Casamento Predatório

Capítulo 259

Casamento Predatório

Uma hora depois, Cerdina seguiu para a sala de audiências, vestida com um elegante vestido. Ela havia lavado o sangue que manchava seu corpo e suprimido temporariamente a fumaça negra que emanava dela sem parar. Conseguia controlá-la o tempo suficiente para tomar uma xícara de chá, pelo menos.

“Faz tempo, Leah.”

Leah levantou-se do sofá para fazer uma reverência enquanto Cerdina entrava na sala, e os olhos da Rainha-Mãe a examinaram, sorrindo enquanto observava cada detalhe. Os olhos de Leah estavam calmos, e quando Cerdina olhou para eles, sentiu um forte impulso de destruí-la.

Leah havia nascido com os cabelos prateados da família real de Estia e os olhos roxos que tanto impressionavam a nobreza. Sua linhagem real era impecável. Ela nasceu princesa, com o sangue nobre que Cerdina sempre invejou.

Mas nada disso importava agora. A princesa nobre não era mais que uma boneca nas mãos de Cerdina. Cerdina sentia grande satisfação em fazer a princesa dançar ao seu comando. E ela continuaria dançando, enquanto Cerdina quisesse.

As duas mulheres se encontravam em sofás opostos, tomando o chá servido pelas empregadas. Na sala de audiências, o único som era o tilintar das xícaras e o clique das pequenas colheres.

Cerdina foi a primeira a quebrar o silêncio. Ela deu um único gole elegante de chá e pousou a xícara.

“Estou surpresa”, disse ela. “Você veio por iniciativa própria.”

Imitando o movimento de Cerdina, Leah pousou sua própria xícara, e quando Cerdina olhou para ela, percebeu que o nível do líquido não havia diminuído. Cerdina sorriu.

“Algo está errado, Leah?”

“Não a vi ultimamente”, respondeu Leah. “Fiquei preocupada que você pudesse estar doente.”

Ambas sabiam que essa não era a razão da visita. Mesmo depois de ter perdido a memória, Leah ainda temia Cerdina. Embora Cerdina apenas lhe tivesse deixado lembranças de afeição, Leah instintivamente a evitava.

Isso havia deixado Cerdina muito feliz. Por causa de Blain, ela fingia ser uma madrasta amável, mas não queria que Leah ousasse sair do seu lugar.

Então, era muito estranho que Leah tivesse decidido visitá-la por conta própria. Era um comportamento incomum, e Cerdina a observava cuidadosamente. Leah ainda estava sob o feitiço, embora ele tivesse enfraquecido um pouco, provavelmente porque ela estivera entre os bárbaros. Mas Leah ainda estava apaixonada por Blain.

O conhecimento de que o feitiço estava incompleto fez Cerdina se sentir… sedenta. O feitiço não havia conseguido mudar completamente os sentimentos de Leah. Ele apenas distorcera suas memórias.

Era devido à própria falta de poder de Cerdina.

Outro gole de chá não a acalmou. Sentir aquela nova fraqueza no feitiço a deu vontade de destruir a garota, antes que ela pudesse se rebelar por um instante.

“Como está a Condessa Melissa?”, perguntou Cerdina carinhosamente. “Você deve cuidar bem dos bons empregados, assim como ela cuidou de você desde criança.”

As palavras foram ditas como um conselho gentil, com uma crueldade subjacente. Leah entendeu a mensagem perfeitamente, e a escuridão passou por seu rosto.

“…Sim.”

A resposta obediente fez Cerdina sorrir. Mas as palavras que se seguiram apagaram o sorriso.

“É por isso que eu não fugi.”

“……”

Cerdina cuidadosamente limpou toda expressão de seu rosto enquanto encontrava os olhos de Leah, mas desta vez, a princesa não desviou o olhar. Até mesmo alguns dias atrás, ela não teria ousado olhar a Rainha-Mãe nos olhos. Aqueles belos olhos roxos ainda estavam cheios de medo, mas Cerdina viu algo novo neles. Uma sensação de coragem desesperada, levada à ação porque havia sido empurrada ao limite.

Como essa garota havia mudado tanto? Cerdina a vinha maltratando desde que Leah era pequena, garantindo que ela ficaria com muito medo de ousar um único pensamento de rebelião. O que havia mudado?

A boca de Cerdina se contraiu em um sorriso, e Leah, impassível, inclinou-se para colocar um pequeno frasco de vidro cheio de folhas de chá sobre a mesa. Ela o empurrou para mais perto de Cerdina com os dedos.

“É chá de ervas”, disse Leah. “Tive algum trabalho para consegui-lo. Será bom para a saúde da Rainha-Mãe. Queria mostrar minha gratidão pelo chá que você me deu. Foi muito benéfico.”

Leah sorriu levemente.

“Não se deve retribuir o que se recebeu?”

Cerdina olhou para Leah horrorizada. E tendo entregue sua mensagem e feito o que viera fazer, Leah levantou-se e encerrou educadamente o encontro.

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