
Volume 2 - Capítulo 222
Warlock Apprentice
Sunders e Rein desapareceram no final do corredor.
Angor se perguntou o que estava acontecendo.
Ele não sentiu nenhuma ondulação de mana ou emoções fortes vindas do velho chamado Rein. Parecia ser um senhor idoso com uma disciplina rígida. No entanto, considerando o grande respeito que todos na Mansão, incluindo Sunders, lhe dedicavam, o velho devia ser alguém realmente especial.
“Gostaria de fazer uma refeição, senhor Padt?” Goode mandou os outros criados embora e caminhou até Angor.
“Mordomo… Goode. Hã?”
Quando Goode falou com ele, Angor pensou que o Feitiço do [Silenciamento] havia sido removido. Contudo, ele só percebeu que conseguia falar em uma voz muito baixa. Sua voz soava mais baixa que a de um gatinho miando.
Angor tentou limpar a garganta de forma alta, mas sua voz soou ainda mais fraca.
Que diabos?
Angor arregalou os olhos em descrença. Ao contrário de antes, agora ele conseguia falar. Contudo, sua voz estava péssima.
“Fale suavemente, senhor Padt. O senhor Rein não gosta de barulhos. Você soará mais baixo se tentar levantar a voz”, sugeriu o mordomo Goode.
“Você se refere ao senhor idoso de agora há pouco?”, perguntou Angor. Como Goode havia dito, sua voz soava muito melhor quando ele abaixava o tom. Mesmo assim, suas palavras saíam mais baixas do que o normal.
“De fato. A refeição está pronta. Que tal comer algo enquanto espera?”
Angor concordou, enquanto tentava perguntar a Goode sobre o visitante.
E ficou chocado ao finalmente descobrir quem era o velho. Era a primeira vez que Angor o via pessoalmente, mas já havia lido sobre o personagem muitas vezes.
Rein Mute, o Silenciador.
Era uma das figuras que controlavam a Caverna Bruta e um dos poucos Magos Formais do Nível 3 no Sul, com potencial para se tornarem Magos Lendários.
Todos os aprendizes da Caverna Bruta, mais ou menos, já tinham ouvido falar das grandes histórias do Rein. Aquele homem dominava o “Poder do Silêncio” a um extremo, quase a transformando em uma espécie de Lei Natural. Até mesmo a consciência do mundo era afetada, e tudo permanecia em silêncio ao seu redor.
Ele emanava uma aura de silêncio sem precisar usar mana, o que também explicava a aparente tranquilidade da Ilha Fantasma.
Normalmente, Rein ficava dentro da Torre das Nuvens, no topo da Árvore da Eternidade. A Torre podia ser vista de qualquer lugar no Mundo do Espelho.
Pelos registros que Angor leu anteriormente, Rein estava na Torre das Nuvens há muitas décadas. Por que ele decidiu, de repente, vir procurar Sunders?
Embora curioso, Angor sabia que não devia se meter nessa história. Os assuntos dos Magos já estavam além do seu alcance, quanto mais algo relacionado a um mago realmente poderoso.
Angor tentou esquecer sua curiosidade e terminar a refeição. Em seguida, foi ao jardim para tomar um pouco de ar fresco. O poder do Rein apenas abaixava sua voz, mas ainda assim o fazia se sentir restrito.
O Jardim fora da Mansão estava igualmente silencioso. No entanto, o som da brisa e o cheiro da natureza acalmaram um pouco sua mente.
Angor sentou-se na margem de um riacho e fechou os olhos para meditar.
A energia do Sunders o ajudou a lançar o feitiço aprimorado, mas ele ainda assim esgotou toda a sua mana. Ele teria que esperar por Sunders de qualquer maneira, então poderia muito bem aproveitar a chance para se recuperar.
O tempo passou lentamente.
Quando Angor saiu do seu estado meditativo, o céu já estava coberto de estrelas.
E sua mana estava totalmente recuperada.
Angor permaneceu em seu espaço mental por um tempo e percebeu que sua reserva de mana agora estava acostumada à velocidade de absorção de energia bruta. O fluxo de energia estava mais estável do que nunca.
Ele decidiu trabalhar em mais túneis de Poder Espiritual.
Seu Modelo Espiritual agora parecia um ouriço-do-mar, onde um ponto singular no centro era coberto por muitos túneis espirituais que se estendiam em todas as direções. Cada túnel o ajudava a conter mana primordial, tornando sua meditação e fluxo de mana eficientes.
Ele teve a sensação de que vários outros túneis expandiriam ainda mais seu Reservatório de Mana, o que significava que ele teria mana suficiente para lançar o feitiço aprimorado em si mesmo.
De repente, algo estalou ao seu lado, e ele pôde registrar claramente os sons da natureza novamente, incluindo as criaturas na floresta, o fluxo da água no rio e o vento soprando.
Angor olhou para cima e viu uma figura voando da Ilha Fantasma em direção à Torre das Nuvens, no topo da Árvore da Eternidade.
“O Senhor Rein partiu.” Ele observou o velho desaparecer no céu noturno.
Logo, ele ouviu Sunders chamando: “Venha ao meu escritório, Angor.”
…
Angor se levantou rapidamente e caminhou em direção à Mansão.
Antes de chegar à porta, viu alguém se aproximando por outro caminho no Jardim.
Sob a suave luz do luar, Angor pôde ver o indivíduo envolto em um Manto Negro de Mago. Mas era só isso.
Além disso, a figura caminhava com passos elegantes, condizentes com a figura de um nobre. Alguns detalhes em seus movimentos revelavam o temperamento orgulhoso e distante do homem.
Angor sentiu algo familiar no visitante desconhecido. Algo incrivelmente familiar.
Mais importante, Angor tinha certeza de que conhecia a criatura em questão, que estava no ombro da figura de manto — uma ave marinha de penas cinzentas, vestida com uma fantasia de pele de animal e um cocar tribal com plumas.
Angor franziu a testa. “Toby?”
O membro da tribo — não, ave da tribo — o ouviu e piou em resposta. Rapidamente, voou em sua direção.
Angor levantou o braço para apanhar a ave.
Sim, era Toby, pois nenhuma outra ave ergueria sua pequena cabeça tão orgulhosamente.
Toby piou e chilreou enquanto agitava as asas. Angor logo percebeu que estava pedindo uma recompensa por algum motivo.
A figura encapuzada também se aproximou. Angor olhou melhor para ele e… espere. Ele era igual a ele!
“Boa noite, senhor Padt.”
O tom frio e indiferente da figura também parecia familiar. Angor sempre fingia ser assim na frente de todos quando era o “Barão Leite”.
“Quem é?”, Angor tentou perguntar.
“Barão Leite” tirou seu manto para revelar… espere, não. Ele estava usando um segundo manto, e seu rosto estava escondido atrás de uma máscara.
“Servo Fantasma?” Angor reconheceu rapidamente os padrões na máscara.
“Sim. Sou o Número 233. Pode me chamar por esse número, Senhor Padt”, disse o servo. Sua voz mudou lentamente, assim como sua aparência.
Em questão de segundos, o “Número 233” ficou mais alto sob o olhar do Angor. Sua voz soava mais aguda agora, em comparação com o tom rouco do “Barão Leite”.
“Você acabou de me imitar?”
O Número 233 inclinou a cabeça. “Quando o Senhor Padt estava inconsciente na cama, o Senhor Toby me pediu para assumir sua aparência e competir na Torre do Céu em seu lugar.”
“Você lutou por mim nesses dois dias?” Angor perguntou incrédulo.
O número 233 balançou a cabeça. “Minha especialidade é mudar de forma e imitar. Não sou bom em combate. Participei de um total de 17 lutas em três dias. Todas foram gerenciadas pelo próprio senhor Toby.”
Toby ergueu a cabeça e esperou pelo elogio do Angor.
“Dezessete?! Você venceu todas?”
“Sim, senhor. O senhor está agora no Nível 14. E é bastante famoso entre os outros lutadores.”
“Mas eu não preciso de fama! Você está bem, Toby?” Angor colocou Toby cuidadosamente na palma da mão e verificou se o pássaro estava ferido.
“O senhor Toby derrotou todos os inimigos com apenas um golpe. Algumas pessoas na plateia estão começando a chamá-lo de ‘Homem de Um Golpe’”, comentou o Número 233.
Angor certificou-se de que Toby estava ileso e franziu a testa ao ouvir as palavras de 233. “Homem de Um Golpe, hein? Foi o Toby quem derrotou os lutadores. Não deveriam usar um apelido como ‘Pássaro de Um Golpe’?”
“Ninguém chamou o senhor Toby assim. Mas eu ouvi alguém se referir ao Barão Leite como o “Homem Pássaro de Um Golpe”. Ainda assim, a maioria das pessoas prefere a versão mais curta.”
Angor caminhou em direção à Mansão com Toby, enquanto 233 o seguia.
O número 233 contou a Angor os detalhes das partidas.
E os detalhes só deram a Angor uma grande dor de cabeça. Ele havia ganhado uma péssima reputação por matar o campeão do Nível 13.
As partidas seguintes foram todas disputadas por Toby, enquanto “Barão Leite” simplesmente ficou de lado assistindo, o que fez com que sua reputação piorasse ainda mais. As pessoas agora o consideravam um tolo que só sabia contar com um familiar.
A situação piorou quando as pessoas analisaram suas lutas anteriores. Elas exageraram o poder de sua arma alquímica e ignoraram completamente o fato de que Angor também podia usar feitiços.