
Capítulo 258
Casamento Predatório
Ishakan olhou pela janela, espremendo os olhos como se estivesse calculando o horário exato, e então voltou-se para Leah.
“Tanto faz se você se atrasar, mas pode ser um problema para a Princesa.” Ele disse em tom de brincadeira, mas havia uma seriedade por trás. Leah acariciou o cabelo dele, assim como tinha acariciado a pelagem do lobo bebê em seu sonho, e ele sorriu.
“Por que você mata os Toma?” Leah perguntou baixinho, erguendo as sobrancelhas.
“Por estarem no meu caminho,” ele disse simplesmente.
“Você pouparia a vida de Tomaris inocentes?”
“Quantos você quiser.”
Leah refletiu por um momento.
“Eu tenho algo para fazer,” ela disse em voz baixa.
O palácio da Rainha Mãe, geralmente barulhento, estava silencioso. Os hábitos de sua dona haviam mudado.
Ela não recebia nenhum homem, nem tinha Tomaris entrando e saindo fazendo as vezes de serviçais. Em todo o palácio silencioso, aparentemente vazio, só havia damas-de-companhia taciturnas vagando pelos corredores.
“……”
Cerdina ofegou. Seu corpo inteiro estava encharcado de sangue, e a fumaça que emanava de seu corpo só desaparecia por um instante.
Ela olhava para frente com olhos cheios de loucura, cercada por animais negros no chão. Arrastando um carneiro para o centro de seu padrão mágico, ela cortou a cabeça do sexagésimo sexto sacrifício, derramando seu sangue no chão.
Ela havia pintado o padrão com seu próprio sangue, e ele absorvia cada gota de sangue do sacrifício, mas permanecia inalterado. Ela não conseguia fazer a fumaça que saía de seu corpo desaparecer completamente.
Resmungando, Cerdina jogou sua adaga no chão, roendo suas unhas ensanguentadas.
Depois de ter comido os corações de vários Tomaris, Cerdina permanecera trancada em seu palácio, lutando com um problema que não conseguia resolver. Seu poder crescia cada vez mais, mas ela não tinha nenhum controle sobre ele. Como um copo cheio até a borda com água, cada ondulação o fazia transbordar.
O poder selvagem e incontrolável a fazia sentir como se estivesse perdendo a cabeça, como se tivesse cruzado alguma linha além de seus limites.
Justo quando ela ia pegar outra oferenda, Blain apareceu.
“Mãe.”
Seu filho raramente tomava a iniciativa de visitá-la. Os olhos de Cerdina se arregalaram.
“Blain… meu filho, meu Rei!”
Arrastando a barra de sua túnica ensanguentada para o lado, ela se aproximou, mas ao contrário de sua mãe animada, Blain estava frio e impassível.
“Eu lhe trouxe um presente,” ele disse, arrastando um homem amarrado em direção a ela. O homem estava tentando gritar com o mordaça na boca, sacudindo a cabeça freneticamente.
Os cantos da boca de Cerdina se curvaram.
“Um Tomaris.”
Ela conseguia ouvir o coração do homem batendo forte. Blain chutou o homem em direção a ela friamente, empurrando-o para dentro dos limites do padrão mágico.
“Você não deveria estar ficando mais forte?”
Blain sabia que ela estava sofrendo porque havia perdido o controle de seus poderes, e por isso ele lhe trouxera esta nova oferenda. Não outro cadáver, mas um homem vivo que compartilhava seu sangue.
Pegando a adaga do chão, ele a colocou em sua mão e sorriu enquanto sua mão esguia a agarrava firmemente.
“Eu sempre fui orgulhoso. Então espero que minha mãe também se orgulhe de mim.”
O sorriso de Cerdina em resposta era perverso. Ela não sabia o que havia feito Blain começar a se comportar dessa maneira. Ele estava até mesmo tentando controlá-la. Mas embora não estivesse acostumada a isso, ela estava feliz com essa mudança. Ela era quem havia criado esse monstro.
“Claro, tudo isso é por sua causa… meu filho, Blain…”
Ela segurou o rosto dele entre suas mãos ensanguentadas, manchando sua pele branca com o sangue.
“Você nunca vai trair sua mãe,” ela sussurrou.
Blain não respondeu. Ele apenas sorriu.
“Sua Majestade. Rainha Mãe.” A dama-de-companhia principal apareceu, abrindo a porta um pouco. “Vossa Majestade recebeu um pedido de visita.”
“Eu pensei que eu disse que não receberia ninguém!” Cerdina gritou, furiosa.
“É que…” A mulher insistiu ansiosamente. “O pedido foi feito pela Princesa.”