Sword Art Online

Volume 2 - Capítulo 16

Sword Art Online

Pela primeira vez em um ano inteiro jogando Sword Art Online, meu HP caiu na zona vermelha e permaneceu lá.

Quando o chefe finalmente caiu e explodiu, deixando apenas seu saco para trás, eu não tinha um único cristal de recuperação sobrando. Eu estive mais perto da morte do que nunca, mas apesar da minha sobrevivência por um triz, não senti alegria da vitória ou alívio. Foi quase uma sensação de desapontamento. Ah, eu ainda estou vivo.

O saco de presentes se estilhaçou em fragmentos de luz enquanto eu lentamente retornava minha espada à bainha. Todos os itens que o chefe derrubou teriam sido adicionados automaticamente ao meu inventário. Suspirei pesadamente e levantei uma mão trêmula para abrir a janela.

Havia um número quase nojento de itens novos na tela: armas e armaduras, várias joias e cristais, até ingredientes de comida. Rolei cuidadosamente pela longa lista, procurando por uma única coisa.

Alguns segundos depois, ele apareceu na minha frente, tão naturalmente que me pegou de surpresa.

Estava rotulado como a PEDRA SAGRADA DO RENASCIMENTO. Meu coração instantaneamente voltou à vida — parecia que a paralisia que o afligiu nos últimos dias e meses estava finalmente passando, e o sangue fluía por ele novamente.

Eu realmente, verdadeiramente seria capaz de trazer Sachi de volta? Era possível que Keita e Tetsuo e todos os outros que morreram em SAO pudessem não ter perdido suas almas, afinal de contas…?

Eu talvez possa ver Sachi novamente. O pensamento fez meu coração tremer. Não importava os insultos que ela pudesse lançar contra mim, não importava as mentiras das quais ela pudesse me acusar com razão, desta vez eu a abraçaria e diria a ela. Não que ela não morreria, mas que eu a protegeria. Que eu me tornei muito mais forte apenas para esse propósito.

Meus dedos trêmulos hesitaram várias vezes, mas finalmente tirei a Pedra Sagrada do meu inventário. A joia do tamanho de um ovo pairava radiante sobre minha janela de status, brilhando lindamente com as cores do arco-íris.

— Sachi… Sachi…

Chamei o nome dela enquanto clicava na joia e apertava o botão de AJUDA. Uma descrição simples apareceu naquela fonte familiar do sistema.

“Ao selecionar o comando Usar nesta janela pop-up ou chamar o comando ‘Reviver: (Nome do Jogador)’ com ela em sua mão, o jogador alvo pode ser trazido de volta à vida durante o breve período (aproximadamente dez segundos) entre a morte e a conclusão do efeito visual de desintegração.”

Aproximadamente dez segundos.

Aquela pequena frase me disse nos termos mais claros e cruéis que Sachi estava morta, e ela nunca mais voltaria.

Aproximadamente dez segundos. Esse foi o tempo que o NerveGear levou para fritar o cérebro real do jogador depois que seu HP chegou a zero e seu avatar se desfez em pedaços.

Eu não pude deixar de imaginar. Quando o corpo de Sachi desapareceu, apenas dez segundos depois, o NerveGear em sua cabeça matou sua usuária. Sachi sofreu? O que ela pensou naqueles dez segundos finais? Ela me amaldiçoou até seu último momento…?

— Aaah… aaaahhh…

Saiu de mim como um guincho de animal. Peguei a Pedra Sagrada que flutuava acima da minha janela e a atirei com toda a minha força contra a neve.

— Aaaaaaahhh!!

Pisei nela com minhas botas repetidamente enquanto gritava, mas a joia continuou brilhando, sem expressão. Não se partiu ao meio; nem sequer rachou. Eu rugi com todo o meu ser, caí de mãos no chão e esgaravatei a neve descontroladamente, rolei de um lado para o outro como se estivesse possuído.

Não tinha sentido. Tudo tinha sido em vão. O medo, a dor e a morte de Sachi, minha luta insana contra o chefe de Natal, até mesmo o nascimento deste mundo e o aprisionamento de dez mil pessoas inocentes dentro dele. Não havia sentido em nada disso. Neste momento, entendi perfeitamente que esta era a única verdade absoluta de SAO.

Por quanto tempo continuei? Não importava o quanto eu gritasse e lamentasse, nunca parecia que eu ia chorar. Meu avatar não devia ter nem essa função. Eventualmente, me arrastei para ficar de pé, peguei a pedra da neve e voltei para o ponto de teletransporte que levava à área anterior.

Apenas Klein e o resto de Furinkazan restavam na clareira. A Aliança do Dragão Divino havia partido. Contei mecanicamente o grupo de Klein para confirmar que nenhum deles havia morrido enquanto me aproximava de seu líder sentado.

Klein parecia estar tão terrivelmente exausto quanto eu. Imaginei que ele tinha decidido resolver o assunto com a ADD em um duelo um contra um, mas nenhuma emoção surgiu em meu peito com o pensamento.

Ele ergueu o olhar com minha aproximação, e um alívio cruzou seu rosto por um momento. Mas ele deve ter notado minha expressão, pois sua boca se contraiu imediatamente.

— …Kirito…

Ele murmurou, com a voz rouca. Joguei o cristal em seus joelhos.

— Esse é o item de ressurreição. Você não pode usá-lo em alguém que morreu no passado. Da próxima vez que alguém morrer na sua presença, use isso nele.

Eu não tinha mais nada a dizer. Virei-me para sair, mas Klein agarrou meu casaco.

— Kirito… Kirito, cara…

Observei com curiosidade os dois rastros de lágrimas escorrendo por suas bochechas por fazer, como se fossem um fenômeno raro e desconhecido.

— Kirito… você tem que prometer… que vai sobreviver… Mesmo que todos os outros morram, você tem que continuar, cara… Viva até o fim…

Puxei meu casaco dos dedos de Klein enquanto ele continuava a chorar e a se repetir.

— Adeus — eu disse, e entrei na Floresta do Desvio.

A próxima coisa de que me lembro é de estar de volta ao meu quarto na estalagem no quadragésimo nono andar.

Eram mais de três horas da manhã.

Eu me perguntei o que faria a seguir. Minha razão para viver no último mês, a pedra da ressurreição, era real, afinal — mas não o que eu queria. Durante esse tempo, eu me transformei em motivo de chacota, um tolo faminto por pontos de experiência. Eu tinha até perdido a última amizade que me restava no final.

Após uma longa e conturbada reflexão, decidi desafiar o chefe do labirinto deste andar pela manhã. Se eu vencesse, iria direto enfrentar o chefe do quinquagésimo andar. Depois, o do quinquagésimo primeiro.

Era o único final apropriado para um palhaço tão patético. Senti-me muito melhor depois que tomei minha decisão, e sentei-me na cadeira esperando o amanhecer, sem ver e sem pensar.

A luz da lua que entrava pela janela mudou lentamente de posição, pouco a pouco, depois desapareceu, substituída pela fraca luz cinzenta do amanhecer. Eu não tinha ideia de há quanto tempo não dormia, mas por ser minha última manhã após a pior noite de todas, eu me sentia surpreendentemente bem.

O relógio na parede apontava para as sete, e eu estava apenas me levantando da cadeira quando um alarme desconhecido chegou aos meus ouvidos.

Olhei ao redor da sala, mas não consegui identificar a origem do som. Eventualmente, notei no canto da minha visão que um marcador roxo me alertando para abrir meu menu principal estava piscando. Agitei meus dedos para abri-lo.

Dentro do menu, a aba do meu inventário compartilhado com Sachi estava brilhando. Havia algum tipo de item de alarme cronometrado dentro dele. Rolei pelos itens, confuso, até encontrar um cristal de mensagem de áudio que estava programado para tocar hoje.

Eu o removi do menu e o coloquei sobre a mesa.

Quando cliquei no cristal, ouvi o som familiar da voz de Sachi.

Quando você ouvir isso, provavelmente já estarei morta. Se eu estivesse viva, teria pego este cristal e dito isso a você na véspera de Natal.

Bem… primeiro, eu provavelmente deveria explicar por que decidi gravar esta mensagem.

Eu não acho que vou sobreviver por muito tempo. Claro, eu não quero dizer isso no sentido de que eu acho que você ou qualquer um nos Gatos Pretos não é forte o suficiente. Você é um jogador incrivelmente bom, e posso dizer que todo mundo está melhorando a cada dia.

Umm, como devo explicar…? Recentemente, uma boa amiga minha morreu, alguém de outra guilda. Aquela amiga era tão medrosa quanto eu, e nunca caçava em nenhum lugar que não fosse supostamente absolutamente seguro, mas isso não importou quando um monstro a atacou sozinha no pior momento possível. Isso realmente me fez pensar por muito tempo, e eu percebi uma coisa. Se você quer sobreviver durante todo este jogo, não importa o quão fortes seus amigos são. Se você mesmo não tiver a vontade de viver, a determinação para sobreviver, você não conseguirá.

Serei honesta — eu estava com medo desde o momento em que pisei na selva pela primeira vez. Eu nunca quis deixar a Cidade dos Inícios. Eu era amiga de todos nos Gatos Pretos da Lua Cheia na vida real, e era divertido estar perto deles, mas eu nunca quis sair para caçar. E com esse tipo de atitude, eu estava destinada a morrer um dia. Não é culpa de mais ninguém. A culpa é toda minha.

Desde aquela vez, você me disse que eu ficaria bem, toda santa noite. Que eu nunca morreria. Então, se eu morrer, tenho a sensação de que você se culpará terrivelmente. Você nunca vai querer se perdoar. É por isso que decidi gravar esta mensagem: para te dizer que não é sua culpa. Eu queria te dizer que a culpa é minha. Eu programei o timer desta mensagem para o próximo Natal porque queria tentar durar até lá, pelo menos. Quero andar pela cidade com você enquanto a neve cai.

Para dizer a verdade… eu sei o quão forte você é. Uma vez, quando eu estava na sua cama, acordei e vi sua janela aberta por cima do seu ombro.

Eu tentei o meu melhor para pensar por que você trabalharia conosco, mas esconderia seu nível real, e ainda não entendo. Mas imaginei que você me contaria eventualmente, então fiquei quieta sobre isso. Eu… eu fiquei muito feliz em saber o quão forte você é. Uma vez que soube disso, finalmente consegui dormir ao seu lado sem medo algum. E a ideia de que você poderia realmente precisar estar perto de mim me deixou muito feliz. Isso significava que havia até mesmo um sentido para uma medrosa como eu chegar aos andares superiores.

Hum… hum, então o que eu quero dizer é que mesmo que eu morra, quero que você continue. Permaneça vivo até o final do jogo e encontre a razão pela qual este mundo foi criado, a razão pela qual uma covarde como eu veio para cá, e a razão pela qual nos conhecemos. Esse é o meu único desejo.

Umm… ainda há muito tempo aqui. Essas coisas realmente podem armazenar muita coisa. Bem, já que é Natal, vou cantar uma música para você. Na verdade, sou uma cantora muito boa. Vou cantar para você “Rudolph, a Rena do Nariz Vermelho”. Normalmente eu escolheria algo um pouco mais legal, como “Winter Wonderland” ou “White Christmas”, mas esta é a única de que me lembro da letra.

Por que me lembro da letra de “Rudolph”? Na outra noite, você disse que todo mundo tem um papel a cumprir. Que havia uma razão para todos estarem aqui, até mesmo eu. Isso me deixou muito feliz e me lembrou desta música. Era quase como se eu fosse a rena e você fosse o Papai Noel. Ok, para ser honesta… era mais como se você fosse meu pai. Meu pai foi embora quando eu era pequena, então toda noite, eu me pergunto se é assim que é dormir ao lado do seu pai. Ok, aqui vou eu.

Todas as outras renas / Costumavam rir e caçoar dele

Nunca deixavam o pobre Rudolph / Participar de nenhuma brincadeira de rena

Então, numa noite de Natal com neblina / Papai Noel veio dizer

Rudolph com seu nariz tão brilhante / Você não quer guiar meu trenó esta noite?

Então, como as renas o amaram / Enquanto gritavam com alegria

Rudolph, a rena do nariz vermelho / Você entrará para a história!

Você era como as estrelas, brilhando e iluminando o caminho escuro no meio da noite para mim. Adeus, Kirito. Fico feliz por ter te conhecido e por ter estado com você.

Obrigada.

Adeus.

(Fim)

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