
Volume 17 - Capítulo 1678
The Martial Unity
Talvez o Príncipe Raul estivesse certo. Talvez a natureza pensativa de Rui fosse *demasiadamente* pensativa, podendo ser considerada uma maldição.
Se esse fosse o caso, então talvez o Príncipe Raul tivesse encontrado uma solução para isso, fazendo declarações absurdamente estúpidas que absolutamente paralisavam sua mente.
Era como se a pura estupidez do plano do Príncipe do Povo fosse tão grande que temporariamente causasse um curto-circuito no cérebro de Rui.
Ele era incapaz de sequer formular um pensamento depois que o Príncipe explicou seu brilhante plano para prevenir uma guerra civil.
Se fosse uma técnica de hipnose, seria uma técnica de nível dez. Ele duvidava que mesmo o Mestre Zeamer possuísse uma técnica de hipnose tão poderosa.
Ele simplesmente ficou sentado, olhando para o Príncipe do Povo com uma expressão vazia. Uma pequena parte dele esperava que tudo aquilo fosse uma elaborada piada do príncipe para pegá-lo.
Talvez a qualquer momento ele se levantasse e gritasse "KKKKK PEGUEI VOCÊ!", mas o resto dele sabia que isso não aconteceria.
O Príncipe do Povo simplesmente o encarou diretamente com olhos cheios de sinceridade e esperança.
Assim como certeza.
Este príncipe era o membro mais delirante da Família Real.
Pelo menos eles entendiam a gravidade de sua decisão e que superar as consequências não seria fácil e exigiria mais do que simplesmente ficar sentado em um trono. Eles estavam preparados para o que era necessário para se tornar Imperador.
“…Você é clinicamente insano,” Rui conseguiu dizer.
O príncipe não se ofendeu com essas palavras. Seu sorriso entristeceu enquanto ele se levantava, inclinando-se para frente, colocando uma mão no ombro de Rui.
Seus olhos puros transmitiam uma impressão de calor e conforto, apesar do choque causado por suas palavras. “Ah, meu amigo. Para cada dez pessoas que me chamam de santo, sempre houve uma que me chamou de louco. Mas…”
Ele balançou a cabeça. “Eu não sou nem santo nem louco. Eu simplesmente estou conectado aos meus cidadãos, ao meu povo; estou simplesmente conectado ao sofrimento da vida. Até mesmo ao seu.”
Uma profunda tristeza o envolveu enquanto ele contemplava Rui. “Ajude-me a ajudá-lo. O vazio em sua alma não é algo que qualquer quantidade de poder neste universo possa satisfazer. Chegará um dia em que ele consumirá tudo e, eventualmente, até você. Você nunca encontrará a paz.”
Suas palavras pesavam sobre o mundo ao seu redor.
“Você consegue satisfazê-lo com o poder que o alimenta. Seu crescimento astronômico como Artista Marcial consegue acompanhar sua demanda. Mas isso não vai continuar para sempre. Um dia, você não será capaz de satisfazer essa fome. Quando esse dia chegar, ele se alimentará de você, até que você perca todos e tudo.”
Rui estava mentalmente muito fraco naquele momento, ainda atordoado pelo choque dos planos políticos do Príncipe, para se preocupar em contestar os absurdos filosóficos que o príncipe estava proferindo. “E o que você quer que eu faça?”
“Nem um universo infinito aplacará a fome de sua ambição,” a voz do príncipe adquiriu um brilho sábio. “Olhe para dentro, não para fora.”
Seus olhos penetravam os de Rui. “Quem é você?”
Os olhos de Rui se arregalaram.
“O quê?”
O príncipe sorriu misteriosamente. “Você não parece estar muito ciente do porquê de sua fome.”
Rui ergueu uma sobrancelha. “Eu sei de onde vem minha ambição.”
“E de onde seria isso? O que causou uma fome tão profunda?” perguntou o príncipe.
Rui o encarou. “Uma citação famosa. De um grande artista marcial.”
“Um grande artista marcial?”
“O maior.”
Sua declaração foi firme.
“Entendo,” o príncipe sorriu calorosamente. “Bastante estranho, não acha?”
Rui ergueu uma sobrancelha. “O quê?”
“Uma citação famosa resultando em um impulso tão poderoso que o impulsionou a ser o mais jovem no Reino Sênior,” sorriu o príncipe. “Por que você acha que isso aconteceu?”
Rui o encarou.
Sua expressão ficou absorta.
“Uma citação famosa, você disse,” continuou o príncipe. “Se é famosa, então certamente outros já ouviram falar dela.”
“Com certeza.”
“Todos eles desenvolveram o vazio infinitamente faminto que eu vejo em você?” perguntou o príncipe.
Os olhos de Rui se arregalaram. “…Não. Nem um único deles.”
“Eu me pergunto por quê,” o príncipe observou com conhecimento de causa. “Por que todos os outros que ouviram essa citação seguiram seus dias como se fosse qualquer outra, mas em você…Em você, ela gerou um vazio que pode muito bem consumir este mundo inteiro.”
Ele olhou profundamente nos olhos de Rui. “Eu me pergunto por quê.”
“…É,” os olhos de Rui vagaram.
O homem sorriu enquanto esperava pacientemente que Rui terminasse seus pensamentos.
Rui olhou para o príncipe com uma expressão renovada.
Ele se lembrou do que a Srta. Kayla lhe dissera sobre o Príncipe Raul.
‘Ele simplesmente faz o que quer…e as pessoas o seguem por vontade própria.’
‘Você deveria conhecê-lo, então entenderá.’
Rui conseguiu entender por que o povo dessa nação era devoto a ele. Ele possuía uma aura magnética. Uma que atraía as pessoas.
Ele aliviava sua dor, sua angústia. Ele lhes dava esperança. Ele chorava em sua dor e se alegrava em sua alegria.
“Você…é especial,” observou Rui.
Mas seus olhos se estreitaram. “Mas você é impróprio para o trono.”
O príncipe sorriu tristemente. “Você pode estar certo. Mas, neste mundo, só podemos fazer o que acreditamos que devemos. Sou conduzido pelo meu caminho assim como você pelo seu. Oro para que ele o leve aonde você espera, mas meu coração teme que não.”
Ele estendeu a mão para Rui.
“Se você pegar minha mão, posso prometer que estarei lá para você,” ofereceu o príncipe. “Não sei o quanto posso ajudar, mas sempre me esforço para corresponder àqueles que depositam sua confiança em mim.”
Rui considerou por um momento antes de balançar a cabeça. “O Caminho Marcial é um caminho solitário. Você não pode me ajudar. Boa sorte na Guerra pelo Trono Kandriana.”
Rui se levantou, deixando o escritório e, eventualmente, a cidade.