Sword Art Online

Volume 3 - Capítulo 15

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— Eu estava planejando deixar o território. Mas tenho certeza de que voltarei para Swilvane... só não sei quando.

— É um alívio ouvir isso. Prometa que você vai voltar... com ele.

— E passe na nossa casa no caminho. Vocês são bem-vindos a qualquer hora!

As duas damas se afastaram e se endireitaram. Sakuya colocou a mão no peito e inclinou a cabeça para a frente majestosamente, enquanto Alicia curvava-se profundamente e achatava as orelhas. Quando a cortesia terminou, Sakuya falou novamente.

— Obrigada mais uma vez, Leafa e Kirito. Se tivéssemos sido derrotados hoje, a vitória dos Salamanders teria sido praticamente garantida. Eu gostaria de poder mostrar minha gratidão de alguma forma...

— Não há necessidade — disse Kirito sem jeito. Leafa de repente percebeu algo. Ela deu um passo à frente.

— Sakuya, Alicia... esta aliança é com o propósito de conquistar a Árvore do Mundo, não é?

— Bem, em última análise, sim. Se trabalharmos juntos para escalar a árvore, e ambos nos tornarmos Alfs, esplêndido. Se apenas uma raça conseguir, eles ajudarão a outra a vencer a próxima grande linha de missões. Esse é o cerne do acordo.

— Gostaríamos de participar da tentativa. O mais rápido possível, na verdade.

Sakuya e Alicia trocaram um olhar.

— ...Não temos nenhum problema com isso. Na verdade, gostaríamos que vocês se juntassem a nós. Não posso dar garantias quanto a um prazo, no entanto. Por quê?

— ...

Leafa olhou para Kirito. O enigmático garoto Spriggan olhou para baixo e falou. — Eu vim para este mundo porque queria chegar ao topo da Árvore do Mundo. Preciso encontrar alguém que possa estar lá em cima...

— Alguém? O rei das fadas, Oberon?

— Não... acho que não. É alguém que não consigo alcançar na vida real... mas tenho que encontrar.

— Então, se ele ou ela está no topo da Árvore do Mundo, isso significa que é um admin? Uau, meio misterioso, hein? — Alicia delirou, com os olhos brilhando. Mas essa empolgação rapidamente se transformou em desânimo, suas orelhas e cauda caíram. — Mas... vai demorar um pouco para equipar todo mundo adequadamente para a missão. Não é algo que possa ser feito em um ou dois dias...

— Entendo... bom ponto. Mas, novamente, eu só queria chegar ao pé da árvore, só isso. Vou resolver o resto por conta própria.

Ele sorriu e, como se lembrasse de algo, acenou abruptamente com a mão para chamar o menu. Quando terminou de mexer em seu inventário, um grande saco de couro apareceu.

— Vão em frente e usem isso para ajudar a pagar pelas coisas.

O saco tilintou pesadamente — parecia estar cheio de yrd. Alicia o aceitou de Kirito e imediatamente tropeçou com o peso. Ela ajeitou as mãos para segurá-lo melhor e espiou para dentro. Seus olhos se arregalaram.

— S-Sakuya, olhe...

— Hmm?

Sakuya seguiu o dedo de Alicia e espiou para dentro. Ela tirou uma grande moeda azul-pálida que brilhava na luz.

— Uau...

Leafa não conseguiu se conter. As duas líderes estavam paralisadas com a boca aberta, e os doze dignitários que observavam a cena diligentemente começaram a murmurar com entusiasmo.

— Moedas de mithril de cem mil yrd...? São todas...?!

Até Sakuya estava rouca de espanto enquanto examinava a moeda de perto. Ela finalmente a colocou de volta no saco, balançando a cabeça em descrença. — Você não consegue fazer tanto dinheiro sem acampar para caçar Deuses Deviantes em Jotunheim... Tem certeza disso? Você poderia construir um castelo em um local privilegiado com uma quantia como esta.

— Está tudo bem. Não preciso mais disso — disse ele, despreocupado.

Sakuya e Alicia olharam de volta para o saco e suspiraram profundamente.

— Isso nos deixará muito mais perto do total que precisamos.

— Vamos adquirir o equipamento rapidamente e informaremos quando os preparativos estiverem concluídos.

— Estarei esperando.

Alicia colocou o saco de couro na janela de inventário aberta de Sakuya.

— Não me sentirei segura carregando uma mina de ouro como esta a céu aberto... Vamos voltar para a terra dos Cait Sith antes que os 'manders mudem de ideia.

— Boa ideia. Podemos terminar as negociações quando estivermos seguras.

As duas mulheres deram ordens aos seus subordinados. Em instantes, a grande mesa e as quatorze cadeiras foram guardadas.

— Vocês nos ajudaram de todas as maneiras imagináveis. Prometo que faremos tudo o que pudermos para ajudar vocês, Kirito e Leafa.

— Fico feliz em poder ajudar.

— Estaremos aguardando sua palavra.

Sakuya, Alicia, Kirito e Leafa trocaram apertos de mão firmes.

— Obrigada! Até mais! — Alicia exclamou com outro sorriso travesso e puxou Kirito para mais perto com sua cauda. Ela roçou levemente a bochecha dele com os lábios, para seu grande embaraço, e lançou para a trêmula Leafa uma piscadela enigmática antes de abrir suas asas douradas pálidas.

As duas nobres damas subiram direto no ar, acenando em despedida, e seguiram para o oeste, em direção ao céu avermelhado. Cada uma foi logo seguida por seus seis compatriotas em uma formação elegante, como bandos de gansos.

Kirito e Leafa os observaram partir em silêncio até que desapareceram no pôr do sol.

A área estava tão quieta que o duelo incrível e o impasse no qual o destino de três raças estava em jogo poderiam muito bem nunca ter acontecido. Apenas o assobio do vento e o farfalhar das folhas podiam ser ouvidos. Leafa sentiu um pouco de frio e se aproximou de Kirito.

— ...Eles se foram.

— Sim. Acabou agora...

O cisma com Sigurd, que havia desencadeado toda a cadeia de eventos, parecia história antiga agora. Ela mal podia acreditar que tudo aquilo havia acontecido nas últimas sete ou oito horas.

— De alguma forma...

Estar aqui com Kirito fazia este mundo parecer real, como se a versão de si mesma com asas fosse seu corpo verdadeiro, pensou Leafa/Suguha, mas ela não conseguia colocar em palavras para dizer em voz alta. Em vez disso, ela se inclinou contra o peito de Kirito, esperando ouvir seu coração bater.

— Eu te disse para não a trair, papai!

— Ah!

Leafa saltou para longe enquanto uma Yui furiosa saía do bolso do peito de Kirito.

— Q-qual é a sua ideia? — gemeu Kirito, enquanto Yui circulava sua cabeça. Ela pousou em seu ombro e inflou as bochechas adoravelmente.

— Seu coração estava acelerado quando as damas da realeza estavam tocando em você!

— E-eu não posso evitar; sou um cara!!

Leafa ficou momentaneamente aliviada ao perceber que não era a raiz do problema, mas uma nova pergunta surgiu em sua cabeça, que ela fez a Yui.

— Hum, Yui, eu posso...?

— Você parece estar segura, Leafa.

— P-por que isso?

— Não sei, você simplesmente não me parece tão feminina — admitiu Kirito.

— O quê—Eu—O que isso quer dizer?! — Leafa colocou a mão no punho da espada diante dessa afronta imperdoável.

— E-eu só quis dizer que é fácil se dar bem com você... de um jeito bom. — Kirito riu sem jeito, subindo no ar. — V-vamos, vamos voar para Alne! O sol já está quase se pondo!

— Ei! Volte aqui! — Leafa abriu as asas e saltou.

Enquanto batia as asas para perseguir Kirito, acelerando em direção à Árvore do Mundo em velocidade máxima, Leafa olhou por cima do ombro. A Floresta Antiga e sua terra natal Sylph estavam fora de vista, além das montanhas imponentes, mas ela vislumbrou uma grande estrela, cintilando na penumbra crescente do céu azul-marinho.

O sol, aparentemente congelado no ápice do céu, finalmente caiu sobre a Terra, tingindo a curva do horizonte com um vermelho brilhante.

Asuna levantou-se silenciosamente, calculando que pelo menos cinco horas haviam se passado em tempo real desde a última visita de Oberon. Provavelmente já passava da meia-noite. Ela rolou para fora da cama e pisou no azulejo, rezando para que ninguém a estivesse monitorando.

Apenas dez passos a levaram até a porta dourada. Era espantoso pensar que ela estivera presa naquele espaço apertado por mais de dois meses.

Mas isso acaba hoje, disse ela a si mesma, estendendo o polegar para o teclado de identificação ao lado da porta. Cinco horas antes, ela havia observado Oberon digitar o código através do espelho. Ela falou cada número em voz alta enquanto os digitava. Os botões tinham um clique tátil, cada pressão agitando seus nervos tensos.

— ...3...2...9.

Quando ela apertou o último botão, rezando silenciosamente, houve um som metálico mais alto, e a porta se abriu apenas uma fresta. Ela puxou o braço para trás e cerrou o punho em triunfo, depois riu ao perceber que havia pegado isso de Kirito.

— Kirito... farei o meu melhor — murmurou ela, e então empurrou a porta para abri-la. Do outro lado, havia uma passarela sinuosa esculpida no galho, que se conectava ao enorme tronco da árvore à distância. Ela deu um passo para fora da gaiola, depois outro, e ouviu a porta se fechar automaticamente atrás dela. Asuna jogou o cabelo para trás, estufou o peito em resolução e avançou com determinação, da mesma forma que um dia fizera em um mundo diferente.

Alguns minutos depois, ela se virou e viu que a gaiola de pássaro dourada já estava perdida atrás da espessa folhagem verde dos galhos da árvore.

Ela parou na metade do enorme galho e recuperou o fôlego. Já havia andado pelo menos algumas centenas de metros. O tamanho do galho superava sua imaginação.

Asuna havia imaginado, conhecendo a natureza pontual e impaciente de Oberon, que ele teria instalado um console do sistema não muito longe da gaiola para poder se desconectar. Mas não foi o caso. Se ele estivesse usando uma janela holográfica no estilo de SAO ou operações de voz, sua fuga seria muito mais difícil.

Ela não voltaria atrás, é claro. Só precisava ir o mais longe que pudesse.

Não vou parar. Vou voltar para o mundo real, viva. Tenho que vê-lo novamente, jurou ela a si mesma, e então retomou sua marcha.

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