
Capítulo 69
Casamento Predatório
“O que foi aquilo…?”
O Conde Valtein, que havia se afastado para permitir que Byun Gyongbaek se juntasse a eles, aproximou-se de Leah e falou.
“Ele também bateu a cabeça quando quebrou as pernas?”, perguntou Valtein, incrédulo com o comportamento que acabara de presenciar.
“Acho que sim. Ele está até pensando em mandar seus cavaleiros para o Palácio Real! Não importa o quanto ele ignore a família real, isso é demais.”
O Conde Valtein então explicou que, para tais assuntos, havia leis e ordens universais. Todas elas recém violadas por Byun.
Ele havia metido o bedelho nos assuntos da realeza, onde não era desejado, e nem sequer necessário. Ao seu lado, o Ministro das Finanças também se enfureceu com a flagrante falta de respeito e intromissão.
No entanto, ao contrário dos dois que estavam furiosos e resmungando baixinho, Leah apenas tinha uma expressão de desaprovação, sem abordar verbalmente o assunto.
Essa não era a primeira vez, nem a segunda, que Byun Gyongbaek cometia um ato tão impertinente! O fato de ele continuar a fazê-lo a deixava enojada. Ele era completamente desprezível e arrogante, achando que sua cantada em Leah seria bem-sucedida.
Embora ainda não tivessem se casado, ele agia como se Leah fosse um troféu de sua posse. Ela suspirou em desespero. Aquele era o seu destino, e por seu país, ela teria que aguentar.
No entanto, Byun vinha tratando os Kurkan muito mal. Ele os odiava profundamente, recusando-se a chamá-los de outra coisa além de "bárbaros" e amaldiçoando sua raça até o túmulo.
Mas apesar de tudo isso, Byun Gyongbaek conhecia os Kurkan melhor do que qualquer outra pessoa. Portanto, suas palavras rudes para eles não eram sem sentido. Deve ter havido um incidente que havia deixado até mesmo o ousado e sem-vergonha Byun tão horrorizado.
No entanto, os Kurkan que haviam sido capturados como escravos nunca haviam demonstrado nenhum comportamento incomum. Talvez fosse um Kurkan que não estivesse escravizado.
Portanto, teria sido bom se Byun tivesse compartilhado com eles suas informações atuais sobre a fascinante raça, mas ele já havia deixado a sala de conferências.
“Primeiro, vamos deixar Byun Gyongbaek de Oberde fazer o que quiser.” Ordenou ela com resignação.
Como a negociação do tratado estaria quase terminando, Byun provavelmente estaria estressado agora. Portanto, era melhor deixá-lo se safar e não causar problemas adicionais. Era também uma maneira de garantir que ele ainda pudesse usar a família real como seu fantoche.
Além disso, se Byun pressionasse teimosamente, a família real não seria capaz de pará-lo. Seria ruim para eles se oporem a ele diretamente.
Mesmo quando Leah retornou a seus aposentos, as palavras de Byun Gyongbaek, que pareciam anunciar um desastre iminente, continuavam a lhe vir à cabeça. Ela não conseguia esquecê-las, e durante toda a sua programação da tarde, refletiu sobre essas palavras.
Após um jantar simples, a Condessa Melissa encontrou-se com Leah sozinha. Leah pretendia sair à noite, então precisava se preparar.
Como de costume, a Condessa Melissa penteara o cabelo de Leah naquele dia. Os fios delicados e finos de seu cabelo se cruzavam em uma trança. As tranças eram presas com grampos, e ela habilmente escondeu seus cabelos grisalhos trançados com uma peruca marrom.
Leah olhou para si mesma no espelho e, de repente, a lembrança da vez em que ela havia escapado do palácio real veio à sua mente. Naquela época, ela também usava uma peruca e discretamente deixara os muros que a aprisionavam. A partir daquele momento, sua vida foi lançada no caos. Foi a primeira vez que ela conheceu Ishakan. – Esta novel foi traduzida por NovelUtopia
“Princesa?”
Leah voltou a si quando a Condessa Melissa a chamou. Sua postura imóvel e inexpressiva preocupou a Condessa Melissa, que temia que a princesa estivesse doente.
Cada vez que Leah escapava do palácio, a Condessa Melissa ficava ansiosa. Ela não conseguia deixar de pensar que algo grave poderia acontecer à princesa fora dos muros do palácio. Ela parecia uma mãe, observando sua filha se aventurar pela primeira vez, deixando a segurança do ninho para trás.
“Você realmente precisa se envolver nisso?”, expressou a Condessa Melissa sua preocupação e cuidado por Leah.
“Como você sabe… o Conde não pode resolver isso sozinho.” Leah respondeu, balançando a cabeça levemente.
Em vez de rebater, a Condessa Melissa apenas gentilmente tirou o pó da veste que Leah estava usando. Leah sorriu suavemente ao olhar para o rosto bonitinho e aborrecido da Condessa.
“Deixo nas suas mãos, Condessa”, Leah sorriu.
“Claro. Não se preocupe, Princesa. Por favor, volte em segurança.” A Condessa Melissa assentiu com a cabeça, seus olhos dizendo a Leah que ela podia confiar nela.
Depois de se despedir da Condessa Melissa, Leah entrou em uma passagem escondida que ficava atrás do armário de seu quarto.
O vento frio a atingiu quando ela finalmente emergiu da passagem escura e secreta. A lamparina a óleo que ela carregava iluminava fracamente alguns degraus à sua frente, enquanto ela chegava à porta de saída do palácio.
Leah olhou para o céu. Ao contrário de ontem, que estava nublado, o céu de hoje à noite estava limpo. A lua, em particular, estava excepcionalmente grande hoje. A lua redonda e branca flutuava no céu, emitindo uma luz reconfortante como se fosse uma comandante, superior a todas as estrelas.
Em uma ocasião normal, ver essa vista faria Leah achar simplesmente lindo. No entanto, talvez por causa das palavras que Byun Gyongbaek havia dito na reunião do Conselho de Ministros, ela sentiu que os raios prateados do luar eram sinistros e sombrios. Então, uma névoa cobriu a lua cheia que ela estava observando.
Finalmente, ela começou a se mover. Ela não podia ficar parada naquele lugar para sempre, porque tinha uma tarefa a cumprir.
Uma carruagem preta, sem o brasão da família, a esperava perto da entrada daquela que havia aparecido. Quando ela tocou levemente a janela da carruagem, a cortina grossa dentro da janela se moveu. Depois de confirmar que realmente era Leah do lado de dentro, o Conde Valtein abriu a porta.
“Você chegou. Agora estamos partindo.”