Casamento Predatório

Capítulo 236

Casamento Predatório

Ishakan respeitava Leah tanto quanto a amava. Sempre a apoiaria e tentaria ajudá-la a conseguir o que desejasse. Mas, embora pudesse ver a fria racionalidade por trás da decisão dela, suas emoções estavam tão em tumulto que mal conseguia controlá-las.

O que ele deveria fazer? Ishakan tampou o rosto com as mãos e respirou fundo. Estava tão furioso. Ele havia se convencido de que, mesmo que Leah dissesse em voz alta que amava Blain, isso não o atingiria em cheio. Mas ele estava tão errado. Vê-la ir embora com outro homem fora uma tortura.

Cada vez que ela olhava para trás, pensamentos obscuros o atormentavam. Com certeza, ele não poderia cair mais baixo do que isso.

Leah estava certa. Ishakan não suportava a ideia de que ela pudesse ter outra pessoa em seu coração.

Tudo o que ele queria era fazê-la feliz. Ele esperava que ela se divertisse, que risse mais e que pudesse libertá-la para seguir a voz em seu coração. Mas agora ela havia perdido tudo isso. Como ele fora arrogante. Ele havia prometido protegê-la, e então ela fora roubada dele diante de seus próprios olhos.

Talvez isso fosse um castigo. Talvez ele estivesse pagando o preço por não tê-la procurado antes, deixando-a ser maltratada no palácio por tanto tempo. Se apenas eles tivessem se encontrado antes, ou se ele tivesse compreendido seus sentimentos por ela desde o momento em que se conheceram… mas ele não podia voltar no tempo. Não adiantava olhar para trás.

Por enquanto, eles precisavam deixar aquele lugar.

Ishakan voltou-se para os Kurkans, esperando silenciosamente por sua decisão.

“Vamos voltar para a capital”, disse ele baixinho.

“Sim”, disse Genin rapidamente. “O que faremos agora?”

“O que pudermos.”

Eles haviam dado uma lição a Cerdina e Blain. Com certeza isso os intimidaria, pelo menos por um tempo. Cerdina, em particular, estava presa pelo medo de que Ishakan colocasse as mãos em seu filho.

Eles esperariam o casamento, como planejado. Ele faria o melhor para ajudar Leah a recuperar suas memórias. Ishakan olhou para o pomar em chamas.

“Eu a deixei ir… mas isso não significa que a abandonei.”


Descalça, Cerdina caminhava cambaleante pelo palácio.

Suja, com o cabelo despenteado e vestindo apenas um fino camisolão, era difícil acreditar que ela era a Rainha Mãe. Suas bochechas estavam tão tensas e inchadas de hematomas que ela nem conseguia mover a boca para falar sem sentir dor.

O caminho de volta ao Palácio da Rainha a levou por corredores que cheiravam a sangue. Cada passo soava pegajoso, o chão grudento de sangue a cada vez que ela levantava os pés.

Enquanto caminhava pelos corpos de seus irmãos de sangue, uma gargalhada irrompeu dela, seguida por um soluço, seus ombros tremendo. Rindo e soluçando, os ruídos ecoavam pelo corredor, os sons de uma louca.

Seus irmãos de sangue compartilhavam seu sonho de conquistar o mundo, e todos haviam sido mortos por bestas. Cerdina não entendia por que suas magias não funcionavam contra o rei bárbaro.

Ela era uma feiticeira que havia herdado o primeiro poder, o poder possuído pela feiticeira que criou os Kurkans. Essa força era poderosamente significativa para os Tomaris. Seu fracasso era o fracasso deles.

Todas as suas magias tinham sido inúteis. Cerdina parou de rir ao pensar nisso.

“…Ele é um mutante”, sussurrou ela no silêncio fantasmagórico. Deve ser. O aparecimento de tal mutação foi o que causou a queda dos Toma. Não havia magia que ela pudesse usar contra tal criatura.

Ela havia se achado uma deusa. Mas estava enganada.

Cerdina gritou, os dedos puxando seus cabelos, respirando fundo para tentar controlar sua fúria. Ela precisava de mais poder. Poder suficiente para destruir até mesmo a besta mutante, o rei.

Cerdina se abaixou ao lado do cadáver mais próximo e levantou sua adaga, o rosto inexpressivo. Uma fumaça negra envolveu a lâmina e ela a cravou no peito do cadáver.

Com destreza, ela cortou a carne para extrair o coração e o comeu, segurando a adaga ensanguentada na outra mão. Assim que engoliu tudo, passou para o próximo corpo. O som de carne crua e úmida sendo rasgada e mastigada ecoou pelos corredores.

Uma fumaça negra subiu ao redor de seus pés, mais espessa do que nunca, contorcendo-se como se estivesse viva.

“Eu vou matá-lo”, murmurou ela repetidamente enquanto devorava os corações de seus irmãos de sangue. “Eu vou matá-lo… eu vou matá-lo… eu vou matá-lo…”

E ela sorriu um sorriso sangrento.

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