Casamento Predatório

Capítulo 215

Casamento Predatório

Cerdina observou a mulher loira aos prantos com olhos frios. Já fazia algum tempo que a mulher molhava o lenço e repetia as mesmas palavras, sem parar.

“Sua Majestade… Como Sua Majestade pôde fazer isso comigo… como isso pôde acontecer…”

Enquanto Lady Mirael chorava inconsolavelmente, Cerdina franziu a testa, irritada. Ela havia permitido que aquela mulher se aproximasse de Blain porque era bonita e ingênua, mas às vezes suas ações eram simplesmente incompreensíveis.

Nada disso transpareceu na expressão de Cerdina quando Lady Mirael finalmente ergueu o olhar, enxugando as lágrimas. O rosto da Rainha-Mãe estava gentil e sorridente.

“A senhora pode me ajudar…?” Lady Mirael perguntou. Seus olhos estavam vermelhos.

“Claro.” Cerdina acariciou o rosto dela como se fosse um animalzinho adorável. “Vou falar com Blain.”

Lady Mirael soltou um grito de alegria, e Cerdina sorriu levemente. Ela não odiava pessoas honestas em seus desejos. Na verdade, gostava delas. A vida era tão curta, e a vontade de dar tudo por glória e riqueza era como uma chama, bonita, magnífica, mesmo que fugaz.

“Espero que continue a me servir diligentemente”, disse ela a Lady Mirael.

“Sim! Sim…!”

A loira irradiava satisfação e partiu, prometendo que se esforçaria mais para cuidar de Sua Majestade e manter a cama dele aquecida. Assistindo a carruagem desaparecer no horizonte, Cerdina caiu na gargalhada.

Ela havia ficado indescritivelmente satisfeita ao saber o que Blain havia feito. Lady Mirael vinha recebendo seus favores por muito tempo, mas mesmo assim ele a havia agarrado pelos cabelos e a jogado no chão. Era assim que Cerdina queria que Blain tratasse as mulheres. Descartáveis. Objetos.

Tantos monarcas na história haviam caído por causa de uma mulher. Ela não queria que seu filho fosse pego de surpresa pelo amor.

Mas, infelizmente, Blain ainda era gentil com Leah e não a tratava como as outras mulheres. No outro dia, ele havia ignorado a mãe e esperado na chuva pela volta de Leah. Fora muito doloroso. Cerdina mal conseguira reprimir o desejo de matá-la.

Desde o início, Cerdina planejara entregar Leah a Byun Gyeongbaek por uma série de razões, mas a obsessão de Blain havia arruinado tudo.

Pela janela da sua sala, ela olhava para os jardins murchos, onde algumas folhas secas ainda pendiam das árvores. Elas estavam caindo agora.

No início, ela pensou que, se transformasse todos os nobres em marionetes, teria que lidar sozinha com todos os assuntos de estado. Mas ela poderia fazer Leah fazer todo aquele trabalho, e ela era útil de muitas outras maneiras. Blain concordara. Ele também não gostava de trabalhar.

Cerdina riu maliciosamente, apoiando a mão no peitoril da janela.

“…Tão convencida.”

Desde o primeiro feitiço que lançara, ela soubera que Leah tinha uma vontade forte. Não seria fácil quebrá-la e destruí-la. Então, Cerdina havia infundido um poderoso feitiço na poção do amor que Leah havia consumido, feita com fios de cabelo de Leah e Blain. Mas mesmo assim, só tivera metade da eficácia que esperava. Mesmo sem suas memórias, Leah não dera todo o seu coração a Blain.

Incrivelmente, Cerdina teve que considerar a possibilidade de Leah estar grávida.

O sangue dos bárbaros era bastante resistente à sua magia. Se Leah de alguma forma tivesse engravidado, seu bebê poderia tê-la protegido da poção.

Mas isso era impossível. Leah deveria ter ficado infértil depois de todos os feitiços que Cerdina havia lançado sobre ela ao longo dos anos. Mas apenas para eliminar a possibilidade, Cerdina havia instruído as damas de companhia de Leah a dar a ela um chá que a fizesse abortar.

Também incluía um supressor de apetite, já que Cerdina não conseguia controlar a dieta da princesa com Blain observando tão de perto. Se Leah fosse ficar ao lado de Blain, ela tinha que estar impecável.

“……”

Atrasadamente, Cerdina sentiu o gosto de sangue e percebeu que havia estado mordendo o lábio inferior. Seu dedo batia ansiosamente no peitoril da janela.

Ela teria que lançar um novo feitiço para subjugar completamente Leah. Havia uma magia que os bárbaros usavam para unir suas almas durante a cerimônia de casamento. Cerdina não tinha intenção de ligar a alma de Leah à de Blain, mas poderia usar o casamento deles para lançar um feitiço mais poderoso sobre ela.

—Por favor, cumpra sua promessa, mãe.—Publicado apenas no Novel Utopia.

A voz de Blain ecoou em sua mão. Cerdina apertou as mãos trêmulas.

“Eu sou uma deusa”, disse ela em voz alta, nervosa. “Deusa…”

Então não havia nada que ela não pudesse fazer.

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