Casamento Predatório

Capítulo 235

Casamento Predatório

Ao se afastar, Leah olhou para trás e viu os olhos dourados dele a seguindo, mesmo enquanto Blain a agarrava pelos pulsos, puxando-a para cima de seu cavalo, à sua frente. Acompanhados pelos cavaleiros, eles galoparam para longe, através do pomar. Embora o fogo estivesse se espalhando rapidamente, ainda havia alguns lugares que ele não havia alcançado.

Uma carruagem esperava do lado de fora do pomar. Os atendentes acomodaram Leah dentro dela com um cobertor, e seus dedos tremeram enquanto ela o apertava. No momento em que a porta se fechou, a carruagem partiu, e ela ficou grudada na janela enquanto observava as chamas subirem para o céu.

Ela sabia que Ishakan não se machucaria, mas não conseguia tirar os olhos dele. Ela estava preocupada com ele. Embora ele tivesse a força para retê-la à força, ele a havia deixado ir. Ishakan sempre respeitara sua vontade.

“Leah.”

Ela se enrijeceu, desviando o olhar da janela. Blain estava sentado ao lado dela e respirou fundo antes de falar.

“O que a Lady Mirael fez com você?”

Seu coração disparou. Uma parte dela agiu automaticamente como se estivesse satisfeita com a proximidade dele, mas agora ela tinha certeza. O que ela sentia por Ishakan era completamente diferente.

“Responda!” Blain gritou. Leah o encarou.

“Se eu não responder, você vai me dar um tapa?”

“Você…!”

“Você vai ameaçar matar alguém para me fazer obedecer? Ou ameaçar se matar?” Ele agarrou seu pulso, e ela se afastou com força. “Me larga.”

Ele pareceu chocado, olhando de sua mão para Leah e vice-versa. O rosto dela estava frio e impassível.

“……”

Ele mordeu o lábio com tanta força que sangrou, mas não a machucava mais ver sua dor.

“O casamento, se o casamento acontecer…”

Leah se virou e tampou os ouvidos. Ela não queria ouvir os murmúrios dele. Seus olhos voltaram para a janela, e ela se sentiu tão desconfortável presa naquele espaço pequeno com Blain. Ela não podia acreditar que já quisera estar perto dele.

A carruagem rolou por muito tempo. Eventualmente, ela viu o palácio ao longe. Ela o vira centenas de vezes, mas agora ele parecia completamente estranho para ela. Não era mais um lugar bonito sem seus jardins e vegetação verde. Parecia desconhecido e sombrio.

Embora ela tivesse crescido ali, não se sentia mais como seu lar. Enquanto sua prisão se aproximava, ela pensou: Vou encontrar um jeito de voltar para ele.


Haban observou Leah se afastar. Embora tivesse sido decisão dela ir embora, ela olhou para trás mais de uma vez.

Os cavaleiros de Estia correram atrás dela e do Rei Blain, e o fogo rugia, tão quente e próximo que era perigoso. As árvores de pêssego estavam caindo ao redor deles. Os Kurkans ficariam presos no fogo se não saíssem logo. – Publicado apenas no NovelUtopia

Mas eles não se moveram. Estavam esperando a ordem de seu Rei.

Ishakan ainda estava olhando na direção em que Leah havia desaparecido e nem sequer se mexeu quando Haban se aproximou dele.

“Você sabia?” A pergunta escapou em vez do aviso de que eles tinham que ir embora. O olhar de Ishakan se voltou lentamente para Haban, e embora tudo mais estivesse brilhando no fogo, seus olhos estavam escuros, como se não pudessem refletir a luz.

“Você sabia que Leah iria embora?” Haban repetiu a pergunta apesar do medo. Os lábios de Ishakan se moveram lentamente.

“…Por que você pensaria isso?”

“É a única razão para manter aquelas pessoas vivas.”

O Rei não respondeu. Ele apenas sorriu amargamente. Os Kurkans tinham ido com Ishakan para o palácio na noite anterior. Eles tinham ajudado a matar a Lady Mirael e seus cavaleiros e deixaram as cabeças decapitadas no quarto de Blain. Eles tinham matado indiscriminadamente todos os Tomari que cruzaram seu caminho. Mas eles não haviam machucado Cerdina ou Blain, que mereciam a morte mais do que ninguém.

Ishakan os havia mantido vivos, caso Leah quisesse recuperar suas memórias.

Claro, ele queria levá-la para o deserto. Ele não se importava com o que acontecia com Estia ou com as pessoas de lá. Ele queria levar sua esposa para o lugar mais seguro possível. Sua única preocupação era o bem-estar dela. Ele se preocuparia com o resto depois que Leah tivesse dado à luz com segurança e ficado forte novamente.

Então ele voltaria e conquistaria Estia.

Mas Leah não iria fugir. Por vontade própria, ela havia retornado ao palácio para tentar recuperar suas memórias perdidas. Ela escolheu enfrentar o perigo de frente.

E ela havia ido embora com seu bebê em seu ventre.

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