Casamento Predatório

Capítulo 127

Casamento Predatório

Na mesma hora, lágrimas encheram seus olhos e Leah mordeu o lábio com força. Queria abraçá-lo e soluçar descontroladamente. Mas era só um impulso. Na verdade, ela nem deveria encostar a cabeça no peito dele.

Mas… pareceu tudo bem se aconchegar naquele calor por um instante. Uma sensação de contentamento a preencheu. Emoções que ela havia enterrado ressurgiram. Naquele momento, ela estava no lugar mais seguro do mundo. Ninguém poderia intimidá-la ali. Ela podia desfrutar de uma paz total.

Ishakan a abraçou em silêncio, segurando seu corpo gelado em seus braços até que ele derreteu em seu calor.

“Você emagreceu muito desde a última vez que te vi.”

Ele cobriu a bochecha dela com a mão, mas ela virou a cabeça, pois uma brisa fria soprou contra seu corpo aquecido. O ar frio a fez recuperar a compostura, e ela lentamente abriu os lábios.

“Volte.”

Ela ainda não o olhava nos olhos. Não conseguia olhar para ele. Tinha certeza de que, se o fizesse, não conseguiria esconder seus sentimentos. Mas Ishakan não deu atenção a isso.

“Não quero”, disse ele, sorrindo. Passou a mão pelos cabelos dela e murmurou: “Você está escolhendo Byun Gyeongbaek?”

Ela sentiu um formigamento na boca. A palavra “não” estava na ponta da língua. Inclinando a cabeça para o lado, Ishakan a sacudiu levemente.

“Vou embora amanhã, você não tem nada a dizer sobre isso?”

“…Desde o começo…” Leah levantou a cabeça. “Nunca houve nada entre nós.”

“……”

Os olhos dele se estreitaram. Leah olhou para aqueles olhos, a cor mais linda que ela já vira em sua vida. Ela imaginou a areia dourada do deserto enquanto falava.

“Basta que tenhamos desfrutado da companhia um do outro até agora.” Seu comentário foi tão doloroso quanto uma facada. “Ou você quer que eu te pague pelo sexo? Os Kurkans não pareciam tão pobres.”

A boca de Ishakan se contraiu.

“Se é para irritar as pessoas, acho que você conseguiu até certo ponto.”

Leah viu seu reflexo nos olhos dele e foi horrível. Ela não gostou da maneira como estava pisando no coração dele, mesmo dizendo que o pagaria pelo sexo que tiveram, depois de ter recebido tanto amor e ajuda dele.

Ela esperava que ele a odiasse também.

“Leah.”

Me salva, Ishakan.

Ela engoliu as palavras que queriam escapar. O que exatamente ela esperava dele? Ishakan era um Rei. Pedir que ele tomasse uma princesa fantoche como sua noiva seria audacioso. Retendo o apelo que subira em sua garganta, ela endureceu sua expressão.

“O que Estia significa para você?”

As coisas não estavam saindo como ela havia imaginado. As emoções que ela silenciara por dias fervilhavam como se estivessem esperando por esse momento. Leah tentou esconder sua respiração irregular.

“É tudo o que eu tenho. É o país que amo e o país que devo proteger.” Embora sua voz estivesse fria, suas palavras vacilaram um pouco. “Nasci princesa, então morrerei princesa.”

Era difícil suportar as emoções crescendo loucamente dentro dela. Reprimindo-as mais profundamente, Leah terminou o que tinha a dizer.

“Não se meta mais na minha vida. Estou farta disso.”

Mordendo o lábio inferior, ela se afastou de Ishakan como se estivesse fugindo. Seu coração doía. Era tão difícil não dizer o que ela realmente estava pensando. Mesmo tendo conseguido esconder seus verdadeiros sentimentos, Leah se sentiu como uma criança que acabara de mentir pela primeira vez na vida. Ela podia sentir o olhar dele em suas costas.

“Vou voltar primeiro. Espero que o Rei aproveite seu passeio noturno com moderação, pois ele em breve terá uma longa jornada a fazer.”

Ao dar o primeiro passo, ele ouviu um murmúrio baixo.

“Vida…” Sua voz estava cheia de aborrecimento, e Leah estremeceu. “Sim, essa é a sua vida.”

Ela sentiu um impulso tão forte como se estivesse possuída para se virar, mas ela apertou as mãos e se conteve, suas unhas cravando-se profundamente em suas palmas. A dor e a pressão permitiram que ela impedisse seu corpo de voltar para ele. Era difícil mover as pernas. Elas estavam rígidas. Ela conseguiu dar um passo, e depois outro.

“……!”


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