
Volume 6 - Capítulo 292
Warlock Apprentice
Ele tentou enganar a coruja verde para que voltasse ao Reino dos Pesadelos.
Ele temia que Auri o matasse se fechasse a passagem, então tentou de tudo para que Auri avisasse a rainha que deveriam preparar um exército maior para atacar o mundo bruxo.
Assim que Auri cruzou para o Reino dos Pesadelos, Angor fechou a passagem imediatamente, fingindo que havia “acidentalmente” estragado tudo.
“Então a névoa branca desapareceu, e vocês poderam ver o resto.”
“Mais alguma coisa que você tenha notado?” perguntou Sunders.
“… Agora que penso nisso, sim.”
“Como o quê?”
“Os monstros… todos me reconheceram. Me chamaram de ‘Shava’. Mas eu não conheço esse nome. Talvez tenham me confundido com outra pessoa?
Isso é bom, pelo menos posso me misturar com eles e aprender coisas com Auri. Fiz isso porque eles acham que sou Shava.”
Sunders balançou a cabeça. “Você acha que monstros do nível de um mago podem julgar as pessoas mal assim?”
“Provavelmente não… Mas não tenho outra resposta para isso. Será que eu sou mesmo Shava? De jeito nenhum.”
“De jeito nenhum? Discordo”, disse Sunders. Ele ponderou por um instante antes de perguntar: “Você se lembra de como os magos costumam descrever o Reino dos Pesadelos?”
“A realidade é projetada no imaginário e dá origem à verdade.”, Angor recitou essas palavras e, de repente, demonstrou medo ao mencionar “nascimento da verdade”. “Professor, o senhor quer dizer que existe uma projeção minha em algum lugar no Reino dos Pesadelos?” Angor estremeceu com a ideia.
Havia um “segundo ele” em algum lugar, e provavelmente um monstro.
“Possível. Nunca vi a projeção de pessoas antes, mas considerando o nível da sua Forma de Pesadelo, talvez algo possa mudar. É apenas uma suposição.
Suponha que realmente exista uma projeção sombria sua; vejamos, vamos chamá-la de ‘sua sombra’ por enquanto. Se essa sombra existir, ela deve possuir as mesmas características que você.”
“Mais uma coisa. Por que os monstros tinham tanta certeza de que você era Shava?”
Angor rapidamente percebeu a insinuação de Sunders e perguntou: “O senhor quer dizer que Shava não estava no Reino dos Pesadelos naquela época?”
Pensando dessa forma, isso explicava por que os monstros o consideravam, alguém de “fora”, como Shava. Era porque eles não conseguiam sentir esse “Shava” no Reino dos Pesadelos.
“Essa é outra suposição. Precisamos de mais provas.”, disse Sunders. O Reino dos Pesadelos guardava muitos segredos.
“Mas Shava parece nome de mulher…” Angor achou muito estranho se sua contraparte fosse feminina.
“Os bruxos geralmente não se lembram de alguém pela aparência. O temperamento de um homem, as características de sua alma, seus feromônios pessoais… Podemos determinar a identidade de alguém contanto que a maioria dessas informações coincida, mesmo que o homem aparente ser outra pessoa ou de um gênero diferente.”
“Mas a Senhora Espelho-”
“Esse não é o caso de certas bruxas que só apreciam a aparência externa. Vou transformar isso em outro tema de pesquisa sobre o Reino dos Pesadelos, e trabalharemos nisso por algum tempo. Você será o coordenador.”
Sunders pegou um pergaminho novinho em folha, molhou a pena na tinta e escreveu algo com sua caligrafia elegante.
As Propriedades das Projeções de Pesadelo, Assunto 3: Projeção de Criaturas.
Autor: Sunders Eagle
Coordenador: Angor Padt
Angor prestou atenção redobrada ao ver Sunders escrevendo seu próprio sobrenome, “Eagle”. Era a primeira vez que Angor via aquele nome.
Sunders largou o pergaminho e olhou para cima novamente. “Há mais alguma coisa que você ache que deva me contar?”
Angor ponderou e lembrou-se de algo, como por que os monstros usavam nomes de pessoas da Mansão Padt. Mas Sunders talvez já tivesse explicado
— eram projeções.
Contudo, Angor não conseguia entender por que as projeções apareciam na forma de animais. Não era uma questão importante, considerando que sua própria projeção poderia ser uma mulher.
“Não. Acho que é tudo”, disse Angor. Ele não estava mentindo. Realmente não conseguia pensar em outros detalhes. Aquele incidente em si já era suficientemente peculiar. Como ele havia invocado o Domínio do Pesadelo? Por que aquela mulher apareceu só porque ele pensou nela?
Sunders franziu a testa. Ele sempre poderia investigar esse tal de “Shava” mais tarde. A explicação de Angor sobre como ele se infiltrou entre os inimigos para aprender a fechar a passagem soava dramática demais, mas era bem possível. O homem também havia lançado um feitiço em Angor, e ele não encontrou nenhum indício de mentira.
Se Angor estivesse falando a verdade… então quem era o responsável pelo incidente atual na Casa de Leilões do Crepúsculo?
Sunders havia deixado a ilha há pouco tempo para receber uma transmissão urgente vinda de fora do mundo do espelho.
“Chamei você aqui porque acabei de receber uma mensagem.”, disse Sunders, encarando seu aluno e observando a expressão de Angor. “Uma mensagem sobre o Leilão do Crepúsculo.”
Angor franziu a testa. “A Crepúsculo me difamou de novo? Quer dizer, ela me pegou na rua DUAS VEZES ontem. Eu estaria morto se a Senhorita Flora não estivesse lá para me ajudar.”
Sunders percebeu que as reações do aluno eram normais. Bem, exceto pelo fato de o garoto ter ficado um pouco exasperado ao ouvir o nome de Crepúsculo.
Parecia que Angor não estava por trás disso.
“Ontem à noite, o salão interno da casa de leilões foi atacado por monstros, e ninguém conseguiu entrar ainda. Tudo que tentou entrar no salão foi morto, incluindo bruxos e magos. Se a informação estiver correta, isso foi causado por uma raposa com uma harpa e um sapo cantor. Talvez outra carta estranha com um palhaço também esteja envolvida.”
“Raposa e Sapo? E uma carta…” Angor ficou bastante chocado.
Sunders assentiu. Seu aluno já havia lhe dito os nomes dos animais. “Devem ser eles.”
“Mas não pode ser…” Angor murmurou, “Eles são tão poderosos assim?”
“Esses dois animais são monstros de nível mago, assim como aquela coruja de brinquedo. Por que você diz isso?”
“Eles são visitantes de um mundo estrangeiro e deveriam ter sua força enfraquecida por virem para cá, certo? Como podem matar magos?”
Angor lançou uma ilusão simples e vazia, arrastou uma xícara de chá com um coração estampado do Domínio do Pesadelo e a colocou na frente de Sunders. “Olha, professor, eu diria que eles só têm, tipo, um por cento da força restante. Truques comuns já são suficientes para feri-los. O Sapo e a Raposa não deveriam estar na mesma situação?”
Sunders negou. “Não funciona assim. A xícara é fraca porque sempre foi. Elas são as primeiras a sair da passagem, o que significa que são os seres mais fracos daquele exército. Elas refletiram todos os ataques por causa de algo que ainda não sabemos. Mas posso afirmar que não é a força delas.”
“Mesmo?” Angor jogou a xícara de volta para o Domínio do Pesadelo e desfez sua ilusão. “Agora que penso nisso, como eu lido com essas xícaras e soldadinhos de brinquedo, senhor?”
“Vamos deixar isso de lado. Há algo mais urgente em jogo agora.”, disse Sunders, demonstrando certa impaciência. “Cem anos atrás, eu acidentalmente libertei um monstro de nível mago. Esse monstro era de um nível semelhante ao de Flora, em seu estágio atual. E ele não enfraqueceu em nada quando chegou ao nosso mundo mago.”
“Mas como?”
“Existem duas possibilidades para um visitante de outro mundo manter sua força. Primeiro, o poder do monstro pertence a ele mesmo. É um poder semelhante às artes dos bruxos e magos, portanto, não é afetado pelo ambiente. Podemos descartar essa possibilidade por enquanto. Muitos monstros no Reino dos Pesadelos não são exclusivos daquele lugar. Por exemplo, o Senhor das Flores Glutão que você encontrou também existiu no mundo mago.
Esse monstro é poderoso por causa de seu próprio instinto natural. Não tem nada a ver com magia.”
“Quanto à segunda possibilidade… nem todos os visitantes estrangeiros representam uma ameaça para este mundo.” A consciência do mundo permitirá que seres “benéficos” existam aqui, como certas plantas mágicas.
“Embora eu não ache que nenhum dos dois motivos se aplique à nossa situação, o que nos deixa com outra teoria.”
“Há um terceiro motivo?”
“Você acha que algum dia será expulso do mundo mago?”, perguntou Sunders.
“Você quer dizer…”
“Se as criaturas se originam do mundo mago e possuem a marca dos nativos, a consciência do mundo não as incomodará. A Cidade Inferior que você viu no Reino dos Pesadelos é uma projeção da Cidade Inferior real do mundo mago. Se não me engano, o Senhor das Flores Glutão também é uma projeção, o que significa que sua origem pertence ao nosso mundo. Suponha que o Senhor das Flores Glutão do Reino dos Pesadelos apareça aqui… provavelmente manterá toda a sua força.”
“Hum, se um monstro for projetado para o Reino dos Pesadelos de outro mundo, como o Mundo Assombrado, e esse monstro acabar no mundo mago, ele ainda ficará mais fraco?”
Sunders assentiu.
“A raposa e o sapo devem ser criaturas que já existem no mundo mago.”, suspirou Sunders. “Eles também vieram da região central do Reino dos Pesadelos, o que os torna mais fortes do que os magos. Temo que já estejam em pé de igualdade com os magos que encontraram o caminho da verdade.”