
Volume 3 - Capítulo 14
Sword Art Online
Uma expressão de choque estampada em seu rosto, Eugene viu sua metade superior deslizar silenciosamente do ombro direito para a cintura esquerda. A luz do quadrado de Kirito se dissipou.
A estrutura massiva do homem foi subitamente envolvida pelas Chamas Finais, seu avatar se desfazendo em chamas.
Ninguém se moveu.
Os sylphs, os cait siths e os mais de cinquenta salamanders estavam paralisados, como se suas almas tivessem deixado seus corpos.
Era esse o nível da batalha que haviam testemunhado.
A luta típica em ALO era algo feio; lutadores de curta distância balançavam suas armas desajeitadamente e magos de longa distância lançavam feitiços com pouca cerimônia ou estratégia. Apenas um pequeno grupo de jogadores experientes tinha alguma habilidade em defesa ou evasão. As únicas vezes que alguém provavelmente veria uma batalha verdadeiramente graciosa era nas partidas finais de um torneio de duelos.
Mas o que eles acabaram de ver entre Kirito e Eugene estava muito acima disso.
Uma dança de espadas fluida, um duelo aéreo em alta velocidade e, o mais vívido de tudo, os golpes de Eugene que partiam a terra contra as lâminas duplas de Kirito na velocidade da luz…
Sakuya quebrou o silêncio primeiro.
— Muito bem, muito bem! — ela aplaudiu com firmeza, batendo palmas vigorosamente.
— Isso foi incrível! Que grande luta! — Alicia Rue se juntou, e os outros doze logo a seguiram. Eles aplaudiram, vibraram, assobiaram e gritaram: — Bravo!
Exultante, mas nervosa, Leafa observou o exército de salamanders. Depois da forma como seu líder foi derrotado, ela imaginou que eles estariam abalados.
Mas, para sua surpresa, a onda de aplausos também contagiou as fileiras dos salamanders. Uma grande aclamação explodiu, e eles ergueram suas lanças e as agitaram como mastros.
— Uau…!
Ela finalmente permitiu que um sorriso cruzasse seu rosto.
Seu inimigo — os salamanders que ela considerava nada mais que saqueadores sem lei — ainda eram companheiros jogadores de ALO. A emoção do duelo de Kirito e Eugene tocou seus corações assim como o dela.
Dominada por uma sensação muito estranha, Leafa se juntou aos aplausos entusiasmados.
De pé no centro da adulação, Kirito exibia seu sorriso indiferente de sempre. Ele guardou a espada nas costas e levantou uma mão em saudação.
— Olá, pessoal! Obrigado!
Ele repetiu o gesto em todas as direções, depois gritou para o grupo de Leafa. — Alguém lance um feitiço de ressurreição!
— Muito bem — disse Sakuya, se aproximando. As dobras pendentes de sua roupa ondularam enquanto ela subia ao nível da Luz Remanescente de Eugene e começava a entoar as palavras.
Eventualmente, uma luz azul jorrou de suas mãos e cercou a chama vermelha. Formou-se em um sigilo mágico complexo e, no centro, a chama gradualmente voltou à forma de uma pessoa.
O sigilo deu um último flash antes de desaparecer. Kirito, Sakuya e o revivido Eugene desceram silenciosamente para a beira do terraço. A cena ficou quieta novamente.
— Sua habilidade é inigualável. Nunca vi um jogador melhor — disse Eugene em voz baixa.
— Obrigado — Kirito respondeu espirituosamente.
— Eu não tinha ideia de que os spriggans tinham um homem como você do lado deles… O mundo é maior do que eu imaginava.
— Então, você acredita em mim agora?
— …
Os olhos de Eugene se estreitaram, e ele ficou em silêncio por um momento.
Um dos lanceiros da frente que cercavam o terraço avançou. Ele parou, a armadura tilintando, e ergueu o visor de seu elmo.
O homem de rosto rude saudou Eugene.
— Uma palavra, Gene?
— O que foi, Kagemune?
O nome pareceu familiar para Leafa, e ela se lembrou rapidamente. O mago sobrevivente o havia mencionado após a batalha no lago subterrâneo. O que significava que ele era o líder dos salamanders que a atacaram na Floresta Antiga ontem, durante seu primeiro encontro com Kirito.
— Tenho certeza de que você está ciente de que meu grupo foi dizimado ontem.
Leafa prendeu a respiração e ouviu atentamente, percebendo que ele estava trazendo à tona aquele exato incidente.
— Sim.
— Bem, foi aquele exato spriggan que fez isso — e de fato havia uma undine com ele.
— …?!
Leafa encarou Kagemune abertamente. As sobrancelhas de Kirito se contraíram por um instante, mas ele voltou à sua habitual cara de pôquer tão rapidamente quanto. Kagemune continuou.
— A informação de S era que ele também era o alvo da equipe de magos. Eles também não tiveram muito sucesso.
S era muito provavelmente a abreviação de “espião”. Ou isso, ou uma abreviação para “Sigurd”.
Eugene lançou a Kagemune um olhar perplexo. Sem dúvida, os outros ao redor estavam totalmente confusos com a conversa deles, mas Leafa estava acompanhando cada palavra com a respiração suspensa.
Eventualmente, Eugene assentiu. — Entendo. — Um leve sorriso se formou em seus lábios. — Vamos deixar por isso mesmo, então.
Em seguida, ele se virou para Kirito. — No momento, nem eu nem nosso senhor desejamos nos envolver em qualquer confusão com os spriggans ou undines. Vamos nos retirar por enquanto — mas terei minha revanche com você.
— Estarei esperando ansiosamente.
Eugene bateu os nós dos dedos no punho estendido de Kirito e se virou. Ele abriu as asas e saltou no ar.
Kagemune o acompanhou, mas antes de fazer isso, ele se virou para Leafa e deu-lhe uma piscadela e um sorriso desajeitados. Ela entendeu o gesto como um sinal de que sua dívida estava paga. Sua bochecha direita se afundou com um sorriso próprio.
Só quando os dois homens se afastaram voando, Leafa finalmente soltou o ar que estava prendendo.
Enquanto o grupo de dignitários observava, os salamanders retomaram ordenadamente sua formação de batalha e partiram com o zumbido pesado de asas, com Eugene na liderança. O enxame de formas negras mergulhou nas nuvens, tornou-se indistinto e desapareceu.
Com a área quieta novamente, Kirito disse jovialmente: — Viu? Esses salamanders não são tão maus, afinal.
Leafa não soube o que dizer por vários segundos. Eventualmente, as palavras borbulharam de dentro dela.
— …Você é seriamente insano.
— Eu ouço muito isso.
— …Hee-hee.
Eles riram até que Sakuya os lembrou de sua presença com uma tosse educada.
— Com licença… alguém pode explicar o que está acontecendo?
Com a reunião de volta à sua calma e majestade, Leafa começou a explicar a cadeia de eventos, esclarecendo que parte dela era mera conjectura. Sakuya, Alicia e os outros dignitários ouviram pacientemente e em silêncio. Quando ela finalmente terminou sua explicação, todos eles exalaram profundamente juntos.
— …Entendo — murmurou Sakuya, de braços cruzados, com um leve arco em suas sobrancelhas graciosas. — Notei algo impaciente e irritado na atitude de Sigurd nos últimos meses. Desejando governar através de conselhos e conferências em vez de tirania, eu o deixei assumir uma posição importante em meu gabinete… e parece que pagamos o preço por esse erro.
— Eu sei como pode ser difícil, Sakuya. Você é uma governante muito popular — disse Alicia Rue, que na verdade estava no poder sobre seu próprio povo por mais tempo do que sua contraparte sylph.
— Mas… por que ele estaria com tanta raiva? — Leafa perguntou curiosa. Sakuya olhou para o horizonte enquanto respondia.
— Suspeito… que ele não suportava a ideia de cedermos tanto poder aos salamanders.
— Sigurd é um homem com uma forte vontade de poder. Não apenas nas estatísticas de seu personagem, mas em seu controle sobre outros jogadores. Sem dúvida, ele não suportava a visão de um futuro em que os salamanders tivessem completado a missão principal e governassem os céus de Alfheim, enquanto ele só podia assistir do chão.
— Mas… por que ele agiria como um espião dos salamanders?
— Você ouviu falar sobre a próxima atualização 5.0? Há rumores de que eles implementarão um sistema de reencarnação.
— Oh… Significando…
— Mortimer provavelmente colocou a ideia em sua cabeça. Ele diria: ‘Derrube sua líder por mim, e eu deixarei você ser um salamander.’ Mas o processo de reencarnação requer uma quantidade enorme de yrd, aparentemente. Não há como saber se Mortimer, astuto como é, teria mantido sua promessa, de qualquer maneira.
— …
Leafa olhou para o céu dourado e a névoa distante da Árvore do Mundo, em conflito.
Era seu sonho renascer como uma alf, livre das amarras dos limites de voo do jogo. Foi com esse propósito que ela se juntou ao grupo de Sigurd, composto apenas pelos sylphs mais fortes, e doou quase todo o yrd que ganhou para o governo.
Se ela não tivesse conhecido Kirito e deixado o grupo, parecia provável que Sigurd a teria convidado para participar do plano de reencarnação dos salamanders. O que ela teria feito…?
— ALO é um jogo desagradável, testando a ganância de seus jogadores assim — Kirito murmurou desolado ao seu lado. — Estou supondo que seu designer é uma figura e tanto.
— Ha. Eu concordo — disse Sakuya.
Leafa decidiu seguir um pouco seu coração, colocando o braço em volta do de Kirito e se inclinando levemente para ele. Kirito nunca parecia se abalar com nada; estar tão perto dele a fazia se sentir centrada e calma novamente.
— Então… qual é o plano, Sakuya?
O sorriso desapareceu do rosto da bela política, e ela fechou os olhos por um momento. Quando os abriu novamente, as íris verde-escuras brilhavam com uma luz penetrante.
— Rue, você tem praticado sua magia negra, certo?
As orelhas de Alicia Rue se agitaram em afirmação.
— Lance Espelho do Luar em Sigurd, então.
— Claro, mas não vai durar muito durante o dia.
— Não é um problema. Isso será breve.
As orelhas de Alicia se contraíram novamente, e ela deu um passo para trás para erguer as mãos e entoar o feitiço. Sua voz aguda e clara enunciava os sons desconhecidos das palavras mágicas das trevas. Houve uma escuridão repentina ao redor deles, e um feixe de luar brilhou de algum lugar.
O raio de luar se acumulou na frente de Alicia como um líquido dourado até formar um espelho perfeitamente circular. Enquanto toda a reunião assistia em silêncio, a superfície ondulou — e uma imagem começou a florescer dentro dela.
— Ah… — Leafa não conseguiu conter a voz. Era um lugar familiar para ela: a sala de reuniões da mansão de Sakuya, onde os negócios oficiais aconteciam.
Havia uma grande mesa verde-jade na frente. Atrás dela, alguém estava sentado na cadeira do lorde, com os pés apoiados em cima da mesa, os olhos fechados e as mãos entrelaçadas atrás da cabeça. Era Sigurd.
Sakuya se aproximou do espelho e falou, sua voz tão clara quanto uma harpa.
— Sigurd.
A imagem de Sigurd no espelho saltou como uma mola, com os olhos arregalados. Ele devia ser capaz de vê-la em retorno, pois olhou diretamente em seus olhos, com a boca tensa.
— S… Sakuya…?
— Isso mesmo, ainda viva. Desculpe desapontá-lo — ela respondeu secamente.
— Por quê…? Quero dizer, e a reunião…?
— Terminará em segurança. Estamos prestes a oficializá-la. Mas antes disso, tivemos alguns convidados inesperados.
— O General Eugene manda lembranças.
— O qu—
Agora Sigurd estava visivelmente chocado. Seu rosto imponente ficava cada vez mais pálido, e seus olhos giravam enquanto procurava as palavras certas. De repente, ele avistou Leafa, parada atrás de Sakuya.
— Leaf—?!
Seus olhos pareciam que iam saltar da cabeça — ele finalmente compreendeu a situação. Seu nariz se enrugou de raiva, e ele mostrou os dentes em um rosnado.
— Lagartos incompetentes… E então? O que vai ser, Sakuya? Uma multa pesada? Expulsão do conselho? Só lembre-se, eu sou o responsável por nosso exército, então você não vai durar muito sem mim—
— Não. Se ser um sylph é tão desagradável para você, eu concederei seu desejo.
— O q-quê?
Ela acenou elegantemente com a mão esquerda, abrindo o menu de sistema extragrande reservado para o lorde de cada raça. Inúmeras janelas individuais se empilharam em camadas para formar um pilar hexagonal de luz. Ela puxou uma guia específica e passou os dedos sobre ela.
Enquanto Sigurd observava através do espelho, ela abriu uma janela de mensagem azul. Assim que ele viu o que ela estava fazendo, levantou-se em pânico.
— Não! Você perdeu o juízo?! Você vai… você vai me exilar?!
— Isso mesmo. Você pode vagar pelas terras neutras como um renegado. Espero que encontre novos prazeres lá que lhe agradem mais.
— Eu… eu vou fazer uma reclamação! Vou peticionar aos GMs! Isso é abuso de privilégio!
— Faça como quiser. Adeus, Sigurd.
Ele cerrou os punhos e se preparou para lançar outra diatribe. Mas no instante em que Sakuya pressionou o botão em sua guia, ele desapareceu da imagem no espelho. Ele foi expulso da terra dos sylphs, enviado aleatoriamente para qualquer uma das cidades neutras do jogo, exceto Alne.
O espelho dourado continuou a mostrar a sala do conselho vazia por alguns momentos, depois sua superfície ondulou novamente e se desfez em pó. Ao desaparecer, o sol do final da tarde reapareceu para iluminar a área.
— Sakuya — Leafa murmurou baixinho no silêncio, enquanto as sobrancelhas da dama sylph se franziam em pensamento.
A bela líder dos sylphs fechou a janela do jogo com um gesto da mão, depois suspirou e sorriu.
— Suponho que a próxima eleição me dirá se minha decisão foi sábia ou pobre. Mas, de qualquer forma — obrigada, Leafa. Depois de todas as vezes que você se recusou a se juntar ao conselho, me deixa muito feliz ver você correr em nosso auxílio. Alicia, peço desculpas por expô-la ao perigo por causa de nossas disputas internas.
— Estamos vivas, e é só isso que importa! — disse a líder cait sith animadamente. Leafa apressadamente minimizou seu papel nos eventos.
— Eu não fiz nada, de verdade. É Kirito aqui quem merece seus agradecimentos.
— Ah, sim, claro. E qual é a sua história…?
Sakuya e Alicia Rue se viraram com olhares curiosos para Kirito.
— Ei, você. Era verdade sobre ser um enviado dos spriggans e undines? — perguntou Alicia, seu rabo balançando de um lado para o outro com curiosidade. Kirito colocou a mão na cintura e estufou o peito.
— Completa baboseira. Um blefe, uma finta, uma peça de negociação.
— O qu…
Elas o encararam, de boca aberta.
— Você é um louco. Mentindo descaradamente em uma situação com apostas tão altas?
— Esse é o meu estilo. Quando minhas cartas são ruins, eu aumento a aposta — disse ele com confiança. Alicia Rue exibiu um sorriso felino travesso e se aproximou para olhá-lo melhor.
— Você é muito forte para um mentiroso, não é? Você sabia que Eugene é considerado o guerreiro mais poderoso de ALO? E você o venceu em uma luta justa… O que você é, a arma secreta dos spriggans?
— Dificilmente. Apenas um espadachim errante de aluguel.
— Pfft! Nya-ha-ha-ha!
Divertida com a ousadia de Kirito, Alicia riu e agarrou seu braço direito, apertando-o contra o peito. Ela lhe lançou um olhar coquete pelo canto do olho e ronronou: — Se você estiver disponível, gostaria de trabalhar como mercenário para os cait siths? Posso garantir três refeições por dia, mais uma soneca à tarde.
— O qu…
A boca de Leafa se contraiu. Mas antes que ela pudesse se intrometer na situação—
— Ora, ora, Rue, não fure a fila — disse Sakuya, sua voz ainda mais sedutora que o normal. Sua longa manga de quimono envolveu o braço esquerdo de Kirito. — Ele veio em socorro dos sylphs, então temos o direito de negociar com ele primeiro. Kirito, você disse que era seu nome? Eu gostei de você — que tal tomar uma bebida em Swilvane?
Cric-crack. As têmporas de Leafa estavam pulsando agora.
— Ei, não é justo, Sakuya! Não é permitido seduzir!
— E como você chama o que você está fazendo? Pare de se esfregar nele!
Puxado de cada lado por uma bela dama, o rosto de Kirito ficou vermelho de vergonha, mas ele não parecia se importar muito.
Leafa já tinha visto o suficiente. Ela agarrou a capa de Kirito por trás e puxou.
— Você não pode! Kirito é meu…
Todos se viraram para olhá-la. Suas palavras morreram quando ela caiu em si. — Umm… ele é meu…
Incapaz de terminar a frase, ela começou a murmurar, mas Kirito simplesmente sorriu e assumiu o controle por ela.
— Agradeço suas ofertas, mas sinto muito — ela prometeu me levar ao centro do mapa.
— Ah, entendo… Que pena. — Sakuya não era de exibir seus sentimentos, mas agora parecia genuinamente desapontada. Ela se virou para Leafa. — Você vai para Alne? Para fins recreativos? Ou…