Casamento Predatório

Capítulo 216

Casamento Predatório

Leah teve um sonho.

Alguém a estava perseguindo. Ela correu o mais rápido que pôde, mas chegou a uma enorme porta de ferro, envolta em correntes e trancada com um cadeado sem chave.

Desesperadamente, ela bateu na porta. Tentou abri-la, mas o ferro sólido não se moveu. Suas mãos estavam vermelhas e inchadas enquanto ela puxava freneticamente a corrente. Então, do outro lado da porta, ela ouviu uma voz.

—Você não tem a chave.

Leah ofegou. Aquela voz parecia a dela própria.

—Você tem que encontrar a chave, Leah.

A outra Leah ordenou. Ela congelou por um momento.

“Onde ela está?” Leah perguntou, chocada.

—Depressa! Não há tempo. Depressa, antes que a Cerdina descubra!

“O que você quer dizer? O que é que ela não pode descobrir?”

Mas não houve resposta. Não importava quantas vezes ela perguntasse, a outra Leah continuou,

—Se ela descobrir…

A voz proferiu um aviso ominoso.

—Ela vai matá-lo.

Com um grito, Leah abriu os olhos.

“…Ah!”

Ela acordou do pesadelo, mas não foi um alívio. Sua barriga doía, e ela a apertava com as mãos.

“Ahh, ah…”

Encolhendo-se em posição fetal, respirou fundo, expirando lentamente. Quando a dor lancinante finalmente diminuiu, todo o seu corpo estava encharcado de suor frio.

Olhando ao redor tontamente, percebeu que estava em um lugar familiar. Seu quarto no palácio, com a luz fraca da manhã filtrando pelas janelas. Deitada na cama, tremeu por um momento e, em seguida, colocou as mãos resolutamente em sua barriga novamente. Seu rosto estava rígido.

“……”

Dentro dela, algo se moveu. Era um movimento fraco, mas real. Então desapareceu como se nunca tivesse acontecido.

O que foi aquilo?

Um arrepio a percorreu. Por um tempo, ela ficou paralisada, mas recompôs-se e levantou-se da cama. Muita coisa estava acontecendo muito rápido.

A princípio, ela pensou em chamar um médico, mas algo em sua mente imediatamente protestou. Ela não deveria fazer isso. E ela não conseguia deixar de pensar em outro homem, o primeiro homem que lhe veio à mente quando se perguntou com quem poderia conversar sobre o que estava acontecendo com seu corpo.

Os acontecimentos da noite anterior rodopiavam em sua mente. A Baronesa Cinael. Aquela nota promissória de uma pequena fazenda. Muitos momentos que não tinham sido nada desagradáveis. Os lugares onde aquele homem tinha mordido e sugado ainda estavam quentes, formigando com sensações que ela não conseguia apagar. Tudo isso a lembrava da noite anterior.

Ela levantou as mãos para as bochechas. Ela tinha feito algo inimaginável, mas, estranhamente, não sentia culpa ou arrependimento. Olhando para sua mão esquerda, viu que a aliança de noivado estava de volta em seu dedo, e fechou os olhos com a vontade de arrancá-la e jogá-la fora.

Ela deveria estar pensando em seu casamento. Mas não conseguia controlar seu coração palpitante.

O que havia nele? Por que ela sentia uma atração tão forte por ele? Isso a preocupava, mas lembrar o quão doce tinha sido dormir em seus braços a fez cambalear. Apoiando-se em uma mesa, serviu-se um copo d'água e tomou um gole, tentando desvendar os conflitos em sua mente um de cada vez.

Primeiro, ela tinha que descobrir o que estava acontecendo com seu corpo. Seria melhor encontrar Ishakan primeiro e pedir que ele chamasse um médico em quem pudessem confiar. Ela também tinha perguntas sobre algumas das coisas que tinham acontecido no outro dia.

Ela tinha certeza de que algo estava terrivelmente errado, mas não tinha informações suficientes para chegar a qualquer conclusão.

Leah mordeu o lábio. Ela estava tentando acalmar o caos em sua mente, mas de repente o quarto ficou abafado. Ela não aguentava mais, queria correr, tanto que agarrou a maçaneta da porta para sair correndo para o jardim.

“……!”

Não abriu.

Desesperadamente, ela puxou a porta, entrando em pânico.

“Princesa!”

A voz da Condessa Melissa veio do outro lado da porta, e Leah nunca tinha ficado tão feliz em ouvi-la.

“Condessa! Por favor, abra a porta!”

Mas a resposta foi perturbadora.

“Sinto muito. Não posso.”

“…O quê?”

“Sua Majestade ordenou que você ficaria trancada em seu quarto, a partir de hoje”, disse a Condessa seriamente. “Você não terá permissão para sair.”


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