Sword Art Online

Volume 4 - Capítulo 10

Sword Art Online

Fiquei por um longo momento em frente à porta fechada. Eventualmente, virei-me, encostei as costas nela e deslizei até me sentar.

A suspeita de Suguha de que eu mantinha distância por ela não ser minha irmã de verdade estava basicamente correta. Mas eu tinha apenas dez anos quando notei o campo em branco nos dados do censo e perguntei aos meus pais o que significava. Contudo, não houve uma intenção direta por trás do meu afastamento dela.

Foi nesse ponto que perdi minha perspectiva de distância pessoal com todo mundo, não apenas com Suguha.

Eu não tinha memórias dos meus pais biológicos, e Minetake e Midori Kirigaya me amaram exatamente da mesma forma antes e depois de eu saber a verdade, então não foi um choque externo para o meu sistema. Em vez disso, o evento plantou a semente de uma sensação muito estranha no fundo de mim, onde ela se enraizou.

Era uma espécie de desconfiança, uma pergunta constante em cada interação: Quem é essa pessoa, de verdade? Não importava há quanto tempo eu os conhecia, nem o quão bem eu os conhecia — até mesmo os membros da minha própria família —, eu não conseguia impedir que esse pensamento passasse pela minha cabeça: Quem é essa pessoa, exatamente? Eu realmente a conheço?

Talvez essa tenha sido uma das coisas que me levaram ao mundo dos jogos online. Na Net, era natural que cada personagem tivesse um lado secreto e interior. Ninguém realmente conhecia ninguém. Interagir nesse mundo de falsidade, onde isso era tido como certo, parecia-me simplesmente confortável. Mergulhei de cabeça nos jogos online por volta da quinta ou sexta série e nunca mais olhei para trás. Isso acabaria me levando a um mundo do qual eu não escaparia por dois anos inteiros.

Se não fosse por toda a coisa do “jogo da morte”, Sword Art Online poderia ter sido o meu paraíso. Um mundo de sonhos falsos do qual eu nunca acordaria. Um reino virtual sem fim.

Tentei interpretar o papel de Kirito, apenas um ninguém desconhecido.

Mas estar preso naquela experiência de imersão total e incapaz de escapar acabou me levando a uma pura verdade:

O mundo real e o mundo falso eram, em última análise, a mesma coisa.

Os seres humanos só reconhecem o mundo com base na informação que seus cérebros recebem. A única coisa que tornava um jogo online um mundo “falso” era que ele podia ser deixado para trás com o simples virar de uma chave.

SAO era um mundo que meu cérebro reconhecia com pulsos eletrônicos, e um mundo do qual não se podia escapar.

E essa descrição se encaixava perfeitamente com o mundo real.

Uma vez que tive essa epifania, entendi quão vazias eram as dúvidas que me atormentavam desde os dez anos. Não havia sentido em se perguntar quem alguém realmente era. Tudo o que se podia fazer era confiar e aceitá-los. As pessoas que você conhecia realmente eram as pessoas que você conhecia.

Eu podia ouvir o som fraco do choro de Suguha através da porta.

Quando vi seu rosto pela primeira vez depois de retornar vivo de SAO, fiquei aberta e honestamente feliz em vê-la novamente. Eu sabia que, para compensar os anos de distância que meu problema sem sentido havia causado, precisaria diminuir essa lacuna tratando-a da maneira que eu realmente queria.

Mas parecia que, ao longo daqueles dois anos, Suguha havia descoberto sua própria verdade sobre mim. Ela descobrira que eu era seu primo, não seu irmão, e a mudança na distância que ela sentia foi certamente alarmante e estranha para ela, um desafio a ser aceito. E, supondo que ela não soubesse a verdade, eu estava totalmente inconsciente do que estava acontecendo com ela.

Eu havia revelado meus sentimentos por Asuna em múltiplas ocasiões na presença de Suguha. Eu até chorei por Asuna na frente dela. Eu nunca poderia ter imaginado que ouvir aquilo a estava machucando tanto.

E isso não era tudo.

Suguha nunca foi fã de computadores e videogames. Deve ter sido por minha causa que ela começou em um VRMMO por conta própria. Suguha passou inúmeras horas mergulhando naquele mundo virtual, tentando saber mais sobre mim, criando outra versão de si mesma. Leafa, a garota que me ajudou tantas e tantas vezes em Alfheim... era Suguha.

Yui havia dito que a razão pela qual eu a encontrei logo após o login foi possivelmente devido a outra pessoa nas proximidades estar conectada em ALO. Não era apenas a vizinhança local, era da mesma maldita casa; nosso IP global era o mesmo. Leafa e eu estávamos fadados a nos encontrar dessa maneira, mas mesmo como Kirito, eu não conseguia pensar em ninguém além de Asuna, e magoei Leafa assim como magoei Suguha.

Fechei meus olhos com força e os abri tão rápido que foi praticamente audível, então pulei vigorosamente de pé.

Agora era a hora de fazer algo por Suguha. Se havia uma coisa que as pessoas de SAO me ensinaram, foi a de agir quando as palavras não são suficientes.

A batida forte tirou Suguha de seu torpor distante, e ela se encolheu ainda mais em resposta.

Ela queria gritar para não abrirem a porta, mas a única coisa que saiu de sua garganta foi uma respiração ofegante. Mas Kazuto não girou a maçaneta — ele falou através da porta.

— Sugu... estarei esperando no terraço norte de Alne.

Sua voz era calma e gentil. Ela pôde senti-lo se afastar de sua porta. Mais adiante no corredor, a porta de seu quarto se abriu e fechou, e o silêncio se instalou.

Suguha fechou os olhos com força e se encolheu novamente. As lágrimas que escorreram faziam pequenos plics ao atingirem o chão.

Não havia choque ou agitação na voz de Kazuto. Depois de todas as coisas dolorosas que ela lhe dissera, ele devia ter internalizado tudo.

Ele é tão forte. Eu não consigo ser como ele…

Ela pensou naquela noite dolorosa de vários dias atrás. Assim como Suguha agora, Kazuto estava encolhido em sua cama. Assim como ela, ele estivera chorando por alguém que não conseguia alcançar. Ele parecia uma criança indefesa, sem solução para seu problema.

No dia seguinte, ela conheceu Kirito. Isso significava que Kazuto de alguma forma encontrou informações de que sua amada adormecida estava em ALfheim Online — no topo da Árvore do Mundo — e se lançou nessa busca. Ele enxugou as lágrimas e empunhou sua espada.

E eu disse a ele para aguentar firme. Para não desistir. E, no entanto, aqui estou eu, ainda chorando…

Suguha lentamente abriu os olhos. Havia uma coroa brilhante à sua frente.

Ela estendeu a mão, levantou-a e a colocou em sua cabeça.

A pálida luz do sol que caía através das nuvens esparsas parecia suavizar a antiga arquitetura de pedra de Alne.

Kirito não estava no local de login. Ela verificou o mapa e viu que a entrada para o domo ficava no lado sul da Árvore do Mundo, enquanto o lado norte possuía um grande terraço para eventos. Ele estaria esperando por ela lá.

Agora que havia chegado tão longe, ela estava com medo de vê-lo. Não sabia o que deveria dizer e não tinha ideia do que ele poderia lhe dizer. Leafa deu alguns passos desanimados para frente e sentou-se em um banco ao lado da praça.

Quantos minutos ela passou olhando para o chão? Houve a sensação de alguém pousando por perto, e Leafa congelou, fechando os olhos.

Mas a pessoa que chamou seu nome não era quem ela esperava.

— Arrrgh, eu estava te procurando por todo lado, Leafa!

Apesar do tom queixoso da voz, era enérgica e familiar. Ela ergueu os olhos, surpresa, e viu um Sylph de cabelo loiro-esverdeado.

— R-Recon?!

O surgimento desse rosto surpreendente a fez esquecer a dor por um momento. Quando questionado sobre o porquê de estar ali, Recon pôs as mãos na cintura e se inclinou com confiança.

— Bem, eu notei que Sigurd tinha saído do esgoto, então, quando minha paralisia passou, eu aproveitei a chance e envenenei os dois Salamanders até a morte. Depois, fui procurá-lo para fazê-lo provar um pouco de veneno também, mas ele não estava mais no território Sylph, então decidi ir para Alne sozinho, e a única maneira de atravessar as montanhas foi continuar atraindo a atenção de todos os monstros e passando os trens para outras pessoas até chegar aqui esta manhã. Levei a noite toda!

— Então você está dizendo que… você matou outros jogadores com monstros…?

— Olha, não se preocupe com os detalhes!

Recon sentou-se animadamente ao lado de Leafa, totalmente despreocupado com a observação dela. Então, ele deve ter percebido que ela estava sozinha e olhou ao redor, curioso.

— Onde está aquele Spriggan? Vocês já se separaram?

— Bem…

Leafa escolheu suas palavras com cuidado, afastando-se um pouco para criar mais espaço entre eles. Apesar da distração, ainda havia um nó de dor em seu peito, e nenhuma desculpa conveniente lhe veio à mente. A próxima coisa que ela soube foi que estava desabafando tudo.

— Eu… eu disse coisas horríveis para ele… Eu o amo, mas disse coisas tão dolorosas. Sou uma idiota…

As lágrimas quase vieram à tona novamente, mas Leafa as conteve. Shinichi Nagata era seu colega de classe na vida real, e este era apenas um mundo virtual, então ela não queria sobrecarregá-lo com uma enxurrada de emoções cruas. Ela se virou e falou rapidamente.

— Me desculpe por estar estranha. Esqueça isso. Eu não vou mais vê-lo… então vamos apenas voltar para Swilvane…

Não importava o quanto ela tentasse fugir, na realidade eles estavam a apenas alguns metros de distância um do outro. Mas Leafa ainda tinha medo de ver Kirito. Ela decidiu que ignoraria seu chamado, voltaria para Swilvane, cumprimentaria as poucas pessoas de quem gostava lá, e então deixaria Leafa entrar em uma longa hibernação. Pelo menos até que sua dor tivesse diminuído.

Com a mente decidida, Leafa olhou para Recon e, abruptamente, recuou assustada.

— O qu… o que?!

O rosto de Recon estava tão vermelho e inchado como se tivesse sido cozido. Seus olhos estavam esbugalhados e sua boca se movia sem som. Por um momento, ela se esqueceu de que estavam seguros na cidade e pensou que ele poderia ter sido atingido por um feitiço de sufocamento. Recon subitamente avançou para pegar suas mãos e as levou ao peito.

— O-o-o que está acontecendo?!

— Leafa! — ele gritou, tão alto que outros jogadores se viraram para olhar. Ele se inclinou sobre Leafa e olhou em seus olhos, apesar de seus melhores esforços para se afastar o máximo possível.

— V-você não deveria chorar! Você não é Leafa se não estiver sorrindo o tempo todo! Eu… eu sempre estarei com você, na vida real ou no jogo… L-L-Leafa — quer dizer, Suguha… eu t-te amo!

As palavras jorraram dele como se fosse uma torneira quebrada. Em vez de esperar por sua resposta, ele aproximou ainda mais o rosto. Havia um brilho insano em seus olhos normalmente fracos, e suas narinas estavam dilatadas enquanto seus lábios se aproximavam dos dela.

— Ã-ãh, espere um pouco…

Emboscadas eram a especialidade de Recon em batalha, mas isso ia além. Leafa não conseguia se mover devido ao choque que tomou conta de seu corpo. Recon deve ter interpretado isso como consentimento e se aproximou ainda mais, seu corpo praticamente cobrindo o dela.

— E-espere… pare…

Quando ele estava perto o suficiente para que ela pudesse sentir o hálito quente de suas narinas, o efeito de atordoamento de Leafa finalmente passou, e ela cerrou o punho.

— Eu disse… para parar!! — Ela se tencionou e desferiu um golpe curto, mas poderoso, em seu plexo solar.

Gwufh!!

Não havia dano a outros jogadores na zona segura da cidade, mas ainda havia um efeito de repulsão. Recon voou vários metros no ar e caiu em um banco. Ele segurou o estômago, contorcendo-se de agonia.

— Hrrrgh… I-isso foi mancada, Leafa…

— Que parte?! Aprenda a se controlar, seu tonto! — ela esbravejou, finalmente sentindo o rosto corar. A raiva e a vergonha de quase ter sido beijada rugiram dentro dela como o sopro de um dragão. Ela agarrou Recon pelo colarinho e deu-lhe mais alguns bons socos com a outra mão.

— Geh! Agh! O-ok, ok, me desculpe!!

Ele caiu do banco e se apoiou nas pedras do pavimento com a mão direita, balançando a cabeça freneticamente. Quando Leafa relaxou sua postura de ataque, ele se sentou de pernas cruzadas e baixou a cabeça.

— Droga… não faz sentido… eu pensei que era só uma questão de eu ter coragem para ir em frente e te dizer…

— Você… — ela suspirou, — é um idiota.

— Ahhh…

Ele parecia um cachorrinho repreendido. Era uma expressão tão ridícula que Leafa passou direto da exasperação para o riso. Ela soltou um suspiro profundo, meio suspiro e meio risadinha. Seu coração parecia ter se livrado de um pouco do peso.

De repente, Leafa se perguntou se não estava internalizando tudo um pouco demais. Ela esteve cerrando os dentes o tempo todo, com medo de ser ferida. Por causa dessa pressão constante para trás, quando a represa se rompeu, todos aqueles sentimentos jorraram em uma inundação. Ela havia machucado alguém muito importante para ela.

Poderia ser tarde demais — mas ela pelo menos queria ser honesta consigo mesma. Uma vez que percebeu isso, a tensão em seus ombros se dissipou. Ela ergueu os olhos e murmurou: — Mas essa é a parte em você que eu não me importo.

— Hã? S-sério?!

Recon pulou no banco novamente e agarrou a mão de Leafa — nenhuma lição aprendida.

— Não se ache, espertinho! — Ela se soltou de seu aperto e flutuou no ar.

— Vou seguir seu exemplo de vez em quando. Preciso que você espere aqui, no entanto. E se você realmente me seguir, vai se dar pior do que isso! — Ela brandiu o punho ameaçadoramente sob o rosto chocado de Recon, então se virou, bateu as asas e voou em direção ao tronco da Árvore do Mundo.

Depois de vários minutos voando ao redor da árvore assustadoramente maciça, um amplo terraço surgiu à vista abaixo. O espaço aparentemente era usado para mercados de pulgas e eventos de guilda, mas estava vazio hoje. Havia pouco mais no lado norte de Alne, então não havia nem mesmo turistas passando por ali.

Uma pequena figura negra esperava no centro do espaço aberto. Tinha asas cinzentas de ângulos agudos e uma espada maciça pendurada diagonalmente entre elas.

Leafa respirou fundo, reunindo sua coragem, e desceu até ele.

— …Oi.

Kirito deu-lhe um sorriso fácil, embora houvesse alguma tensão por trás dele.

— Obrigada por esperar — ela respondeu. O silêncio se seguiu. O único som entre eles era o assobio do vento passando.

— Sugu — disse Kirito finalmente. Seus olhos brilhavam com intenção séria, mas Leafa o interrompeu com um aceno de mão. Ela bateu as asas e deu um passo para trás.

— Vamos ter um duelo, Irmãozão. Para terminar o que começamos outro dia.

Ela colocou a mão em sua katana e seus olhos se arregalaram. Ele abriu a boca brevemente, depois a fechou.

Os olhos escuros de Kirito a encararam, o brilho profundo sendo a única característica que ele compartilhava com sua contraparte da vida real, e ele finalmente assentiu. Ele bateu as asas e deu um passo para trás.

— Tudo bem. Sem desvantagens desta vez — disse ele, ainda sorrindo, e colocou a mão no punho de sua espada.

Eles sacaram ao mesmo tempo, os sons claros e nítidos se sobrepondo. Leafa segurou sua lâmina familiar, imóvel, em altura média, encarando Kirito. Ele baixou sua postura, mal mantendo a espada gigante fora do chão. Assim como ele fizera no outro dia.

— Você não precisa se conter no último segundo. Lá vou eu!!

Eles saltaram para a frente como um só.

No instante em que diminuíram a distância, Leafa teve uma epifania. Aquela postura dele que ela achara tão absurda durante o duelo devia ter sido aperfeiçoada neste mundo virtual. Afinal, ele passara todos os dias daqueles dois anos lutando por sua vida.

Pela primeira vez, ela quis saber. Queria saber o que ele tinha visto, o que ele tinha sentido e como ele havia vivido naquele outro mundo, aquele jogo da morte que nunca fora nada além do alvo de seu ódio.

Leafa desceu sua katana diretamente de cima. Em Swilvane, diziam que seus cortes eram inevitáveis, mas Kirito os evitou com apenas o mais leve dos movimentos. Sua grande espada veio uivando em direção a ela. Ela adiantou a katana para desviá-la, mas o choque pesado deixou suas mãos dormentes.

Cada um usou o impulso para trás do desvio para saltar. Batendo as asas, eles se tornaram duas espirais opostas, viajando para cima para atacar novamente no ar. Houve uma explosão de luz e som, e a terra tremeu.

Como guerreira fada e atleta de kendo, Leafa tinha que admirar a habilidade de Kirito. Ele era igualmente adepto tanto no ataque quanto na defesa, tão suave e belo quanto uma dança. Quanto mais ela acompanhava seu ritmo de golpes e balanços, mais Leafa sentia que estava ascendendo a novas alturas que nunca havia experimentado antes. Nenhum dos duelos dos quais ela já havia participado aqui a satisfez verdadeiramente. Ela já havia perdido antes, mas sempre foi devido a alguma qualidade especial da arma do oponente, ou a um feitiço. Ninguém havia superado Leafa apenas com habilidade de espada.

Agora que finalmente encontrara alguém que era ainda melhor, e ele era seu amado, Leafa se encheu de algo parecido com alegria. Mesmo que nunca mais compartilhassem seus corações, este momento especial era o suficiente para ela. Com o tempo, ela notou que havia lágrimas se acumulando em seus olhos.

Após vários confrontos revigorantes, Leafa deixou o impulso a empurrar para um salto para trás, ganhando alguma distância. Ela abriu bem as asas para parar e ergueu sua katana bem alto, bem acima de sua cabeça.

Kirito pareceu entender que este seria seu ataque final. Ele se virou, posicionando sua espada ainda mais para trás.

Por um momento, tudo ficou tão parado quanto a superfície de um lago em um dia sem vento.

As lágrimas caíram pelas bochechas de Leafa sem um som, pingando de seu queixo e enviando ondulações pelo silêncio. Eles se moveram juntos.

Ela correu para baixo, como se fosse incendiar o ar. Sua longa katana traçou um arco de pura luz. Kirito estava correndo para encontrá-la de frente. Sua espada também queimava em branco, cortando o ar em dois.

Assim que a lâmina de seu amado passou por sua cabeça, Leafa a soltou.

A espada sem mestre voou para a frente, uma flecha de luz. Mas ela não a seguiu com os olhos. Ela abriu os braços, pronta para abraçar a lâmina de Kirito.

Ela sabia que isso não o satisfaria. Mas ela não tinha as palavras certas para se desculpar pela tolice de sua declaração dolorosa.

Então, este era seu meio de se redimir: ela ofereceria esta outra versão de si mesma à espada dele.

Com os braços abertos e os olhos semicerrados, Leafa esperou o momento chegar.

Mas enquanto sua visão se dissolvia em branco, Kirito voou em sua direção, com as mãos vazias.

— …?!

Ela arregalou os olhos. No canto de sua visão, notou que, como a dela, a espada dele estava girando pelo ar. Ele havia descartado sua própria arma no mesmo momento em que ela jogara a sua.

Antes que tivesse tempo de se perguntar por quê, eles se cruzaram no ar. Kirito colidiu com ela, seus braços também abertos. O impacto tirou o ar de seus pulmões, e tudo o que ela pôde fazer foi se agarrar a ele.

Incapazes de anular o impulso, seus corpos giraram pelo ar. O mundo se tornou uma mancha borrada de céu azul e árvore marrom.

— Por que você… — foi tudo o que ela conseguiu dizer, de alguma forma.

Ao mesmo tempo, olhando para o rosto dela a apenas alguns centímetros de distância, ele disse: — Por que você…

Ambos ficaram em silêncio e deixaram a inércia carregá-los pelo céu de Alfheim, olhando profundamente nos olhos um do outro. Depois de um tempo, Kirito abriu as asas para pegar o ar e diminuir a rotação.

— E-eu queria me desculpar, Sugu. Mas… eu não tinha as palavras certas… então eu ia deixar você me atingir em vez disso…

De repente, ela sentiu os braços de Kirito se apertarem em volta de suas costas.

— Sinto muito, Sugu. Depois de todo esse tempo longe… eu não tenho te visto como você realmente é. Estive tão envolvido em meus próprios assuntos que não tentei ouvir o que você realmente estava dizendo. Sinto muito…

As lágrimas jorraram dos olhos de Leafa enquanto ela absorvia suas palavras.

— Não… eu é que…

Mas ela não conseguiu continuar. Leafa soluçou audivelmente, enterrando o rosto em seu peito.

Ela ainda pensava que queria que o momento continuasse para sempre quando os dois pousaram suavemente na grama. Kirito continuou a acariciar sua cabeça enquanto ela soluçava e suspirava, mas alguns minutos depois, ele começou a falar em tons baixos.

— Para te dizer a verdade… eu ainda não voltei realmente de lá. Ainda não acabou. Minha vida real não vai recomeçar até que ela acorde… então eu ainda não sei o que pensar sobre você, Sugu…

— …Tudo bem — ela murmurou, assentindo. — Eu estarei esperando. Esperando pelo momento em que você realmente volte para nossa casa. Estou aqui para ajudar. Conte-me… sobre ela. E como você veio para este jogo…

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