
Capítulo 129
Casamento Predatório
Nas profundezas do Palácio Real, existia um lugar desconhecido por todos. Construído a partir da modificação de uma passagem secreta conhecida apenas pela família real, Cerdina havia eliminado os oficiais e trabalhadores responsáveis pela obra, garantindo que somente ela soubesse de sua existência.
O local era repleto de ervas medicinais variadas, animais mortos e outros objetos suspeitos. Retirando pó de lagartixa e olhos de um sapo que havia morrido sob a lua cheia, Cerdina pesou os materiais numa balança. Após a medição precisa, despejou-os cuidadosamente numa panela fervente. À medida que o líquido mudava de cor, ela pegou o ingrediente final: um fio de cabelo de Leah, que brilhava como uma linha prateada.
A prata era tão deslumbrante que parecia ter sido extraída da lua. Ao entrar na panela, o líquido tornou-se prateado e brilhante. Ela mexeu com uma concha até que finalmente ficou preto.
Cerdina esperou pensativamente que o vapor se dissipasesse. Embora desta vez tivesse usado o cabelo de Leah diretamente, antes ela havia controlado a Condessa Melissa para obtê-lo. Leah confiava na Condessa, que regularmente penteava seus cabelos. Cerdina conseguira facilmente prosseguir com seu feitiço.
Hoje, ela preparou a poção e guardou alguns fios de cabelo de Leah em um pequeno frasco de vidro, por precaução. Mas ela não previa que precisaria usá-los. O feitiço estava quase completo. O cabelo do Rei bastaria para o restante. Cerdina mergulhou em uma euforia indescritível ao imaginar a conclusão do feitiço.
Aquele era o dia em que Blain ascenderia ao trono. O sangue mais humilde se tornaria o mais poderoso, e os arrogantes nobres de sangue azul seriam subjugados. Era uma façanha grandiosa que nenhum de seus ancestrais jamais havia alcançado.
O poder de Cerdina seria maior do que nunca. Sua sede de poder e sua ambição eram insaciáveis. Não havia fim para elas. Ela criaria a cerimônia de coroação perfeita.
A murmurando uma canção, ela despejou o líquido negro em uma taça de vinho, colocou-a em uma bandeja e saiu do cômodo. Mas ao entrar no quarto de Blain, parou.
O quarto era uma zona de guerra. Blain estava no meio do caos, cercado por objetos quebrados e estilhaçados. Seus ferimentos graves ainda não haviam cicatrizado completamente. O pulso quebrado não estava enfaixado. Virando-se para Cerdina, ele arremessou sua garrafa de vinho nela. A garrafa atingiu o chão a seus pés e se espatifou, o vinho tinto espirrando em seus pés.
“É necessário entregar a Princesa para Byun Gyeongbaek?”
Cerdina sorriu para o comportamento implacável do filho.
“Porque você ainda não é Rei.”
“……”
O olhar de Blain se tornou gélido, e o rosto de Cerdina endureceu ao ver o sofrimento dele.
Isso a fez lembrar da Rainha morta. Leah havia herdado suas belas feições. Cada vez que Cerdina a via, lembrava-se da Rainha morta e ficava irritada.
Cerdina apenas havia usado Leah como ferramenta para incitar os desejos de Blain, para fazê-lo querer o poder e compartilhar as ambições da mãe. Mas mesmo que Cerdina tivesse astutamente tapado seus olhos e ouvidos até agora, Blain agora entendia suas emoções. Blain alcançaria grandes feitos no futuro. Uma simples princesa não deveria representar o fim do caminho.
“Pense melhor, Blain.”
Cerdina esperava que ele não se deixasse levar por uma mulher. Ela queria dar ao filho uma esposa adequada, moderadamente burra, que pudesse gerar bons descendentes. Alguém tão inteligente quanto Leah era difícil de lidar, e depois que Cerdina a havia prejudicado tanto com seus feitiços, ela tinha muitas falhas para permitir que se aproximasse de Blain.
Aproximando-se lentamente, Cerdina ofereceu-lhe a taça de vinho.
“Como sua mãe, eu só quero te dar o melhor”, sussurrou carinhosamente.
Blain arrancou a taça da mão dela e bebeu o líquido negro até o fundo sem hesitar. Ele deixou a taça cair perto da garrafa de vinho quebrada, olhando ferozmente para Cerdina.
“Confio que você cumprirá sua promessa.”
Embora seu sorriso perfeito tenha se desvanecido um pouco, ela o recuperou como se nada tivesse acontecido.
“Claro que sim. Farei o que você quiser.”
Você será rei, Blain.
Imaginando a deslumbrante coroa que em breve seria colocada na cabeça de seu amado filho, Cerdina abriu os braços para ele.
Blain a abraçou. Seus olhos estavam cheios de profunda insatisfação.
Os Kurkans deixaram o Palácio de Estia.
Ao contrário da acolhida ostentatória que receberam ao chegar, sua partida foi sem cerimônias. De madrugada, sob o olhar atento dos cavaleiros reais, partiram silenciosamente. Não foram vistos por nenhum membro da família real ou por nenhum dos nobres de alta patente.
Leah, no Palácio da Princesa, só soube de sua partida depois que eles já haviam partido.