sussurrou carinhosamente em seu ouvido. “Não precisa ser na sua frente.”

Os olhos de Blain se arregalaram enquanto Ishakan o ignorava deliberadamente, como se ele fosse um inseto indigno de sua atenção.

“Você acha que vai me deixar em paz?”, berrou ele, furioso, e a cabeça de Ishakan se virou para ele.

“Você parece tão ansioso para morrer. Não há necessidade”, explicou ele. “Já pensei em um castigo melhor para você.”

Ele fez uma pausa para deixar o peso das palavras penetrar.

“Espere até que o momento final chegue.”


Cerdina foi imediatamente para o palácio de Leah. Queria arrancar os cabelos daquela maldita. A vadia precisava de um corretivo, e Cerdina não se importava se o uso excessivo de seu poder a destruísse no processo.

Ela mostraria o que significava obedecer. Quando terminasse com ela, Leah nunca mais ousaria agir com tanta arrogância.

Cerdina ainda não conseguia acreditar que Leah ousara desafiá-la.

Pensando no momento em que Leah lhe dera aquele frasco de vidro, Cerdina acelerou o passo. Mas antes mesmo de sair de seu próprio palácio, parou bruscamente no meio do corredor. Teve que reprimir um grito.

“……!”

Desabando no chão, ela envolveu-se em si mesma com os braços trêmulos, vomitando enquanto arranhava o peito com as próprias unhas. Engasgou repetidamente, sufocando, e finalmente vomitou sangue negro no chão de mármore branco.

Lentamente, ela limpou o sangue com o dorso da mão.

“Não pode ser…” murmurou ela, tonta.

Parte da magia acabara de se romper. Leah perdera o amor por Blain.

Por que se quebrou? Como ela fez isso?

Feitiços que implantavam sentimentos eram muito complicados. Cerdina teve que alterar as memórias de Leah para fazê-la amar Blain, substituindo aquele selvagem do deserto por seu filho. Cada vez que Leah olhava para Blain, sentia os mesmos sentimentos que tinha por Ishakan.

Mas Leah estava se libertando. Ela só havia libertado suas emoções por enquanto, mas era muito provável que as memórias tão fortemente ligadas a elas a seguissem em breve. Cerdina não conseguira dar à magia a atenção necessária ultimamente, já que vinha tendo tanta dificuldade em controlar seu poder.

Ainda era uma magia insidiosa. Não seria facilmente quebrada. Naquele tempo, não havia feiticeira que superasse Cerdina. Talvez antes, alguma bárbara feiticeira pudesse tê-la desafiado, mas ela sabia que não havia ninguém vivo que pudesse rivalizar com ela. Mas então…

Como a magia havia sido quebrada?

Era impossível. Confusa, Cerdina continuou em direção ao palácio da princesa, mas a fúria que a sustentara havia desaparecido. E, no caminho, ela encontrou outra pessoa.

“Blain…” sussurrou ela. Ele estava sozinho no jardim do lado de fora do palácio de Leah, e seu coração se contraiu ao ver seu filho em tão lastimável estado. “Eles… fizeram isso com você?”

Ele não parecia ouvi-la, e ela agarrou seu ombro e o sacudiu.

“Blain, me diga o que aconteceu?”, gritou ela. “Me diga!”

Blain não disse nada. Ele nem mesmo olhou para ela enquanto ela o sacudia, e então finalmente bateu dolorosamente em sua mão. O dorso de sua mão ficou vermelho.

Ela não se importou. Toda a sua atenção estava nele, sem se preocupar consigo mesma.

“Blain…” implorou ela desesperadamente. “Por favor, diga à sua mãe…”

“Eu não vou esperar até o casamento”, disse ele, voltando o olhar para ela lentamente. Ele conseguia se ver refletido em seus olhos, em sua ganância sem fim.

Blain a desprezava. Durante todo esse tempo, ele pensou que era diferente de Cerdina, melhor que sua mãe, mas seu parentesco não podia ser negado. Ele era igual a ela, afinal.

“Eu não me importo mais com o coração dela. Seu corpo é o suficiente”, disse ele, e deu a ordem. “Transforme-a na minha boneca. Agora.”

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