Casamento Predatório

Capítulo 128

Casamento Predatório

Uma força repentina puxou seu ombro, e seu corpo girou. Leah prendeu a respiração, erguendo o olhar para aqueles olhos dourados deslumbrantes. O rosto de Ishakan estava impassível, mas seus olhos ferozes eram penetrantes. A belíssima cor, que ela nunca mais contemplaria, estava gravada em sua memória.

Quando finalmente voltou a si e desviou o olhar, a mão grande dele agarrou seu queixo, forçando-a a fazer contato visual. Ishakan abriu a boca para falar.

“Ouça-me atentamente, Princesa.” Sua voz grave e envolvente a deixou um pouco nervosa. “A vida nobre que você tem como princesa... vou pisotear e destruir.”

Seus dedos tocaram levemente sua bochecha enquanto ele sussurrava, suas palavras se cravando fundo em seu coração.

“Vou fazer você parar de falar como a Princesa de Estia…”

Foi como se uma luz dourada brilhasse em seu peito.

“Não há para onde fugir.”

E com isso, Ishakan se foi, como se ela tivesse piscado e ele tivesse se desvanecido na escuridão. Leah, sozinha, olhando para o vazio, sorriu amargamente.

Ela não precisava correr. Se ele a procurasse, tudo o que encontraria seria seu cadáver. Seus olhos foram para os tuberosas espalhados no chão à sua frente. No meio da pilha, havia um intacto, mas ela não conseguia vê-lo agora. Olhando para a terra vazia e fértil, Leah voltou lentamente para seu quarto.

Agora ela estava completamente sozinha.


Na noite anterior à partida do palácio, os Kurkans estavam agitados, arrumando malas e completando as tarefas ordenadas pelo Rei. Em frente ao palácio dos hóspedes, uma fila de carruagens e carroças estava alinhada. De repente, todos os Kurkans pararam ao mesmo tempo, olhando na mesma direção. Um homem caminhava silenciosamente em direção a eles.

“Ishakan!”

Haban, que estava supervisionando o carregamento, correu para cumprimentá-lo, e Genin colocou no chão a caixa pesada que carregava. Todos os Kurkans se aproximaram rapidamente com expressões nervosas nos rostos, e Morga trocou olhares com Genin e Haban.

“A Princesa…” Genin começou cautelosamente.

“Ela disse não. Ela me dispensou com todas as letras.”

Embora falasse com despreocupação, Ishakan não conseguia esconder seus sentimentos. Ele cobriu os olhos com as mãos e um grito de dor escapou.

“…Ah.” Ele retirou as mãos depois de um momento para perguntar: “Ela parecia muito abalada, vocês têm certeza de que ela está bem?”

O Rei parecia estranhamente vulnerável. Morga piscou surpreso com a pergunta, boquiaberto, até que Genin o cutucou levemente no lado.

“Não há nada a ser feito por enquanto”, disse ele tardiamente. “Seria melhor levar a princesa para Kurkan o mais rápido possível.”

Ishakan suspirou, tocando o queixo.

“Genin.”

Genin se tensionou assim que seu nome foi chamado e respondeu: “Todos os preparativos estão prontos. Eu e Haban lideraremos as duas alas.”

“Morga.”

“Não podemos remover o feitiço de rastreamento, mas ele pode ser obstruído. Posso cuidar disso assim que tiver a Princesa.”

“Haban.”

“Temos o equipamento pronto. Quanto à localização, será nas planícies.”

Ele estava se referindo às planícies nos arredores da capital, onde cresciam as eulálias. Ishakan examinou a carga que os Kurkans haviam diligentemente embalado até agora. Quando ele removeu o pano que cobria a carroça, apareceu uma corda com um gancho de ferro. Um gancho resistente, forte o suficiente para cargas pesadas.

“Pensamos em usá-los para virar a carruagem.”

“Boa ideia.”

Com Haban ao seu lado, Ishakan levantou o gancho de ferro e puxou a corda para garantir que estivesse segura.

“Ela não precisa assumir nenhuma responsabilidade”, murmurou. Na verdade, não. Ele não se importava se o chamassem de homem mau. Ele colocou o gancho de volta na carroça e se virou para encarar os Kurkans, sorrindo friamente.

“Então…” Seus olhos dourados brilharam. “Vamos sequestrar minha noiva.”

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