
Volume 17 - Capítulo 1677
The Martial Unity
“Isso vai causar uma guerra civil”, Rui estreitou os olhos. “A União Marcial não vai aceitar ser destituída de seus direitos dessa maneira.”
“Não permitirei que uma guerra aconteça”, o príncipe balançou a cabeça enquanto se desvencilhava lentamente das várias crianças que dormiam. “Uma guerra civil prejudicaria o povo desta nação mais do que qualquer outra pessoa.”
“Então…”
“O caminho a seguir nesse dilema difícil é bastante simples”, ele sorriu, caminhando em direção a Rui e colocando a mão em seu ombro. “Qual é o seu nome?”
“Rui. Rui Quarrier.”
“Venha comigo, Rui Quarrier”, disse ele.
Enquanto caminhavam pela cidade, muitos moradores se alinhavam nas ruas, o saudando com amorosa adoração. Ele pacientemente sorriu e acenou para cada um individualmente.
Rui o observou com uma expressão intriga.
Diferentemente do outro príncipe, ele não tinha nenhuma pitada de postura real. O peito não estava inchado, nem o queixo erguido. Não havia traço de arrogância em sua linguagem corporal ou comportamento. Ainda assim, era difícil desviar o olhar dele. Ele possuía um brilho estranho que atraía a atenção. Ele parecia brilhar com uma luz como se sua pele fosse bioluminescente, como se os raios do sol refletissem nele com mais força do que em tudo o mais. Sua mera presença era reconfortante e calmante.
Seus olhos acolhedores e calorosos transmitiam amor a todos que estavam sob seu olhar. Um olhar que parecia aceitar e perdoar qualquer um e todos os que ele fixava. Era como se qualquer um e todos pudessem encontrar salvação em sua graça.
Rui balançou a cabeça, descartando tais pensamentos bobos. Ele estava ali para avaliar os objetivos do príncipe como imperador e se eles coincidiam com suas próprias agendas.
“Deve ser cansativo”, seu tom se tornou simpático enquanto dirigia um olhar doloroso. “Ter uma mente como a sua.”
“O quê?” Rui franziu as sobrancelhas.
“Você não consegue evitar pensar”, o príncipe observou. “Sobre tudo o que chama sua atenção. Sua mente não consegue deixar de correr em uma cadeia infinita de pensamentos. Ela não consegue deixar de queimar furiosamente energia para sustentar a força bruta do pensamento que, sem dúvida, impulsiona sua mente a cada segundo de cada dia de sua vida. Você é incapaz de parar. Você é incapaz de interromper as torrentes de pensamentos que furiosamente se agitam nas profundezas de sua consciência.”
Ele fez uma pausa, virando-se para encarar Rui, parado diante dele.
Seus olhos estavam doloridos. Sua voz estava carregada de tristeza. “Você não consegue parar de pensar. Uma tempestade de pensamentos sacode incessantemente sua mente, nunca permitindo que ela se acalme. Incapaz de existir em harmonia. Incapaz de parar.”
Ele balançou a cabeça. “Não é uma maldição que eu desejaria a ninguém.”
Os olhos de Rui se arregalaram de choque, abalado pelas palavras do homem. “…O quê?”
“Não posso ajudá-lo a controlar o poder do pensamento. Isso é algo que você terá que alcançar sozinho”, o homem observou. “Talvez seja suficiente para aplacar a fome que brilha em seus olhos.”
Ele se virou. “Vamos, vamos entrar e conversar em um ambiente mais privado.”
Rui o encarou, surpreso. Em toda a sua vida, ele havia considerado o intelecto duplamente evoluído que havia ganhado como resultado de um segundo crescimento mental, quando já era extremamente talentoso mentalmente, mesmo em sua vida anterior, como um presente. Uma benção. Nunca antes ele havia considerado isso uma maldição. O pensamento nunca havia lhe passado pela cabeça. Era tão estranho que ele era incapaz de processá-lo.
Ele sentiu como se alguém acabasse de lhe dar um tapa na cara.
Sua atenção voltou para a figura do príncipe quando ele entrou no escritório principal dos Kandrian Ruffians na cidade de Varmaria, onde toda a logística da cidade era mantida. Rui imediatamente o seguiu para dentro e pelos vários corredores até que chegaram a um escritório espaçoso, mas modesto.
“Sente-se”, o príncipe sorriu. “Onde estávamos?”
“Você disse algo sobre evitar a guerra civil que suas ações causariam”, observou Rui.
Ele não queria continuar a conversa que havia começado inadvertidamente depois disso.
O príncipe sorriu sabiamente. “É isso mesmo? Hm. Quero dizer o que disse. Vou lutar para criar uma nação onde artistas marciais e pessoas sejam iguais. Vou abolir as leis que favorecem injustamente os artistas marciais à custa da segurança e do bem-estar das pessoas.”
“E como exatamente você pretende fazer isso sem causar uma guerra civil com a União Marcial?” Rui levantou uma sobrancelha. “Apelando para sua melhor natureza”, respondeu o príncipe com uma expressão de auto-satisfação.
Rui o encarou com uma expressão confusa. “Essa é sua tentativa de piada? Você é péssimo com humor. Continue sendo santo.”
“Não estava brincando, Rui Quarrier”, o príncipe suspirou exasperado. “Vou falar pessoalmente com todos os Sábios e Mestres Marciais da União Marcial. Espero que, se nos abrirmos uns aos outros, possamos encontrar um caminho comum para o futuro.”
Rui o encarou como se ele fosse um alienígena literal. “Você tem um senso de humor bastante elaborado e persistente.”
O príncipe não se deixou abalar pela recusa de Rui em reconhecer suas palavras como legítimas. “Espero que minha sinceridade e amor por eles como cidadãos de Kandria e seres humanos sejam suficientes para convencê-los.”
Rui o encarou com espanto puro. De todas as coisas que qualquer príncipe e princesa já haviam dito a ele, essa pode ter sido a coisa mais absurda que Rui já tinha ouvido. Isso colocava até mesmo a ambição da Princesa Ranea de criar uma nova era em vergonha, no que diz respeito a Rui. Era tão inacreditavelmente sem sentido que ele ficou absolutamente sem palavras. Sua voz o falhou. Ele foi incapaz de emitir um único som; ele simplesmente encarou o Príncipe Raul como se o homem tivesse acabado de entrar em combustão espontânea do nada.