Warlock Apprentice

Volume 6 - Capítulo 291

Warlock Apprentice

Angor olhou para o garoto em seu colo e se perguntou:

Pensei que esse cara me odiasse até pouco tempo atrás?

Eles quase brigaram antes de embarcar no dirigível porque Angor não levou Ananda junto. Aqui, “brigaram” significava que Hobbiton ia chutá-lo, enquanto Angor não dava a mínima para o garoto.

Embora fosse um garoto, Hobbiton passou seus anos recebendo “educação” de Ananda, a líder de uma gangue de ladrões. Ele conhecia todos os palavrões usados por adultos. Depois que Ananda o impediu de chutar Angor de verdade, ele não hesitou em usar esses palavrões contra Angor.

Talvez o garoto estivesse com medo de altura e do mundo estranho ao seu redor?

Angor não acreditava que esses fossem motivos suficientes para o diabinho abandonar repentinamente suas atitudes de gangster.

Talvez Hobbiton tivesse sido iluminado por algo da noite para o dia?

…

Assim que puseram os pés na areia macia ao redor da Ilha Fantasma, Angor pegou Hobbiton pela gola e o tirou de cima da perna.

“Chegamos.”

Hobbiton abriu os olhos ao ouvir Angor. Ele se acalmou ao ver a praia e as palmeiras. No entanto, não ousou olhar para trás. A área próxima à praia na Ilha Fantasma era um mar de nuvens. Qualquer um que não pudesse voar e caísse naquele “mar” certamente encontraria perigo.

Hobbiton corou levemente e evitou o olhar de Angor. Era a primeira vez que agia com tanta covardia, e fazia isso justamente na frente de alguém com quem havia gritado ontem.

Angor não percebeu os pensamentos do garoto. Estava tentando pensar em algo agora.

Sem um convite ou algo do tipo, Hobbiton seria despedaçado ou devorado pelas bestas fantasmas da ilha. O que eu deveria fazer?

Seu transmissor de baixa potência não conseguia enviar nada para Goode a essa distância.

“Devo pedir para Hobbiton se esconder atrás de mim usando sua habilidade?”, ponderou Angor. A invisibilidade do garoto parecia sólida o suficiente para evitar feitiços e animais.

No entanto, a habilidade de Hobbiton durava muito pouco. Ele só conseguia se esconder por um ou dois segundos antes de reaparecer.

“O que fazer…” Angor ficou parado na praia, considerando suas opções. Hobbiton havia superado o estresse. O garoto encarava Angor atentamente, aguardando o próximo passo. Angor ficou um pouco desconfortável depois de ser encarado por tanto tempo. “Ahem. A Ilha Fantasma é onde meu professor treina. Preciso da permissão dele para levá-lo até lá. Espere aqui, e eu vou perguntar a ele.”

Contanto que se mantivesse longe da borda, Hobbiton não precisaria se preocupar com altura ou estranhos.

“Entendo. E… quero dizer, obrigado”, disse Hobbiton, assentindo com a cabeça.

Angor ergueu uma sobrancelha ao ver um pequeno gangster realmente lhe agradecendo.

“Certo, fique aí.” Angor sabia como não provocar o ego de uma criança. Ele saiu rapidamente.

Antes que pudesse entrar na floresta, porém, alguém o chamou por trás com uma voz rouca.

“Angor?”

Ele se virou rapidamente e viu Sunders entrando na ilha vindo do céu.

O cavalheiro não lhe enviou a transmissão de voz da ilha?

Sunders estava vestindo suas roupas impecáveis de cavalheiro de sempre. O homem às vezes vestia um manto preto com decote carmesim, que ficava extremamente elegante em sua bela figura.

Sunders pousou no chão e Angor rapidamente se juntou a ele.

O homem olhou ao redor e viu Hobbiton. Em seguida, olhou para Angor novamente.

“Você… encontrou um Servo Fantasma?”

Angor fez um sinal para Hobbiton se aproximar. “Não, ele está aqui procurando o mordomo Goode. Ele diz que Goode é seu avô. O nome dele…”

Angor parou e abriu um sorriso.

“Ele é Peter Pan, o Que Nunca Cresce.”

“Quem é Peter Pan? Meu nome é Hobbiton Moa”, disse o garoto, um tanto descontente.

Angor explicou a Sunders com um sorriso: “Há uma história da minha terra natal sobre uma criança brincalhona que nunca cresce, chamada Peter Pan.

Eles são tão parecidos.”

Ele explicou brevemente como conheceu Hobbiton, a habilidade especial do garoto e os negócios entre a família do menino e a Senhora Lótus.

Sunders inspecionou Hobbiton. “Goode não é um servo da família Moa, mas sim do clã Moxa. Além disso, acredito que ele esteja longe dos Moxa há quarenta anos.”

Hobbiton sentiu a aura opressora do cavalheiro, embora Sunders não demonstrasse nenhum poder.

“Minha mãe é uma Serva Fantasma Moxa”, Hobbiton baixou a cabeça enquanto falava. “Nunca conheci o Vovô Goode, mas minha avó me falou dele uma vez e me deu isto.”

Ele tirou um anel de aparência antiga com uma esmeralda cravejada.

“Vovó disse que, se houver algum problema que eu não consiga resolver, posso levar este anel ao vovô Goode, que trabalhava com um grande mago”, disse Hobbiton, revirando os olhos enquanto bajulava Sunders.

Sunders examinou o anel e notou um vestígio deixado por Goode.

O cavalheiro assentiu e fez um gesto com a mão, lançando um feitiço de permissão temporária em Hobbiton para que ele pudesse entrar na ilha. Então, virou-se e voou para longe.

Sunders nunca mencionou o problema entre Hobbiton e Lótus. Na verdade, ele não se importava.

“Vá. Já que o Senhor Sunders não disse o contrário, ele permite que você entre.”, disse Angor. Ele também havia examinado o anel de esmeralda como alquimista e não notou nada em particular. Pensou que fosse apenas algo memorável, como a adaga da família Sunders.

Hobbiton observou Sunders se tornar um pequeno ponto na distância. “É tão bom poder voar. O vovô vai me ensinar a ser um mago?”

Angor não respondeu. Ele sabia que Goode não era um mago, mas o mordomo possuía algo tão poderoso quanto um. Pelo menos aquele homem se comportou muito melhor do que ele próprio quando o Senhor Rein veio visitá-lo.

“Na história, Peter Pan também pode voar.”

Dito isso, Angor entrou na floresta primeiro.

Eles caminharam até a mansão dos Sunders, onde o mordomo Goode os recebeu na porta.

“Senhor Padt.” Ele fez uma reverência e olhou para Hobbiton com uma expressão gentil.

Hobbiton já tinha visto o retrato de Goode em sua família. O manto, assim como a máscara com padrões estranhos, o ajudaram a reconhecer rapidamente seu avô. Agora, o garoto se sentia feliz por ver alguém com quem compartilhava o mesmo sangue e nervoso por estar em um lugar desconhecido.

Mais importante, Hobbiton ficou bastante surpreso ao ver seu avô se dirigindo a Angor como “Senhor”. Isso significava que Angor era realmente alguém importante? “Ele é Hobbiton, sua família, segundo as próprias palavras dele.”, disse Angor. E acrescentou: “Agora que o trouxe aqui, o senhor pode cuidar do resto, mordomo Goode.”

Goode respondeu num tom emocionado, o que era raro para o mordomo. “O mestre já me disse. Obrigado, Senhor Padt. Deixe-me cuidar disso.”

Angor deixou Hobbiton e se preparou para ir ao escritório de Sunders. No entanto, foi interrompido pela voz tímida de Hobbiton.

“Senhor-senhor!”

Angor parou e se virou para ver Hobbiton corando intensamente.

“Muito-muito obrigado por me trazer até meu avô. P-posso perguntar uma coisa?”

Por trás da máscara, Goode franziu levemente a testa, querendo impedir a grosseria de Hobbiton.

“Claro.”

Angor pensou que o garoto fosse perguntar sobre Ananda novamente. Ele não demonstrou, mas estava ficando impaciente por dentro.

“Senhor, pode me contar aquela história sobre… Peter Pan?”

Isso surpreendeu um pouco Angor. Ele se perguntou se o garoto estava se sentindo sozinho ou se simplesmente queria encontrar o sentido da vida na história.

Provavelmente ambos.

De qualquer forma, não era uma tarefa difícil, então ele assentiu.

“Contarei… quando tivermos tempo.”

Ao atravessar a porta do escritório, Angor encontrou Sunders escrevendo algo em frente a uma mesa, como sempre.

“Sei que você tem muitas perguntas, como sobre o Domínio do Pesadelo. Contarei tudo no devido tempo. Agora, você precisa me contar tudo primeiro, sobre o que aconteceu naquele dia em que você fechou a passagem do pesadelo, para que não deixemos pontas soltas.”

A expressão séria do cavalheiro deixou Angor preocupado.

Angor deixou de lado sua postura relaxada diante do professor e repassou cuidadosamente suas memórias.

“O senhor me pediu para fechar a passagem, professor, e eu não tinha ideia de como, então pensei em romper os nós de ilusão no meu corpo…”

“… Tentei o nó no meu coração e desmaiei. Então aquela coruja de brinquedo verde me salvou. Ela me disse para não me matar. Quando percebi que podia me comunicar com Auri, pensei em enganá-lo para que me contasse como fechar a porta.”

“…Havia monstros, e eles estavam passando pelo corredor um por um. Auri mencionou algo sobre organizar uma cerimônia para a chegada da rainha, então segui essa pista e fingi que queria alargar o corredor para que os monstros pudessem chegar mais rápido. Se eu aprender a controlar o corredor, terei como fechá-lo.”

Alargar o corredor e fechá-lo deveriam ser coisas diferentes, mas Angor acreditava que tinham algo em comum.

Usando a desculpa de ter perdido a memória, Angor conseguiu enganar Auri para que ela lhe contasse informações.

Se o corredor do pesadelo estava aberto, assim como seu tamanho, dependia de sua própria vontade. Auri lhe ensinou como controlar sua vontade. Foi então que Angor percebeu que era algo semelhante a como ele conseguia sentir as emoções dos monstros.

Ele costumava “se comunicar” com os monstros usando seu subconsciente. Agora que Auri o ensinou a controlar as comunicações de verdade, havia muito mais que ele podia fazer. Ele conseguia até mesmo se comunicar diretamente com uma pessoa através das emoções, desde que o alvo diminuísse sua defesa espiritual.

Após aprender o truque, em vez de fechar a passagem imediatamente, Angor tentou algo diferente primeiro.

Comentários