
Capítulo 68
Casamento Predatório
Haban apertou os punhos com força ao ouvir a dedução de Ishakan. Ishakan, sutilmente, acalmou Haban, cujo orgulho havia sido ferido.
“Não é sua culpa, Haban. É que até mesmo os Tomaris podem estar se intrometido demais.”
Era difícil, pois os ciganos também estavam atrás dos traficantes de escravos. Mesmo assim, Haban fez o seu melhor.
“Essa situação vai muito além da sua incapacidade. Na verdade, é porque alguém está agindo rápido. Eles estão se movendo rapidamente para evitar que os alcancemos.” Ishakan parecia estar pensando profundamente.
“Eu não sei que tipo de traficantes de escravos são. Que tal resolvermos esses caras primeiro?” Haban tirou um cigarro de palha e o colocou nos lábios.
Depois de dar uma tragada, ele disse: “Como vamos encontrá-los?”
“Nos movemos mais rápido.”
Os olhos de Haban se arregalaram de choque. Ele encarou Genin com uma expressão confusa e perguntou novamente, cauteloso.
“…Você está bem? Estamos fazendo o mais rápido que podemos, mantendo nossos movimentos discretos.”
“Não há escolha. Temos que estar dentro da casa de leilões e encontrá-los lá. Temos que chegar cedo, pelo menos uma hora antes deles.”
Ishakan riu. Enquanto fumava na escuridão, ele conseguia ver quanta sangue seria derramado em seu ataque, quanto sangue pintaria suas mãos. Genin, que conhecia a ferocidade de seu rei em combate, especialmente contra aqueles que escravizavam seu povo, olhou para ele com as sobrancelhas arqueadas.
Em resposta, Ishakan disse em um tom que deixou o ar ainda mais frio.
“O quê? Você sabe que sou bom em me controlar, certo?”
♔
Era a primeira reunião do Conselho de Ministros desde o Banquete de Boas-Vindas aos Kurkans. Apenas Leah estava presente em nome da família real. O rei dissera que estava cansado, e o Príncipe Herdeiro não compareceu porque estava ocupado com uma caçada. Isso era frequente, então todos estavam acostumados com sua ausência.
A atmosfera da reunião do Conselho de Ministros era tensa. Era como se uma faca tivesse cortado o ar. O Ministro das Finanças, Laurent, respirou fundo e limpou a garganta. A tensão em seu rosto era nítida.
“Devemos fazer uma reforma no sistema tributário atual.”
No momento em que ele proferiu a frase de abertura, todo o comitê explodiu em caos. Leah olhou ao redor do salão de conferências, sua expressão estoica e impassível ocultava seus pensamentos. A maioria dos membros do conselho presentes se opôs veementemente à ideia, afirmando que era um completo absurdo e que uma reforma seria inútil para a economia estiana. Eles se opuseram de forma unilateral.
“Se o projeto de lei será aprovado ou não, será decidido após o tratado de paz. Hoje, a explicação para a reforma…”
Enquanto o Ministro das Finanças continuava, o clima na conferência ficou mais pesado. Todos mergulhados em seus próprios pensamentos, quebrando a cabeça para lidar com o tratado de paz. Era uma relação delicada que poderia ser rompida de forma desfavorável a qualquer momento, em relação à Estia.
Leah riu friamente por dentro. Ela sabia que aquela reunião era um ato deliberado para dar a eles mais tempo. Até que os planos de reforma fossem aprovados, após as negociações, o partido da oposição precisava reunir forças.
Leah estava determinada – ela tinha que acabar com aquilo. Dessa forma, a paz poderia ser mantida por muito tempo, mesmo sem sua presença em Estia. Seria seu último dever para com seu país. Depois que a discussão sobre a reforma terminou, Leah abriu a boca. Sua voz soou alta e clara em meio à discussão tumultuada no salão de reuniões.
“Há algo que preciso informar a todos vocês.”
Os aristocratas pararam de falar de uma vez e se viraram para Leah.
“Vamos intensificar a vigilância dos traficantes de escravos e lançar uma grande operação de repressão. Isso também é para alcançar com sucesso um tratado de paz com os Kurkans.”
Em circunstâncias normais, os aristocratas resmungariam sobre por que deveriam se preocupar com os traficantes de escravos para os Kurkans. No entanto, naquele dia, surgiu uma atmosfera de simpatia. Alguns até sugeriram encontrar os escravos kurkans e libertá-los eles mesmos.
A realidade era que todos haviam recebido um suborno. Leah cuidadosamente identificou os aristocratas que haviam sido hostis aos Kurkans no passado, mas que haviam mudado de postura repentinamente. Parecia que ela teria que se concentrar neles.
Depois que a reunião ministerial terminou, os aristocratas se reuniram e conversaram, aprofundando a discussão que havia acontecido antes. Leah também conversou com o Ministro das Finanças, Laurent, e o Conde Valtein.
“Obrigado pelo seu trabalho árduo.”
“Tudo bem, princesa…”
Ela confortou o ministro das finanças, bastante exausto. Laurent passou a mão pelo peito enquanto dizia: “Minha missão não termina aqui. Você vai atrás dos traficantes de escravos hoje à noite?”
Leah assentiu, respondeu “sim”, mas o Conde Valtein fez uma careta enquanto sussurrava secretamente.
“Byun Gyongbaek está vindo. Ele está vindo.”
De fato, Byun Gyongbaek de Oberde estava se aproximando em muletas. Ele se aproximou diligentemente de Leah enquanto mancava. Eles estavam em um lugar onde outros aristocratas estavam reunidos, então ele provavelmente veio de propósito para mostrar aos outros que seu relacionamento com Leah estava bem.
O Ministro das Finanças e o Conde Valtein recuaram com uma expressão desgostosa, permitindo que Byun Gyongbaek de Oberde se aproximasse deles. Ele ergueu o olhar, com um sorriso malicioso no rosto, e cumprimentou os três casualmente.
“Ficou silencioso por um tempo.”
“…”
Ele era realmente um cara sem vergonha. Ela se perguntou como alguém podia ser tão descarado. Leah o olhou em silêncio. No entanto, Byun não se sentiu incomodado pela indiferença de Leah. Ele continuou sua conversa ociosa, tomando seu tempo.
“Tranque bem seu quarto esta noite e prenda a trava da janela. Seria melhor se você colocasse uma placa nela. Coloque lamparinas ao redor de sua área no Palácio Real e ordene às suas empregadas que não durmam…”
Ela estava impressionada com a forma como ele estava tagarelando. Leah não aguentou mais e o interrompeu.
“Byun Gyongbaek de Oberde. O que você quer me dizer?”
Byun ficou furioso. A implicação por trás das palavras de Leah ecoou em seus ouvidos: “Vá embora.”
“Não é culpa dos bárbaros do Palácio Real? Vocês estão todos enganados por causa de suas belas aparências!”
Então ele se virou e levantou a voz. “Os aristocratas também estão ocupados elogiando e seguindo os bárbaros?”
A declaração tinha o objetivo de chamar a atenção dos aristocratas presentes no salão de conferências.
“O tratado de paz — não prossiga tão tolamente com algo tão ridículo. Princesa, você é ingênua. Você não tem ideia de quão superficial é um tratado, apenas tinta no papel. É insignificante e não terá valor.”
Quando Leah apenas o encarou em silêncio, sem a reação que ele queria provocar, a testa de Byun Gyongbaek se franziu.
“De qualquer forma, enviarei meus cavaleiros ao Palácio Real. Ordenarei que o protejam durante a noite, então, por favor, aceite uma guarda hoje.”
Então, sem se despedir, ele se virou e saiu, deixando rudemente seu conselho para trás.