Casamento Predatório

Capítulo 256

Casamento Predatório

Mais uma vez, Leah se viu em um vasto deserto.

A paisagem de areia dourada era familiar, o calor do sol intenso, mas ela não sentia calor. Era porque estava em um sonho.

Leah caminhou, deixando rastros de pegadas na areia fina. Algum tempo se passou antes que ela parasse. Havia algo escuro amontoado no horizonte.

Eram as correntes.

Automaticamente, seu corpo enrijeceu. Mas em cima das correntes, havia uma pequena figura prateada, e ela correu em direção a ela. Era o filhote de lobo, sentado sobre as correntes, e Leah suspirou aliviada ao ver que o pequeno estava ileso. O filhote até abanou o rabo com sua aproximação, levantando o queixinho com orgulho enquanto batia nas correntes com as patas dianteiras.

“Você fez tudo isso?” Ela perguntou.

Ele balançou a cabeça, ansioso para exibir seu troféu, como se quisesse se gabar da dificuldade da caça e de como a havia superado. O coração dela se encheu ao observar o adorável filhote.

Ela queria abraçá-lo. Mas não podia simplesmente pegá-lo; e se o filhote não gostasse dela? Gentilmente, ela ofereceu a mão, e o pequeno se levantou nas patas traseiras e estendeu as dianteiras, como se pedisse para ser pego.

E então Leah estava segurando o pequeno lobo em seus braços. Acariciando sua pelagem prateada, da mesma cor que seu cabelo. Cabelo prateado era incomum; era praticamente o símbolo da legitimidade da família real de Estia. E não era apenas a primeira vez que ela via um lobo com uma pelagem prateada assim, ele também tinha olhos dourados.

Enquanto acariciava sua pelagem macia, ela olhou em seus olhos, e no momento em que se olharam, as pequenas mandíbulas do lobo se abriram e seus olhos dourados se aqueceram, exatamente como os de Ishakan.

O filhote de lobo havia lutado sozinho naquele lugar por tanto tempo, mas não havia sinal de ressentimento em seu sorriso canino, apenas afeição.

“Mamãe!” Disse o pequeno lobo.

Leah ficou muda. Congelada enquanto o filhote de lobo inclinava a cabeça para o lado, inocentemente intrigado com sua falta de resposta. Ela se lembrou do que Ishakan havia dito, ele havia contado que ela estava grávida, e ela ficou surpresa, mas não… sentiu nada. Era como se fosse uma notícia sobre outra pessoa, algo que não tinha relação com ela.

Mas ouvir o filhote de lobo a chamar de mãe…

Atingiu seu coração.

Ela sempre quis proteger esse bebê, sem nem mesmo saber porquê. Ela se importava tanto, que pediu a Ishakan para ajudá-la com um sonho. Por que ela estava se esforçando tanto?

Ela estava segurando a resposta para essa pergunta em seus braços, a verdade finalmente revelada.

“Bebê…” Ela sussurrou.

Uma rajada de vento soprou, a areia explodiu para cima, uma tempestade de areia que a fez fechar os olhos com força. Quando ela os abriu novamente, tudo estava escuro, e a porta de ferro estava diante dela. Uma porta de ferro envolvida em correntes, trancada com uma fechadura sem chave.

Em branco, Leah a encarou.

Seus dentes rangeram. E ela se lançou contra a porta, furiosa, rasgando-a como uma louca, puxando as correntes e batendo na porta de ferro com toda a sua força.

“Abra!!!” Ela gritou. “Abra agora mesmo!!!!!”

Isso era o culpado de tudo. Se ao menos ela abrisse, se ao menos pudesse abri-la…

Lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto a raiva a consumia. O pensamento de tudo o que seu bebê havia sofrido a dilacerava. Ela não sabia de nada. Ela se encostou na porta de ferro, e algo puxou a bainha de seu vestido.

Quando ela olhou para baixo, viu que o pequeno lobo a havia seguido, e ela enxugou as lágrimas rapidamente. Leah se abaixou, se curvando para pegar seu bebê novamente e abraçá-lo, mas o pequeno lobo se afastou, lambendo suas mãos avermelhadas.

“E se eu não conseguir?” Ela perguntou baixinho, e o pequeno lobo deu um tapinha em seu pé com a pata direita e a fez rir através das lágrimas. O querido estava tentando confortá-la.

Olhando para seu rosto, o pequeno lobo de repente jogou a cabeça para trás e uivou. Um raio de luz caiu naquele lugar escuro, brilhando sobre o filhote de lobo e o envolvendo.

“……!”

Leah ofegou quando o filhote de lobo cresceu repentinamente, deixando de ser um bebê vulnerável para se tornar um enorme lobo prateado do tamanho de uma casa grande. Ele uivou novamente, ensurdecedor, e arrepios percorreram sua pele.

O lobo se lançou contra a porta de ferro, seus dentes afiados rasgando a corrente que Leah não conseguira mover, mesmo com toda a sua força.

Com um estalo metálico, a corrente quebrou.


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