Sword Art Online

Volume 3 - Capítulo 11

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— Obrigada por esperar! Algum monstro? — perguntou Leafa, levantando-se da posição agachada de uma perna só em que o jogo sempre começava. Kirito estava deitado na grama por perto e tirou um objeto verde semelhante a um canudo da boca para falar.

— Não, tudo quieto por aqui.

— O que é isso?

— Comprei vários em uma loja de artigos gerais antes de sairmos. O NPC disse que eram uma especialidade única de Swilvane.

— Nunca ouvi falar disso.

Kirito jogou o cachimbo para ela. Ela o pegou e colocou na boca, esperando que um rosto inexpressivo escondesse sua agitação. A tragada de ar que ela deu tinha um gosto doce de hortelã-pimenta.

— Agora é minha vez de deslogar. Obrigado por ficar de guarda.

— Sim, até logo.

Quando ele deslogou, seu corpo assumiu automaticamente a posição de espera agachado. Leafa sentou-se ao lado dele e olhou para o céu, soprando o cachimbo de menta, até ser surpreendida pela pequena fada que se contorceu para fora do bolso da camisa da forma imóvel de Kirito.

Pwaa! V-você consegue se mover sem seu mestre?

Yui assentiu, com as mãos na cintura pequena, como se isso fosse óbvio para qualquer um.

— Claro, sou eu. E ele não é meu mestre; ele é meu papai.

— Falando nisso, por que você o chama de Papai? Foi assim que ele definiu a relação de vocês?

— …Papai me salvou. Ele disse que eu era sua filha. O que o torna meu papai.

— Entendo… — Leafa mentiu. — Você ama seu papai?

Ela pretendia que fosse uma pergunta inocente, mas Yui a encarou com um olhar mortalmente sério.

— Leafa… o que significa amor?

— Hum, significa… — Ela parou e teve que pensar. — Você quer estar com alguém o tempo todo. Seu coração acelera quando você está perto dessa pessoa… Coisas assim, eu acho.

O sorriso de Kazuto passou por sua mente — e por algum motivo, sobrepôs-se ao rosto do avatar ajoelhado ao seu lado, de olhos fechados. Leafa prendeu a respiração. Quando percebeu que o afeto por Kazuto que ela mantinha escondido em seu coração por tanto tempo também poderia estar acontecendo com Kirito, ela teve que balançar a cabeça para clarear os pensamentos. Yui ficou confusa.

— O que foi, Leafa?

— N-n-nada de mais! — ela gritou. No instante seguinte—

— O que é nada?

— Aaah!!

Leafa literalmente pulou no ar quando percebeu que Kirito havia levantado a cabeça.

— Bem, aqui estou. Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou com indiferença para a apavorada Leafa, levantando-se da posição de espera. Ainda empoleirada em seu ombro, Yui guinchou: — Bem-vindo de volta, Papai! Eu estava conversando com a Leafa sobre o que significa estar apaixo—

— E-eu disse que não era n-nada! — Leafa a interrompeu apressadamente. — V-você voltou rápido; você comeu mesmo? — ela perguntou a Kirito para mudar de assunto.

— Sim. Minha família deixou um pouco de comida para mim.

— Que bom. Bem, vamos indo. Se não chegarmos à cidade mineradora antes que seja tarde demais, será um problema para deslogar. Vamos, estamos quase na entrada da caverna! — ela tagarelou apressadamente, para a surpresa de Kirito e Yui. Quando eles não reagiram, ela abriu as asas e as bateu algumas vezes.

— Uh, ok. Sim, vamos — ele concordou, parecendo hesitante. Ele abriu as asas, mas depois se virou para a floresta de onde tinham vindo.

— …? Algo errado?

— Sinto que… — Ele examinou a linha de árvores com uma carranca e os olhos semicerrados. — Alguém estava nos observando… Há algum jogador por perto, Yui?

— Não, não detecto nenhum sinal — relatou a pixie, balançando a cabeça. Em vez de se sentir tranquilizado, Kirito pareceu ainda mais desconfiado.

— Você sentiu? Existe um sexto sentido dentro deste jogo? — perguntou Leafa. Kirito coçou o queixo.

— Não vale a pena simplesmente descartar… Digamos que alguém esteja te observando, por exemplo. O sistema tem que nos escanear, para ler os dados que ele fornece a essa pessoa. Alguns dizem que seu cérebro pode sentir esse processo acontecendo… em teoria.

— Se você diz…

— Mas se Yui não vê ninguém, acho que devo ter imaginado.

— Bem, poderia ter sido um rastreador — ela murmurou. Kirito ergueu as sobrancelhas.

— O que é isso?

— É um feitiço de rastreamento. Ele assume a forma de um pequeno familiar e informa ao conjurador a localização do alvo do feitiço.

— Parece conveniente. Não dá para se livrar deles?

— Se você conseguir ver o rastreador, sim — mas quanto maior a habilidade mágica do conjurador, maior a distância que o feitiço funcionará do alvo. Em um lugar aberto como este, seria basicamente impossível impedi-lo.

— Entendo… Bem, pode ter sido minha mente me pregando uma peça. Vamos continuar.

— Ok.

Eles alçaram voo. A cordilheira branca se erguia acima, íngreme como penhascos, com uma boca de caverna negra e aberta bem no centro. Leafa bateu as asas, acelerando em direção à caverna de aparência maligna, que parecia emitir um frio sinistro.

Depois de alguns minutos, o grupo estava na abertura na rocha.

Bem no centro da face quase vertical da montanha havia um buraco quadrado, tão limpo como se um gigante o tivesse esculpido. Tinha três ou quatro vezes a altura de Leafa em ambas as direções. Somente de perto ficava aparente que as laterais da caverna eram decoradas com entalhes sinistros de monstros. Diretamente acima, uma cabeça de demônio muito maior ameaçava todos que entravam.

— Essa caverna tem um nome? — perguntou Kirito.

— Acho que se chama Corredor de Lugru — Lugru sendo o nome da cidade aqui embaixo.

— Ahh. Isso realmente me lembra um filme antigo de fantasia… — Ele sorriu.

Leafa olhou para ele de soslaio. Ela apostava que ele estava falando daquela trilogia muito famosa, baseada em uma série de livros ainda mais antiga. Kazuto tinha o box completo da edição de colecionador, e ela o havia pegado escondido de seu quarto uma vez para assistir à série.

— Sei qual é. Eles atravessam as montanhas e entram em uma antiga mina subterrânea, onde um demônio gigante de fogo os ataca, certo? Bem, você não encontrará nenhum demônio aqui.

— Que pena.

— Mas há orcs. Se você está tão ansioso por eles, posso deixar que você cuide da luta. — Leafa virou a cabeça e começou a marchar para dentro da caverna.

Estava frio dentro da passagem, e a luz de fora não penetrava muito em suas profundezas. A escuridão os envolveu. Ela estava prestes a levantar a mão e lançar um feitiço de luz quando um pensamento lhe ocorreu.

— Você tem melhorado suas habilidades mágicas? — ela perguntou a Kirito.

— Uhh, se for a magia inicial que recebi desta raça, pelo menos, sim… Mas não a usei muito.

— Spriggans são bons com magia para cavernas, masmorras e coisas do tipo. Você deve ter um feitiço de luz melhor que minha magia de vento.

— Você sabe o que eu devo usar, Yui? — ele perguntou, coçando a cabeça. Yui colocou a cabeça para fora do bolso dele e assumiu seu melhor tom de educadora.

— Você deveria pelo menos ler o manual, Papai! O feitiço de luz é…

Ela enunciou as sílabas do feitiço claramente, uma de cada vez. Kirito as repetiu desajeitadamente com a mão no ar. Logo, um pulso de luz pálida se espalhou de sua mão, e quando envolveu o corpo de Leafa, ela pôde ver muito melhor do que antes. Aparentemente, não era uma simples fonte de luz, mas um tipo de feitiço de visão noturna que melhorava a visão deles no escuro.

— Uau, isso é útil! Vocês, spriggans, não são tão ruins, afinal.

— Ei, isso meio que magoa.

— Hee-hee! Mas você realmente deveria memorizar os feitiços que tem. Mesmo a magia de spriggan, por pior que seja, pode significar a diferença entre a vida e a morte… uma vez na vida, outra na morte.

— Uau, isso magoa ainda mais!

Eles trocaram provocações enquanto desciam pela passagem sinuosa. Com o tempo, a luz da entrada desapareceu de vista.

— Uhhm… Ahr-dena-r… ray…

Kirito estava debruçado sobre o manual de jogo roxo brilhante, murmurando para si mesmo as palavras desconhecidas do feitiço.

— Não vai funcionar se você tropeçar em cada parte. Não tente apenas memorizar mecanicamente todos os sons das palavras. Aprenda o significado de todas as Palavras de Poder; então fica fácil decifrar os feitiços com base nas combinações e seus efeitos.

Em vez de inspirar o espadachim negro a aprender mais, essa sugestão fez com que sua cabeça caísse com um suspiro profundo.

— Eu pensei que jogava para fugir de aprender vocabulário estrangeiro…

— Só para você saber, os feitiços de nível mais alto são compostos por cerca de vinte palavras cada.

— Ugh… Acho que vou continuar sendo um lutador puro.

— Sem reclamar! Agora comece de novo, do início.

Eles estavam na caverna há duas horas. As dez ou mais batalhas contra orcs haviam sido fáceis, e eles não tinham medo de se perder, graças ao mapa que Leafa comprou em Swilvane. De acordo com aquele mapa, eles estavam quase em uma ponte que atravessava um enorme reservatório subterrâneo. Do outro lado daquela ponte ficava a cidade mineradora de Lugru.

Lugru não era tão grande quanto a gigantesca fortaleza subterrânea que era a capital do território dos gnomos, mas os minérios e veios eram ricos ali, e muitos mercadores e artesãos eram atraídos para lá. No entanto, apesar disso, eles não encontraram outros jogadores em sua viagem. A caverna não era o melhor local para caça, e a maioria dos sylphs evitaria um lugar onde sua vantagem no voo era de pouca utilidade. Havia espaço suficiente nos corredores para voar, mas sem luz solar ou luar para reabastecer a energia das asas, não havia como recuperar a carga.

A maioria dos sylphs que queriam visitar Alne para fins comerciais ou turísticos escolhia o desvio muito mais longo ao norte para o território dos cait sith, evitando assim as montanhas. Os cait siths, reconhecidos por suas orelhas e caudas felinas, eram especialistas na habilidade de Domar, que lhes permitia controlar monstros e animais. Ao longo do ano de história em ALO, os cait siths haviam negociado montarias domadas com os sylphs, e eles mantinham boas relações. Os senhores de cada território permaneceram amigáveis, e alguns até diziam que haveria uma aliança oficial em breve.

Leafa tinha vários amigos cait sith e considerou usar essa rota para esta viagem, mas a pressa óbvia de Kirito a levou a escolher o caminho mais curto. A rota subterrânea a deixava inquieta, mas até agora, o trajeto tinha sido rápido.

Mas os motivos de Kirito para correr para Alne e a Árvore do Mundo ainda eram um mistério para ela. Sua atitude distante tornava difícil ler sua mente, mas a forma como ele arrasava em suas batalhas dizia muito sobre sua pressa.

Leafa se lembrou dele dizendo que estava procurando por alguém. Tentar encontrar alguém em um jogo que não podia ser contatado na vida real não era uma história tão estranha. Havia um quadro de avisos em frente à loja de artigos gerais que estava sempre cheio de avisos de procura por jogadores específicos. Geralmente tinha a ver com ressentimentos a serem resolvidos ou envolvimentos românticos, mas isso não parecia se aplicar a Kirito. Procurar em Alne fazia sentido — mas por que a Árvore do Mundo? Era um território não conquistado até aquele ponto. Eles poderiam chegar ao pé da árvore, mas não conseguiriam chegar ao topo…

Ela continuou a ponderar sobre esse mistério enquanto Kirito tropeçava nas palavras de seu feitiço. Estar perdida em pensamentos em território neutro era uma ótima maneira de ser morta, mas Yui os alertava sobre a presença de monstros próximos com uma precisão assustadora, então não havia perigo de emboscada.

Vários minutos depois, quando estavam quase no lago, Leafa foi tirada de seu torpor — não por Yui, mas por um efeito sonoro muito parecido com o toque de um telefone antigo.

Ela ergueu a cabeça sobressaltada e chamou por Kirito.

— Ack! Recebi uma mensagem. Desculpe, espere um pouco.

— Claro.

Ela parou e tocou no ícone flutuante logo abaixo de seu peito. Uma janela se abriu imediatamente e, infelizmente, Leafa sabia exatamente de quem era — seu único amigo registrado no jogo era Recon. Ela leu a mensagem rapidamente, esperando que fosse algo sem importância. Mas…

EXATAMENTE COMO PENSAMOS! TOME CUIDADO, S—

A mensagem terminava abruptamente, no meio.

— O que é isso? — ela murmurou. Não fazia sentido. O que ele pensava? Com o que ela deveria ter cuidado? E o que aquele s no final deveria significar? Se ele estivesse assinando a mensagem, seria um R. Ele enviou a mensagem acidentalmente antes de terminar, ou apertou a letra extra por engano?

— S, s, s… sa… shi… su?

— O que há de errado? — perguntou Kirito. Assim que ela estava prestes a descrever a mensagem, Yui colocou a cabeça para fora do bolso da camisa dele.

— Papai, estou detectando algo se aproximando.

— Monstros? — Ele colocou a mão no cabo da espada gigante pendurada em suas costas. Mas Yui balançou a cabeça.

— Não, jogadores. Muitos deles… doze.

— Doze?! — Leafa ficou atônita. Era um número muito grande para um grupo de batalha comum. Talvez fosse uma caravana de comércio sylph a caminho de Lugru ou Alne.

Cerca de uma vez por mês, uma grande caravana comercial era organizada para fazer uma viagem ao centro do mapa. Mas isso era sempre amplamente anunciado por vários dias antes da jornada, a fim de recrutar voluntários. Não havia notícias desse tipo no quadro de avisos quando ela verificou esta manhã.

Enquanto aquele grupo misterioso fosse composto por sylphs, não havia motivo para temer. Parecia altamente improvável que uma gangue de PK tão grande estivesse esperando em um lugar solitário como este. Mas, apesar de tudo isso, Leafa se sentia inquieta.

— Tenho um mau pressentimento sobre isso. Deveríamos nos esconder e deixá-los passar.

— Mas… onde? — Kirito olhou ao redor, confuso. Eles estavam no meio de um corredor longo e reto. Era espaçoso, mas não havia ramificações para se esconderem.

— Deixe isso comigo. — Leafa sorriu com confiança, pegando o braço de Kirito e puxando-o para uma reentrância na rocha. Ela se aninhou perto dele, tentando evitar se sentir constrangida, e ergueu a mão para um feitiço.

Um vórtice de ar verde brilhante surgiu de seus pés e envolveu os dois. A visão deles ficou com uma leve tonalidade verde, mas isso significava que seriam praticamente invisíveis do lado de fora. Ela se virou para Kirito ao seu lado e sussurrou: — Fale o mais baixo possível. Se fizer muito barulho, o feitiço se quebrará.

— Entendido. Um feitiço bem útil.

Kirito examinou o espaço fora do véu de vento. Yui sussurrou de seu bolso.

— Eles aparecerão em dois minutos.

Leafa e Kirito se pressionaram contra a parede de rocha. Após vários segundos tensos, Leafa ouviu o som de passos se aproximando. Ela achou ter ouvido o arrastar de armaduras de metal pesado, o que a fez parar.

Kirito esticou o pescoço e espiou na direção do grupo não identificado.

— O que… é aquilo?

— O que é o quê? Ainda não os vejo.

— Não parece um jogador… É um monstro? É como um pequeno morcego vermelho…

— ?!

O fôlego de Leafa ficou preso na garganta. Ela apertou os olhos na escuridão — e viu que uma pequena sombra vermelha estava de fato voando em direção a eles.

— Droga!

A maldição saiu de sua garganta, sem ser convidada. Ela rolou para fora do esconderijo para o meio do corredor. O feitiço de ocultação foi quebrado, e Kirito olhou para cima apressadamente, confuso.

— E-ei, qual é a ideia?

— Isso é um Rastreador Buscador — é um feitiço de alto nível! Temos que esmagá-lo antes que nos encontre!

Ela estendeu ambas as mãos à sua frente e começou a entoar. Era uma lista de palavras mais longa do que antes e, quando terminou, inúmeras agulhas de verde esmeralda dispararam de seus dedos. Elas gritaram pelo ar e caíram sobre a sombra vermelha.

O morcego se esquivou agilmente, evitando os projéteis por um tempo, mas o número deles era grande demais. Várias agulhas finalmente o derrubaram no chão, onde ele se transformou em uma pequena chama. Satisfeita por o trabalho estar feito, Leafa se virou para Kirito e gritou: — Temos que correr para a cidade, Kirito!

— Hã? Não deveríamos nos esconder de novo?

— O inimigo sabe que matamos seu rastreador. Assim que chegarem a este ponto, eles soltarão um enxame de buscadores — não podemos mais nos esconder. Além disso, aquele era um familiar de fogo, o que significa que o grupo em nosso encalço são—

— Salamandras! — ele terminou. A marcha metálica pesada estava se aproximando. Leafa se virou e vislumbrou uma luz vermelha na escuridão.

— Vamos.

Eles saíram correndo.

Leafa verificou seu mapa enquanto se moviam, notando que o caminho atual os levaria a um grande lago subterrâneo em breve. O túnel da caverna se transformava em uma ponte que dividia o lago, e do outro lado estava o portão de Lugru, a cidade mineradora. Em cidades neutras como essa, não havia ataques entre facções de jogadores, então, apesar de seu número, o inimigo não poderia feri-los ali.

Mas por que um grupo tão grande de salamandras…?

Leafa mordeu o lábio. A presença do rastreador significava que eles a estavam seguindo o tempo todo. Mas a habilidade de busca de Yui estava em pleno efeito desde que deixaram Swilvane. Eles não deveriam ter tido a chance. A única maneira de terem feito isso era se o feitiço tivesse sido lançado neles enquanto estavam na cidade.

Havia sylphs que podiam usar magia de fogo, é claro. Cada raça de fada tinha afinidade com um certo tipo de magia — magia do vento para os sylphs, magia da terra para os gnomos, e assim por diante — mas qualquer jogador poderia aprender qualquer magia, desde que se esforçasse o suficiente para isso.

Mas aquele morcego vermelho que ela esmagou era um feitiço de alto nível que combinava as habilidades de perseguição de um rastreador e as habilidades de vidência de um buscador. Seria um esforço hercúleo para um não-salamandra aprender um feitiço de fogo tão avançado. O que significava…

— Havia uma salamandra dentro de Swilvane? — ela murmurou para si mesma enquanto corriam. Mas isso era quase impensável. Swilvane era comparativamente aberta a outras raças, mas as salamandras eram inimigas e estavam sujeitas a um escrutínio considerável. Se os poderosos guardiões NPC tivessem notado alguma, eles teriam avançado com as lâminas em punho. Havia pouquíssimas maneiras de evitar esse tipo de proteção…

— Ei, o lago!

O grito de Kirito trouxe Leafa de volta ao assunto em questão. Ela olhou para cima para ver o chão de pedra áspera se transformando em paralelepípedos à frente, seguido por uma ampla abertura e o brilho opaco da água azul-escura.

A ponte de pedra se estendia diretamente sobre o centro do lago até alcançar o imponente portão do castelo de Lugru do outro lado, com seu muro chegando até o teto da enorme câmara. Se eles conseguissem entrar na cidade, teriam vencido o jogo de pega-pega.

Momentaneamente aliviada, ela se virou para olhar para trás novamente. Ainda havia uma grande distância entre eles e a luz vermelha de seus perseguidores. Ela redobrou o ritmo de sua corrida, sentindo-se confiante.

A temperatura estava um pouco mais fria sobre a ponte. Eles correram pelo ar pesado com o cheiro de água.

— Parece que vamos conseguir.

— Não seja descuidado e caia na água — há um monstro enorme no lago.

Assim que chegaram a uma plataforma de observação circular no centro da ponte, dois pontos de luz atravessaram a escuridão sobre suas cabeças, vindo de trás. Era o brilho e o som característicos de um explosivo mágico. Sem dúvida, as salamandras os haviam disparado em desespero, mas não conseguiram mirar com precisão.

Eles diminuíram a velocidade, preparando-se para deixar as bombas caírem e depois passar correndo por elas. As luzes caíram cerca de nove metros à frente.

Leafa ergueu o braço direito na frente do rosto, preparando-se para a explosão, mas o que ocorreu a surpreendeu. Houve um rugido pesado e retumbante, e uma imponente parede de rocha se ergueu da superfície da ponte à frente, bloqueando seu progresso. Ela fez uma careta e sibilou uma maldição.

— Ah, não…

— O que—?

Os olhos de Kirito se arregalaram, mas ele não diminuiu a velocidade. Ele sacou ruidosamente a espada de suas costas e a brandiu enquanto avançava contra a parede de rocha.

— Ei — Kirito! — Ela não teve tempo de lhe dizer que não funcionaria. Ele atingiu a parede com toda a sua força e depois voou para trás, caindo de bunda. Não havia sequer um arranhão na face de rocha marrom.

— …É inútil — ela terminou, abrindo bem as asas para parar ao lado de Kirito. O spriggan olhou para ela.

— Você poderia ter me dito isso antes…

— Não com a rapidez com que você correu. Esta é uma barreira de magia da terra; ataques físicos não a ferirão. Com feitiços de ataque suficientes, podemos derrubá-la, mas…

— Não temos tanto tempo.

Eles se viraram e viram um grupo de pessoas vestidas com armaduras vermelho-sangue brilhantes começando a entrar na ponte.

— Suponho que… não poderíamos simplesmente voar ao redor dela. Talvez pular na água? — perguntou Kirito, mas ela balançou a cabeça.

— Não. Como acabei de dizer, dizem que há um dragão aquático de nível ultra-alto neste lago. Pular aí sem a ajuda de uma undine é suicídio.

— Então, acho que só nos resta lutar.

Ele preparou sua espada gigante novamente enquanto Leafa assentia, mordendo o lábio. — É nossa única opção… mas não é boa. Este é um feitiço de magia da terra de nível muito alto para uma salamandra usar. Deve haver um mago especialista em suas fileiras.

Graças à largura estreita da ponte, era pelo menos uma garantia de que o inimigo não poderia cercá-los. Mas eram dois contra doze, e eles não podiam voar na masmorra. Leafa nem sequer podia usar sua maior habilidade, o combate aéreo.

Tudo se resumiria a quão forte era cada um dos lutadores inimigos.

Não podemos realmente depositar nossas esperanças nisso, pensou Leafa. Ela sacou sua longa katana e ficou ao lado de Kirito. Ela podia distinguir claramente a força inimiga agora, que marchava pesadamente. Três grandes salamandras estavam na frente, cobertas por uma armadura mais espessa do que o grupo que haviam encontrado no outro dia. Cada uma tinha uma arma ameaçadora na mão esquerda e um grande escudo de metal na direita.

Algo chamou a atenção de Leafa. Por causa da simulação realista de ALO, a lateralidade no jogo era a mesma da vida real. A probabilidade de todos os três serem canhotos era baixa.

Mas antes que ela pudesse expressar sua suspeita, Kirito falou.

— Não é que eu não confie em sua habilidade em batalha, mas… você acha que poderia cuidar do suporte desta vez?

— Hã?

— Quero que você fique para trás e se concentre na cura. Isso tornará mais fácil para mim lutar.

Ela olhou novamente para a espada de dois gumes em suas mãos. Ele tinha razão — seria muito difícil usar tal arma em um espaço pequeno enquanto tomava cuidado para não atingir sua aliada. Ser uma curandeira não era o estilo de Leafa, mas ela assentiu para ele e recuou até que suas costas estivessem quase contra a parede mágica. Eles não tinham tempo para discutir sobre quem faria o quê.

Kirito se agachou e girou, puxando a espada o mais para trás que pôde. As três salamandras líderes avançaram com a força de um tsunami. O corpo pequeno de Kirito se contorceu até que ela quase pudesse ouvi-lo ranger. Leafa podia praticamente ver a energia reprimida se acumulando ao redor dele. A distância diminuiu, até que—

— Sey!!

Com um grito, Kirito avançou com o pé esquerdo e balançou sua espada azul brilhante em um arco plano contra o trio de guerreiros carmesins. O ar gritou ao ser dividido, e a ponte tremeu com sua força. Foi o golpe mais poderoso que Leafa já vira Kirito desferir. No entanto…

— Hã?!

Ela olhou chocada. As três salamandras não levantaram suas armas. Em vez disso, se aglomeraram, erguendo seus escudos pesados para formar uma barreira protetora.

Houve um clangor ensurdecedor quando a espada de Kirito atingiu a linha de escudos. O choque eletrificou o ar, e ondas se espalharam pela superfície do lago. Mas os soldados permaneceram firmes contra seu ataque e foram empurrados para trás apenas alguns centímetros.

Leafa verificou apressadamente o HP deles. Cada um dos guerreiros havia perdido mais de 10 por cento. Mas logo o som de feitiços ecoou por trás deles, e seus corpos começaram a brilhar em um azul claro. Múltiplos feitiços de cura reabasteceram sua saúde ao máximo instantaneamente.

No momento seguinte, numerosas bolas de fogo laranja dispararam por trás da fortaleza de aço que era a linha de escudos, arqueando em direção ao teto da grande câmara da caverna antes de mergulhar na localização de Kirito.

Uma grande explosão tingiu a superfície do lago de um vermelho profundo, engolindo a pequena figura vestida de preto.

— Kirito! — gritou Leafa. Sua barra de HP despencou até a zona amarela. Na verdade, dada a variação extremamente pequena nos valores de HP dos jogadores em ALO, era um milagre que não o tivesse matado imediatamente. Ela nunca tinha visto um ataque mágico tão preciso e concentrado. Com um arrepio, ela entendeu de repente a estratégia do inimigo.

Eles claramente sabiam que Kirito possuía um ataque físico avassalador, e haviam elaborado essa tática para neutralizá-lo.

Os três pesos-pesados da frente não fizeram menção de atacar. Eles simplesmente mantiveram a linha com seus escudos grossos. Não importava o quão poderosa fosse a espada de Kirito, ela não poderia infligir um golpe fatal se ele nunca alcançasse seus corpos. Os nove restantes atrás deles eram provavelmente todos magos. Alguns deles se concentravam em curar os guardas, e os outros despejavam suas chamas projéteis. Era o tipo de formação que os jogadores assumiam para enfrentar um monstro chefe poderoso.

Mas por quê? Por que um grupo tão grande se reuniria apenas para ir atrás de Kirito e Leafa?

Leafa deixou essa pergunta em segundo plano enquanto preparava um feitiço de cura. Kirito reapareceu das chamas moribundas, e ela lançou o melhor feitiço de cura que conhecia. Sua barra de HP começou a se reabastecer imediatamente, mas estava claro que isso não faria muito a longo prazo.

Kirito também entendeu a estratégia do inimigo. Talvez sentindo que uma batalha prolongada era impossível de vencer, ele imediatamente se virou para os portadores de escudo, com a espada pronta.

— Rahhh!!

A espada negra reluzente colidiu com os escudos, enviando uma chuva ofuscante de faíscas.

Mas a batalha já havia se transformado em um jogo de números fatalista.

O dano que Kirito infligia a cada golpe era recuperado pelos magos da retaguarda e seus feitiços de cura. No momento seguinte, os outros magos lançavam seus feitiços de ataque de longo alcance, chovendo fogo sobre ele.

Era o tipo de batalha que Leafa menos gostava: presa em um padrão, sem espaço para a habilidade pessoal influenciar o resultado. O único fator que determinaria essa luta era se a mana dos magos ou a saúde de Kirito se esgotaria primeiro. O resultado era claro.

Mais uma chuva de bolas de fogo envolveu Kirito. A torrente de luz laranja o ergueu e o jogou para trás no chão.

ALO não recriava nenhum tipo de "dor" em seu feedback sensorial, mas das sensações que apresentava, um golpe direto de magia explosiva era um dos mais desagradáveis. Um rugido abalava o cérebro, a pele queimava e ardia, e o senso de equilíbrio era atingido por uma onda de choque. Os efeitos às vezes podiam se transferir para o corpo real, causando dores de cabeça e tonturas que duravam várias horas.

— Rrh… aaagh!

Mas toda vez que Kirito era atingido, ele se levantava e balançava sua espada novamente. Mesmo enquanto ela cantava feitiços de recuperação impotente, Leafa podia sentir sua dor vicariamente. Era apenas um jogo. Qualquer um desistiria diante dessas probabilidades. Doía perder, mas, dados os sistemas matemáticos subjacentes ao jogo, haveria momentos em que seria numericamente impossível vencer. Então por quê…?

Leafa não suportava mais ver isso acontecer com Kirito. Ela correu alguns passos mais perto e gritou: — Está tudo bem, Kirito! São apenas mais algumas horas de voo de Swilvane para recomeçar! E podemos comprar de novo os itens que perdemos. Isso é inútil!

Mas Kirito mal virou a cabeça, sua voz baixa.

— Não.

Seus olhos estavam vermelhos com o reflexo do fogo que os cercava.

— Enquanto eu estiver vivo, não vou tolerar ver um membro do grupo ser morto. É a única coisa que me recuso a permitir.

Ela ficou atônita em silêncio.

Diferentes jogadores tinham reações diferentes a uma situação impossível de vencer. Alguns tentavam rir sem graça, alguns fechavam os olhos e se enrijeciam quando o momento chegava, e alguns continuavam a balançar descontroladamente enquanto podiam. Mas não importava a reação, todos que jogavam o jogo gradualmente se acostumavam a essa "morte" virtual. Era uma parte inevitável de jogar um VRMMORPG, e cada jogador tinha que encontrar aceitação à sua própria maneira. Caso contrário, o jogo não era um jogo.

Mas Leafa nunca tinha visto nada como a luz que brilhava nos olhos de Kirito. Eles estavam transbordando de um desejo feroz de superar as probabilidades matemáticas impossíveis contra os dois guerreiros e encontrar um caminho para a sobrevivência. Por um instante, ela até esqueceu que estavam dentro de um jogo, um mundo virtual.

— Raaahhh!!

Kirito berrou, fazendo o próprio ar tremer. No instante em que o fogo do inimigo cedeu, ele fez outra investida imprudente contra a parede de escudos. Ele passou a espada para a mão direita e fez uma tentativa feroz com a esquerda de agarrar o canto de um escudo e arrancá-lo. A linha de salamandras se quebrou com esse movimento inesperado. Ele enfiou a espada no pequeno espaço que se abriu em sua defesa.

Leafa jogava desde o início e nunca tinha visto nada parecido. Ele havia quebrado a defesa da linha de escudos à queima-roupa sem usar magia alguma. Não era nem mesmo um ataque adequado; não causaria nenhum dano real. Mas esse ato de aparente loucura causou gritos de alarme por trás da parede.

— Droga! O que ele pensa que está—?

De repente, uma voz baixa soou no ouvido de Leafa. — Esta é a nossa única chance!

Ela olhou e viu Yui empoleirada em seu ombro.

— Chance…?

— A única variável incerta é o estado mental do inimigo. Use toda a sua mana restante para se proteger do próximo ataque, de qualquer maneira que puder!

— M-mas isso seria…

Como cuspir no oceano, ela não conseguiu terminar. Mas Yui, supostamente apenas uma IA rudimentar, estava olhando diretamente em seus olhos com a mesma força de vontade que acabara de ver em Kirito.

Leafa assentiu em compreensão e ergueu os braços sobre a cabeça. Os magos inimigos já estavam entoando o próximo feitiço de bola de fogo. Mas era mais lento do que o normal, talvez porque estivessem tentando sincronizar seu lançamento. Ela recitou as palavras do feitiço o mais rápido que pôde. Um deslize da língua e todo o feitiço falharia, mas ela não tinha escolha. Seus lábios e língua se moveram o mais agilmente possível.

Ela foi apenas um instante mais rápida para terminar seu lançamento. Inúmeras pequenas borboletas explodiram de suas mãos estendidas e envolveram o corpo de Kirito.

No momento seguinte, o feitiço inimigo foi disparado. Outra onda de bolas de fogo atravessou o ar, descendo com um guincho como um bombardeio. Flores de fogo pousaram em Kirito enquanto ele se agarrava à parede de escudos.

— Hrgh!

Leafa protegeu o rosto da pressão da explosão e cerrou os dentes. Cada vez que o campo mágico protetor de Kirito cancelava uma bola de fogo explosiva, ela perdia um pedaço de sua barra de MP. Beber uma poção de mana nunca a traria de volta a tempo. Assim que ela se perguntava o que, se é que alguma coisa, este único ato de proteção lhes estava rendendo, Yui gritou com uma voz penetrante.

— Agora, Papai!!

Leafa fixou os olhos para frente, sobressaltada. Em meio às chamas carmesins, Kirito se endireitou, com a espada em riste. Ela podia ouvir trechos de um encantamento e consultou sua memória para identificar as palavras que captou.

Mas aquilo não era… magia de ilusão?

Ela prendeu a respiração por um momento, depois rangeu os dentes. Kirito estava lançando um feitiço de ilusão que transformava a aparência de um jogador na de um monstro. Era considerado virtualmente inútil em batalha. Um processo aleatório determinava qual monstro, dependendo do poder de ataque do conjurador, mas na maioria dos casos o resultado era um mob fraco e pouco impressionante. Além disso, como as estatísticas do jogador não eram afetadas de forma alguma, havia pouco ou nenhum medo da transformação.

A mana de Leafa havia caído vertiginosamente até ficar abaixo de 10 por cento. Ela havia seguido a liderança de Yui nesta jogada de dados, e os dados a haviam traído.

Mas ela não podia culpá-los. Em um jogo tão dependente de habilidades como este, o conhecimento era a maior parte da força. Kirito havia começado nos últimos dias, e seria cruel esperar que ele entendesse a utilidade de cada uma das inúmeras palavras de feitiço do jogo.

Ela colocou sua última força em sua mão. A rodada final das bolas de fogo do inimigo pousaria no mesmo momento em que seu campo protetor se extinguisse. Uma explosão de fogo ainda maior irrompeu e se dissipou lentamente.

— Hã…?

Uma sombra negra vacilante emergiu da parede de fogo. Por um instante, ela pensou que seus olhos estavam lhe pregando uma peça. Era simplesmente grande demais para ser verdade.

Tinha pelo menos o dobro da altura das imponentes salamandras. Olhando mais de perto, parecia ser um gigante, com as costas curvadas.

— É… você, Kirito? — ela murmurou. Era a única possibilidade. Claramente, esta era a figura transformada de Kirito após seu feitiço de ilusão — mas o tamanho

Enquanto Leafa permanecia paralisada, a sombra negra lentamente ergueu a cabeça. Não era um gigante. A cabeça era alongada como a de uma cabra, e dois longos e malévolos chifres se curvavam para trás. Os olhos redondos brilhavam em vermelho, e um sopro de chamas lambia entre suas presas.

A pele negra como breu de sua parte superior do corpo era nodosamente musculosa, e seus braços fortes eram longos o suficiente para tocar o chão. Uma cauda sinuosa, como um chicote, se estendia de sua cintura. A única palavra para descrever sua aparência era demoníaca.

As salamandras congelaram, como se suas almas tivessem sido removidas. O demônio negro lentamente virou a cabeça para o teto e rugiu.

— Groaaahh!!

Desta vez não era hipérbole — a terra realmente tremeu. O medo primitivo brotou do fundo de seus seres.

— Eeyaah!!

Uma das salamandras na linha de frente recuou alguns passos, gritando de terror. O monstro avançou com uma velocidade aterrorizante. Uma mão com garras se inseriu no espaço entre os escudos, e um dedo perfurou o guerreiro fortemente armado — e no instante seguinte, a salamandra desapareceu, com apenas uma Chama Final vermelha em seu lugar.

— O qu—?!

As outras duas salamandras da frente proferiram gritos idênticos de alarme ao ver seu parceiro derrubado com um só golpe. Elas baixaram seus escudos e brandiram suas armas com a mão esquerda, recuando.

Um grito furioso surgiu dos magos na retaguarda, muito provavelmente do líder do grupo.

— Não quebrem a formação, seus tolos! É apenas a aparência e o alcance dele! Ele não pode nos ferir se vocês se mantiverem protegidos!

Mas os guerreiros não lhe deram atenção. O demônio negro rugiu ensurdecedoramente e atacou, engolindo o homem à direita com suas mandíbulas maciças e erguendo o da esquerda em suas garras. Ele os esmagou ferozmente, e dois estalos consecutivos sinalizaram seu fim. As pequenas chamas vermelhas explodiram de seus corpos como se fossem sangue.

No espaço de menos de dez segundos, todos os três guerreiros da frente foram aniquilados. Seu líder recuperou a compostura e latiu novas ordens, e os magos começaram a lançar feitiços novamente. Mas estes eram magos puros, vestidos apenas com luvas vermelhas — muito diferentes dos lutadores robustos que haviam mantido a defesa. O demônio de ébano sibilando um sopro malévolo estava tendo um efeito psicológico muito maior do que tais feitiços jamais conseguiram, e os magos estavam apavorados. Sua velocidade de conjuração era muito mais lenta do que antes.

Antes que pudessem terminar o lançamento, o demônio desferiu um golpe vicioso no grupo de feiticeiros. Os dois da frente foram arremessados como trapos, desintegrando-se em fogo vermelho no meio do arco. O ar se encheu com o som de gritos e o quebrar de vidro. Sem pausa, o grande tronco de seu braço esquerdo avançou, e mais duas salamandras foram lançadas para o lado.

O líder, reconhecível por seus acessórios mágicos mais esotéricos, que antes estava seguro no meio do grupo, agora estava exposto, seu rosto magro uma máscara de pânico. Ele atrapalhou seu feitiço atual, e o brilho entre suas mãos se apagou em uma nuvem de fumaça preta.

O demônio de Kirito deu um passo retumbante para frente e soltou outro berro. O líder das salamandras soltou um pequeno grito ofegante e acenou com as mãos impotente. — R-recuar! Recu—

Mas ele não conseguiu terminar.

O demônio se agachou momentaneamente, depois saltou para frente. Ele pousou no meio dos magos amontoados, a ponte tremendo com o impacto. O que aconteceu depois não poderia ser generosamente chamado de "batalha".

Cada vez que as garras do demônio se estendiam, uma Chama Final surgia. Um deles se jogou bravamente para frente com seu cajado, mas as presas da besta o devoraram de cima a baixo antes que ele pudesse dar um único golpe.

O líder evitou agilmente o raio da explosão, mas prontamente se jogou para o lado da ponte, evidentemente desistindo da luta como perdida. Uma fonte de água irrompeu onde ele pousou, e ele começou a nadar com velocidade considerável para a margem oposta.

Com um equipamento total abaixo de um certo nível de peso, não havia medo de afundar em ALO. Esta foi uma boa notícia para o mago, que se afastou rapidamente da ponte — até que uma sombra enorme emergiu sob a água.

Um momento depois, houve um forte mergulho, e o líder desapareceu sob a superfície. Apenas sua respiração borbulhou enquanto a sombra descia para as profundezas. Antes de desaparecer completamente, o brilho fraco de uma chama vermelha cintilou lá de baixo.

O demônio de Kirito não demonstrou interesse na morte do líder inimigo. Ele ergueu a última vítima, que gritava, em suas mãos, e depois puxou ambas as extremidades como se o estivesse partindo em dois.

Atônita em transe com a cena de violência avassaladora, Leafa finalmente voltou a si.

— Não, Kirito! Deixe-o vivo! — ela gritou, correndo em sua direção enquanto Yui comentava com indiferença sobre a impressionante onda de derramamento de sangue que acabara de ocorrer. O demônio parou e se virou, soltando o corpo da salamandra no ar com um grunhido insatisfeito.

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