
Capítulo 214
Casamento Predatório
Olhando para Leah inconsciente, Ishakan suspirou. Sabia que ela estava em péssimas condições físicas, mas ainda assim se comportara ferozmente. Sacudindo seu membro enrijecido algumas vezes, ele esvaziou as últimas gotas de seu sêmen.
“Ahh…”
Só de olhar para o corpo branco e nu diante dele, o calor voltou com força. Com certeza, se ela o visse, ficaria apavorada. Franziu a testa, Ishakan tentou se acalmar enquanto se limpava e depois limpava Leah, cobrindo-a cuidadosamente com um cobertor contra o frio.
Levando-se para abrir as janelas, ele se recostou na cabeceira e apoiou a cabeça dela em sua coxa, levando um charuto à boca. Seus olhos semicerraram assim que ele deu a primeira tragada, e a fumaça subiu no ar enquanto ele exalou lentamente.
Ele tinha estado fumando muito mais ultimamente. E ele sabia porquê. Fitando a fumaça com olhar perdido, ele olhou para a mulher em seu colo. Os cabelos prateados de Leah estavam espalhados e desarrumados, dormindo tão profundamente que ninguém ousaria acordá-la.
Delicadamente, ele acariciou seu pescoço fino com as pontas dos dedos morenos. Seu corpo era tão frágil que parecia que o menor aperto o quebraria. Comparada à força de um Kurkan, ela era frágil como um gatinho recém-nascido.
Mas essa mulher frágil conseguia fazer Ishakan fazer o que ela quisesse.
O centro de seu mundo, a esposa que guardava parte de sua alma.
Inclinando-se, ele a beijou na cabeça. Ishakan não era uma pessoa muito emotiva, então raramente sentira emoções tão intensas. Exceto raiva. Ele sentira raiva quando era um escravo criança.
Mas desde sua cerimônia de maioridade, ninguém ousara ser imprudente com Ishakan, então não havia razão para ficar com raiva. Isso só mudou quando ele encontrou Leah novamente, e no último semestre, ele experimentara muitas emoções com uma intensidade que não sentia há anos.
“……”
Em silêncio, ele riu baixinho. Honestamente, ele não conseguia se lembrar da maior parte daquele dia. Só fragmentos restavam. Mas o momento em que sua noiva fora pega na fumaça negra ainda era horrivelmente vívido. Aquilo o despedaçara.
Ele não tinha certeza se se lembrava corretamente. Ele mal conseguia manter a sanidade quando ordenou que todos fossem imediatamente para Estia. Haban e Genin soluçaram enquanto tentavam pará-lo, implorando para que ele não fosse. Eles estavam cobertos de seu sangue.
Tardiamente, ele percebera que todos os Kurkans que haviam comparecido ao casamento estavam fazendo o mesmo, jogando-se sobre ele e agarrando-se ao seu corpo para contê-lo.
A partir daquele momento, ele teve apenas um propósito.
Ele não a recuperaria a menos que fizesse isso com cuidado, então Ishakan tentou ao máximo manter a compostura, mas estava unido por um fio. Com o passar dos dias, a linha entre sua razão e sua natureza se confundiu. Sua paciência estava se esgotando.
Ver Leah se esforçando para agradar Blain o fazia ferver de raiva. Ishakan olhou para a mão esquerda dela e para a marca vermelha em seu dedo anelar, pesada pelo anel. Gentilmente, ele a tocou com a ponta do dedo, mas a marca não desapareceu.
Lentamente, ele entrelaçou os dedos deles, agarrando os dela como se nunca mais a soltaria, não importa o que acontecesse.
No sono, Leah franziu a testa. Talvez ele a tivesse segurado com mais força do que pretendia. Mas ele não soltou a mão dela. Ele não podia.
Mesmo que ela não recuperasse a memória antes do casamento, ele a levaria para o deserto.
Ela certamente o odiaria. Ela o repreenderia por seu comportamento bárbaro, presa por seu amor por Blain. E assim como ela estivera quando ele a sequestrara pela primeira vez no campo de eulálias, ela ficaria assustada.
Seria estranho representar esse papel novamente, mas ele o faria se não houvesse outra maneira. Seus olhos dourados brilharam, e as veias no dorso de suas mãos incharam sob a pele.
Ele estava sendo paciente. Ele estava sendo o mais paciente que podia. Mas ele não a veria se tornar esposa de outro homem. Ele não suportava isso.
Ele já havia arruinado a vida dela uma vez. Ele a arruinaria novamente, tantas vezes quanto fosse necessário.
Era por isso que Leah precisava lembrar o passado. Antes que ele destruísse tudo.