Sword Art Online

Volume 2 - Capítulo 8

Sword Art Online

A manhã seguinte foi ainda mais fria que o normal.

Eu estava esfregando as mãos ao entrar na minha oficina e não perdi tempo em puxar a alavanca na parede para atiçar o fogo. A roda d'água batia e rangia como sempre enquanto eu aquecia as mãos na fornalha quente. Com o tempo que fazia, eu não podia deixar de me preocupar com o que aconteceria se o riacho lá fora congelasse completamente.

Depois de um minuto, voltei a mim com um sobressalto e verifiquei meu cronograma no jogo. Eu tinha oito pedidos para hoje. Precisava começar a trabalhar logo, ou o dia acabaria antes que eu percebesse.

O primeiro pedido era uma espada longa e leve. Olhei minha lista de lingotes disponíveis, encontrei um que correspondia ao orçamento e às especificações do cliente e o joguei na abertura da fornalha.

Minhas habilidades com o martelo e a seleção de metais disponíveis eram tão boas hoje em dia que minha produção era um fluxo constante de armas de alto nível. Esperar o lingote atingir a temperatura certa, colocá-lo na bigorna. Selecionar o martelo, balançar com força.

Mas quando se tratava de espadas longas de uma mão… nada que eu havia feito superava a espada que fiz no início do verão. Isso me deixava frustrada e feliz ao mesmo tempo.

A espada que eu havia imbuído com todos os pedaços do meu coração provavelmente estava na linha de frente hoje, cortando inimigos a torto e a direito. De vez em quando, eu podia afiá-la na pedra de amolar e, ao contrário das armas normais, ela parecia ficar mais translúcida com o uso, não o contrário. Isso quase me fez pensar que, em vez de perder atributos numéricos, ela acabaria se estilhaçando como um cristal quando se desgastasse.

Mas isso provavelmente estava longe no futuro. A fronteira atual era o septuagésimo quinto andar. Aquela espada precisava durar muito mais em seu devido lugar: a mão direita de Kirito.

Só percebi que havia atingido o número necessário de marteladas quando o lingote emitiu um brilho vermelho e começou a se transformar. Observando o momento mágico com a respiração suspensa, estendi a mão para avaliar a lâmina novinha em folha.

— Vai servir, eu acho — murmurei, e a coloquei na mesa de trabalho. Hora de encontrar o lingote certo para a próxima arma. Desta vez, seria um machado de duas mãos com longo alcance…

Bem depois do almoço, finalmente terminei o último dos pedidos e me levantei. Rolei a cabeça lentamente e soltei um grande bocejo. Uma pequena fotografia pendurada na parede chamou minha atenção.

Eu e Asuna, nossos ombros se tocando, sinais de paz no ar. Ao lado de Asuna e meio passo atrás estava Kirito, sorrindo sem jeito. Tiramos a foto bem em frente a esta loja. Cerca de meio mês atrás — quando eles vieram me informar sobre o casamento deles.

Qualquer um podia ver que eles foram feitos um para o outro, mas levaram seis meses para chegar a esse ponto. Era irritante vê-los tropeçar, e eu tive que dar uma mãozinha em vários momentos. Então, fiquei muito feliz em finalmente ouvir sobre a união deles... junto com uma pequena pontada de dor.

Aquela noite ainda aparece nos meus sonhos o tempo todo. Aquela noite mágica, brilhando como uma joia em meio a dois anos de marasmo. Era como um fogo eterno mantendo o calor vivo no meu peito, mesmo depois de cinco meses.

— E apesar de mim mesma…

Murmurei em silêncio, traçando a foto com um dedo. Por me considerar uma realista tão pragmática, eu nunca havia percebido o quão romântica eu era no fundo.

— ...estou apaixonada por você desde então.

Dei um último toque na foto e me virei. Aconteceu bem quando eu estava saindo do estúdio, pensando se deveria preparar um almoço tardio para mim ou apenas comer fora:

Um efeito sonoro que eu nunca tinha ouvido antes soou muito acima da minha cabeça, ensurdecedoramente alto. Era um alarme, tocando como um sino... Olhei primeiro para o teto, mas parecia que o som vinha de muito mais longe, ecoando do andar de cima.

Corri para fora para ver o que estava acontecendo e fui surpreendida por algo ainda mais inesperado: a ajudante NPC que cuidava da minha mesa todos os dias desde que abri a loja havia desaparecido sem fazer barulho.

— …?

Olhei para o espaço que ela normalmente ocupava, de olhos arregalados, mas ela não deu sinal de retorno. O que quer que estivesse acontecendo era sério.

Saí cambaleando pela porta da frente, apenas para ficar paralisada por algo ainda mais chocante.

A tampa plana e cinza-metálica do andar de cima, várias centenas de metros acima da minha cabeça, estava completamente coberta por palavras vermelhas gigantes. Eu podia distinguir um padrão repetido de duas partes diferentes de inglês: WARNING e SYSTEM ANNOUNCEMENT.

— Anúncio... do sistema...

Eu reconheci essa visão. Nunca a esqueceria: era exatamente a mesma cena que todos nós testemunhamos dois anos atrás, no dia em que isso se tornou um jogo da morte. Havia sido estampada atrás daquele avatar massivo enquanto dez mil almas indefesas aprendiam as regras que se tornariam suas novas vidas.

Depois de alguns segundos paralisada, finalmente olhei ao redor e vi muitos outros jogadores olhando para o aviso em choque. Algo na cena me pareceu estranho, e rapidamente percebi o porquê.

Não havia um único NPC andando na rua ou vendendo mercadorias na área. Todos eles devem ter desaparecido ao mesmo tempo que a minha lojista... mas por quê?

O alarme estridente parou de repente. Após um breve silêncio, uma voz feminina suave surgiu, igualmente alta.

— Esta é uma mensagem importante para todos os jogadores.

Diferente da voz de Akihiko Kayaba dois anos atrás, esta voz era artificial, eletrônica. Era obviamente um anúncio do sistema, mas o SAO parecia ter sido projetado para remover todos os vestígios possíveis de gerenciamento humano, e esta foi a primeira vez que eu a ouvi. Engoli em seco e prestei atenção.

— O jogo está mudando para o modo de gerenciamento forçado. Todos os monstros e itens não irão mais aparecer. Todos os NPCs serão recolhidos. O HP de todos os jogadores será fixado no valor máximo.

É um erro do sistema? Algum tipo de bug fatal?

Meu coração foi tomado pela ansiedade. Mas então—

— A partir das 14:55 do dia sete de novembro, horário padrão de Aincrad, o jogo foi concluído — proclamou o sistema.

O jogo havia sido zerado.

Por vários segundos, não entendi o que isso significava. Os outros jogadores ao meu redor estavam igualmente perplexos, com os rostos congelados. Com as palavras seguintes, todos pularam no ar.

— Todos os jogadores serão agora desconectados do jogo. Por favor, parem onde estão. Repito…

Um grito enorme surgiu instantaneamente. O chão — não, o castelo inteiro de Aincrad — tremeu. Os jogadores se abraçaram, rolaram no chão, ergueram os punhos no ar e gritaram.

Eu não me movi. Eu não falei. Apenas fiquei parada em frente à minha loja. Com o tempo, levantei as mãos para cobrir a boca.

Ele conseguiu. Kirito conseguiu. Tão louco como sempre foi…

Eu tinha certeza que era ele. A linha de frente estava apenas no septuagésimo quinto andar, então só Kirito poderia fazer algo tão insano, imprudente e impossível como isso.

De alguma forma, pensei ter sentido um sussurro no meu ouvido.

Eu cumpri minha promessa…

— Sim… sim… você finalmente conseguiu…

Lágrimas quentes finalmente brotaram em meus olhos. Não as enxuguei. Levantei o braço direito no ar e pulei para cima e para baixo loucamente.

— Eiii!! — Gritei com as mãos em concha na boca, com toda a força dos meus pulmões, como se para alcançar seus ouvidos muitos andares acima.

— Vamos nos encontrar de novo algum dia, Kirito!! Eu te amo!!

(Fim)

Comentários