
Capítulo 257
Casamento Predatório
Leah acordou como se tivesse sido arremessada, segurando a cabeça com as mãos. Um enjoo a dominou.
A dor de cabeça era tão forte que parecia que seu crânio ia se estilhaçar. Como se alguém o tivesse martelado. Mas mesmo pela agonia, Leah tentava agarrar os fragmentos de memórias que giravam em sua mente.
—"Me tome como sua esposa."
Havia um jardim de peônias. Ela se lembrava claramente do momento em que havia tomado coragem para confessar seu amor a Blain. Mas desta vez era diferente. Outro homem estava diante dela, segurando uma peônia na mão.
—"Sério… você é muito caprichosa…"
A voz do homem se esvaiu. Sua figura ficou borrada. Mas uma coisa estava clara, e era o sorriso de Leah, e o sorriso feliz do homem diante dela. A voz dele soou a mais doce do mundo para ela enquanto ele falava.
—"Minha noiva…"
A memória não durou muito e desapareceu rapidamente.
“……”
Em suor frio, Leah afastou os cabelos úmidos grudados na testa. Quando tentou evocar aquelas memórias novamente, só intensificou sua dor de cabeça. Fechando os olhos, tentou respirar fundo. Ainda sentia náuseas.
Ela não havia confessado a Blain?
Não só ela havia perdido suas memórias reais, como memórias falsas haviam tomado seu lugar. Quanto tempo suas memórias haviam sido distorcidas? Ela não conseguia acreditar em… nada.
Mas ela sabia com certeza para quem realmente havia confessado seu amor no jardim de peônias.
Ishakan havia ficado tão furioso quando ela disse que havia confessado a Blain.
Leah cobriu o rosto com as mãos. Mesmo depois de recuperar suas memórias, levaria muito tempo para reparar seus erros.
Sentando-se na cama, Leah percebeu que ainda estava na mansão do Conde Weddleton, e Ishakan havia sumido. E ainda havia o som da chuva caindo lá fora, batendo contra as janelas. Ela achara que ia parar logo, mas estava piorando.
Embora a chuva e as nuvens escuras dificultassem dizer, ela achou que poderia estar perto do amanhecer. Leah espiou para a escuridão.
Não havia nada para ver ali. Parecia uma escuridão sem fim. Mas em algum momento, o sol nasceria.
Leah colocou uma mão sobre o abdômen, sentindo a leve arredondamento em sua barriga antes plana. Não havia sido muito perceptível, então ela havia ignorado até agora. Ela só achou que estava engordando.
Vividamente, ela se lembrou da cena de seu sonho. Aquele pequeno filhote de lobo com olhos dourados havia crescido até o tamanho de uma casa e então se atirou contra o portão de ferro.
Como ela não havia percebido isso até agora? Qualquer um que visse o filhote de olhos dourados saberia que era filho daquele homem.
Leah suspirou. Sua mente estava em caos, agitada, feliz, assustada, sobrecarregada… e tão triste. Ela nem conseguia aproveitar a descoberta de seu bebê porque se sentia tão incompleta. Só um filho com uma mãe ruim sofreria tantas dificuldades antes mesmo de nascer. Se ele tivesse vindo um pouco mais tarde, quando fosse seguro…
Mas em sua mente, ela se imaginou com Ishakan, segurando seu filho.
Ela finalmente teria uma família.
Ela estava sentindo coisas estranhas. Por muito tempo, ficou com a mão na barriga, e só se sobressaltou e virou a cabeça ao som da maçaneta rangendo.
“…Leah?”
Empurrando a porta, Ishakan entrou com um monte de roupas nas mãos. Ele pareceu surpreso ao vê-la acordada. Ela teve a impressão de que ele planejava secretamente levá-la de volta para o palácio depois de vesti-la.
Ela estava nua apenas porque ele havia rasgado todas as suas roupas.
Mas Leah não se importava se estava nua. Deslizando da cama, ela se aproximou dele em pernas bambas e se ergueu na ponta dos pés, envolvendo seus braços em seu pescoço para abraçá-lo. Rigidamente, Ishakan se curvou para abraçá-la, e ela sentiu o calor de suas roupas contra sua pele branca como a neve.
“Você teve um pesadelo?” Ele perguntou.
Leah olhou em seus olhos, os olhos dourados que combinavam tão perfeitamente com seu título. Rei do Deserto.
Enquanto o silêncio se estendia, ele ergueu uma sobrancelha.
“Ou você quer fazer de novo? Nesse caso, você vai se atrasar.”