
Capítulo 234
Casamento Predatório
“Ahhh…!” O Conde Valtein desabou no chão, o sangue espalhando-se vermelho pela grama. Leah prendeu a respiração enquanto observava.
“Um de cada vez, Leah. Primeiro Valtein, depois Laurent, então os cavaleiros…” O sorriso de Blain era cruel. “Depois, eu me matarei por último.”
Ele não estava são. Leah o encarou, ficando pálida enquanto ele brandía a espada ensanguentada na mão e, de repente, gritou freneticamente.
“Eu vou me matar, Leah! O homem que você ama vai morrer!”
Um estrondo ecoou em seus ouvidos, um barulho de correntes seguido de uma dor de cabeça tão forte que ela tampou os ouvidos com as mãos, a cabeça tremendo de um lado para o outro. E de repente, sentiu alguém a segurando.
Lentamente, abriu os olhos, lágrimas escorrendo pela dor insuportável. Ao olhar para os olhos dourados, as lágrimas deslizaram por suas bochechas.
“Ishakan…” Ela precisava fazer a pergunta. “Se eu deixar Estia, não vou recuperar minhas memórias, certo?”
“……”
Ishakan nada disse, mas seus olhos dourados escureceram. Ela sentiu o coração se apertar.
Seus olhos foram para as chamas que brilhavam atrás dos ombros dele: Blain com sua espada ensanguentada, e os aterrorizados Valtein e Laurent. Ela não queria ir até eles. Só de pensar no palácio cheio daquelas pessoas imóveis como bonecas, ela se sentia sufocada. Queria esquecer tudo e fugir para o deserto com Ishakan.
Mas se ela fugisse, todo o seu povo viveria assim pelo resto de suas vidas. Ela não conseguia viver se perguntando e se preocupando com as pessoas que havia deixado para trás.
E ela pensou na porta trancada.
Ela ainda não havia encontrado a chave. Se fugisse, nunca conseguiria abri-la. Tudo seria como agora, e ela nunca saberia o que havia atrás dela. O lobo filhote que ela vira em seus sonhos arriscara a vida, lutando contra as correntes que a prendiam. Seria covardia da parte dela fugir. – Publicado apenas em NovelUtopia
E ela se lembrou do que a voz que ouvira além da porta dissera.
Eu consigo… não, eu tenho que.
Leah se recompôs e olhou para Ishakan. Seu maxilar já estava cerrado enquanto ele rangia os dentes. Ele sabia o que ela ia dizer.
“…Leah.”
Ela disse as palavras que ele não queria ouvir.
“Eu não posso ir sozinha.”
Sua voz estava estrangulada quando ele falou.
“Não, Leah…”
Leah levara uma vida tranquila. Ela crescera sem problemas, encontrara o amor da sua vida, e eles estavam prestes a se casar. E então, no meio dessa vida sem grandes acontecimentos, este homem aparecera como uma pedra naquele caminho tranquilo.
Se ela nunca tivesse conhecido Ishakan, não teria tido uma vida ruim. Ela teria reinado como Rainha de Estia, apoiando Blain. Qual era sua relação com o Rei de Kurkan? Por que ela se sentia tão atraída por ele? Por ele, ela estava disposta a abrir mão de seu título, de seu primeiro amor, e de tudo mais que possuía.
“Eu esqueci você.” Ela olhou diretamente nos olhos de Ishakan. Assim que recuperasse suas memórias perdidas, ela descobriria por que sua mente confundia tanto Blain e Ishakan. Ela encontraria a resposta. “Eu voltarei para você. Então, agora…”
Ela o olhou e implorou suavemente.
“Deixe-me ir.”
Ishakan ficou em silêncio por um longo tempo.
“…Você sempre testa minha paciência,” ele disse finalmente. Sua voz estava tão calma, desconectada do fogo, da fileira de cavaleiros com suas espadas em punho, e do cheiro de sangue. Gentilmente, ele acariciou seu rosto, limpando suas lágrimas.
“Eu nunca fui derrotado,” ele disse amargamente. “Mas eu nunca consigo resistir a você.”
Era estranho ouvir este homem dizer essa palavra. Provavelmente era a primeira vez que ele admitia a derrota em sua vida. Seus olhos dourados encontraram os dela friamente.
“Você não terá muito tempo. No dia do casamento, eu irei buscá-la. Desta vez não será um sequestro de noiva. Eu vou levar minha esposa de volta.” Sua mão grande agarrou seu queixo enquanto seus olhos se arregalavam. Mas ele não havia terminado. “Eu não vou deixar você recusar. Mesmo que você chore e implore, Leah, eu nunca vou deixá-la ir.”