Warlock Apprentice

Volume 2 - Capítulo 221

Warlock Apprentice

O som do vento?

Eles agora voavam a uma altitude de várias centenas de metros. O falcão demoníaco batia as asas nas nuvens em movimento, e o vento uivante açoitava constantemente sua pele.

Angor tentou se lembrar de sua experiência anterior. Não havia nada de errado com o som do vento em sua memória.Um som estável de vento soprando não podia ser usado para ativar nós para ilusões, então a Ilusão Melódica implantada por Sunders não tinha nada a ver com vento.

Angor franziu a testa.

Havia algum outro som além do vento?

O canto de um pássaro, talvez? Não.

O único pássaro por perto era o falcão demoníaco em que estavam. E ele não fazia nenhum barulho além do grito doloroso causado pelo feitiço de Angor.

Nuvens? Não pode ser.

Nuvens não faziam muito barulho no céu. Sunders provavelmente poderia fazer algo para que funcionassem, mas Angor não acreditava que seu professor tornaria o teste tão difícil.

Angor refletiu um pouco sobre a questão. Sem ter mais nada a fazer, olhou para Sunders em busca de ajuda. Sunders apontou o dedo para algum lugar.

Sunders estava apontando para o centro das costas do falcão. Ele então pediu a Angor para se sentar naquele local.

“Tem alguma coisa aqui?” Angor obedeceu, ainda confuso.

Cerca de meio minuto depois, Angor sentiu algo batendo com força embaixo dele.

Um segundo impacto ocorreu em mais meio minuto.

“Isso é… o batimento cardíaco do falcão?” Angor imediatamente percebeu algo.

Ele pensou em tudo no ambiente que poderia criar som, mas esqueceu de pensar em seu próprio corpo.

E havia muitos tipos diferentes de som dentro dele.

Além disso, enquanto Angor se debatia desesperadamente, a onda de adrenalina amplificou os batimentos cardíacos…

Tum, tum…

Angor colocou a mão no peito para sentir o coração. Estava mais calmo agora, comparado a quando batia descontroladamente quando sua vida estava em perigo.

“Está vendo agora?” perguntou Sunders.

Angor assentiu. “Meu coração… Então, a Ilusão Melódica não se limita a ruídos artificiais e naturais. Também podemos usar algo dentro de nossos corpos.”

Angor sentiu-se feliz com o conhecimento que acabara de adquirir, mas não demorou muito para que o comentário de Sunders arruinasse seu entusiasmo novamente.

“Seu conhecimento é bom, comparado ao de outros aprendizes. Seu senso lógico também. Mas sua visão ainda é muito limitada. Você vê as coisas como os mortais”, disse Sunders. Ele não se conteve ao apontar os problemas de Angor. “Você precisa desenvolver uma mente mais ampla se quiser buscar a verdade, ou será apenas mais um mago mediano.”

O ego de Angor esvaziou-se instantaneamente.

Sunders estava certo. Ele não havia buscado as razões com uma visão mais ampla e só percebeu a resposta com a dica de Sunders.

Sunders notou a expressão de seu aluno se acalmando e sorriu discretamente.

“Quanto à sua pergunta”, disse Sunders, “você está certo. A ilusão estava relacionada aos seus batimentos cardíacos. Mas você sabe como?”

Era algo que Angor ainda não havia descoberto desde que viu a ilusão em torno de Saka.

Para que servem esses diferentes sons nas ilusões?

Uma pergunta mais simples era: por que uma Ilusão Melódica precisaria de som?

Angor estava perplexo. Ele achava que já tinha lido o suficiente sobre Ilusões Acústicas. Agora, uma pequena pergunta o deixou completamente travado.

Ele tentou se lembrar do conteúdo do caderno de Sunders. A primeira página, que explicava o Feitiço de Nível 1 chamado “Ilusão Melódica”, definia o feitiço como algo que criava ilusões enganando os sentidos humanos com som.

“Enganar os sentidos de alguém com… som?”

Ele estava pensando errado. O que realmente importava na definição era “sentidos”!

E “som” era apenas uma ferramenta usada para perturbar, até mesmo manipular, os sentidos de alguém.

A Ilusão Melódica de Sunders aproveitava os batimentos cardíacos dele. Então, qual sentido era afetado pelo som dos batimentos cardíacos?

Um tempo depois, Angor ergueu a cabeça e respondeu em tom neutro: “Discriminação. Perdi a capacidade de avaliar o ambiente ao meu redor.”

Sunders sorriu. “Ótimo. Você tem uma resposta.”

Ao dizer que perdeu a capacidade de discriminar, Angor se referia ao fato de que seu batimento cardíaco acelerado o impedia de enxergar as razões ao seu redor. A princípio, ele perdeu a fé em Sunders, acreditando que Sunders o deixaria morrer. Além disso, ele não percebeu as anormalidades em sua situação. O fluxo de vento não mudou em nada, e ele nunca sentiu a ausência de peso, já que não estava realmente caindo do céu. Normalmente, mesmo em grandes apuros, Angor dificilmente ignoraria coisas tão óbvias.

No entanto, o som do batimento cardíaco atrapalhava sua percepção.

“Acho que você também percebeu como a Ilusão Melódica funcionou em Saka”, disse Sunders.

“Acho que foi a mesma que me afetou. Saka perdeu a capacidade de enxergar as coisas corretamente sob o efeito da ilusão.”

“Você está parcialmente correto”, disse Sunders, apontando o que havia acontecido. Angor ficou surpreso quando Sunders disse: “Você estava certo sobre como usei seus batimentos cardíacos para criar a ilusão de que você estava em perigo, impedindo-o de discernir. Mas usei algo diferente em Saka.

“Hipnose.” Sunders não esperou Angor encontrar uma resposta por conta própria dessa vez. “A experiência com sua alma levaria pelo menos meio-dia. Usei o som de um relógio para colocá-lo em um sonho agradável e bloquear sua capacidade de determinar a verdade. Era a maneira mais fácil.”

Sunders colocou a mão no ombro de Angor. “A Ilusão Melódica é apenas um Feitiço do Nível 1. Mas envolve um sistema de conhecimento grandioso e complexo. Os magos vêm trabalhando nesse feitiço há séculos. É claro que você não vai aprendê-lo tão rápido.

Os outros tipos de ilusões também são complicados à sua maneira. No entanto, a maioria deles tem algo a ver com perturbar os sentidos humanos. Tente ler alguns livros sobre psicologia, o que certamente o ajudará a estudar ilusões.”

…

Finalmente chegaram à Ilha Fantasma. Angor ainda pensava na ilusão simples de Sunders.

Era tão simples e ilógica, mas o enganou completamente quando combinada com uma Ilusão Melódica que afetou sua mente.

Foi uma experiência embaraçosa. No entanto, Angor ficou feliz por ter aprendido muito com ela.

Enquanto ilusões básicas eram usadas para enganar os olhos das pessoas, Ilusões Melódicas podiam enganar suas mentes quando usadas corretamente. Se usadas juntas, elas formavam uma ótima combinação, criando ilusões muito melhores.

No mundo dos bruxos, um mais um não era mais uma simples questão matemática. O que as pessoas poderiam ganhar combinando diferentes conhecimentos era sempre um mistério.

No caminho de volta, Angor sentiu algo estranho.

A Ilha Fantasma sempre foi um lugar animado, cheio de criaturas fantásticas. Por que estava tão silenciosa hoje?

Angor seguiu Sunders e, ao entrar na mansão, viu um grupo de Servos Fantasma em fila, solenemente posicionados.

Em seguida, sentiu uma grande energia mágica envolvendo-o.

Quando Angor tentou perguntar o que havia acontecido, percebeu que não conseguia mais emitir nenhum som.

Isso é… o Feitiço do Nível 1, [Silêncio]? Não. O feitiço só funciona em um único alvo.

Então deve ser o Feitiço do Nível 2, [Proteção do Silêncio]?

Angor já havia testemunhado o poder da magia com Mara, antes de vir para o Continente Feérico.

A questão era quem que lançou um feitiço de grande escala na casa de um Mago Poderoso não estava ali para demonstrar amizade. Nem mesmo Flora tentaria algo assim na Mansão do Sunders.

Será que o inimigo do Sunders veio atrás dele?

Angor olhou cuidadosamente para seu professor e viu o cavalheiro encarando o fim do corredor com uma expressão séria.

“Até que enfim, Sunders.” Alguém surgiu do corredor.

Era alguém que parecia bastante idoso. Mas a idade não afetava seu corpo. Esse homem vestia calças cinza e uma camiseta branca coberta por um colete xadrez marrom. Tudo nele estava cuidadosamente arrumado e organizado. O cabelo penteado para trás do idoso era tão liso que não se via um único fio fora do lugar.

O primeiro pensamento de Angor foi que se tratava de alguém que seguia princípios muito rígidos.

“Senhor Rein. A que honra devo o prazer de recebê-lo em minha humilde residência?” Sunders tirou a cartola e curvou-se diante do visitante.

Todos os Servos Fantasma seguiram seu exemplo e se curvaram também. Angor ainda se perguntava quem era aquele homem. A ação do Sunders já lhe indicava que o velho devia ser alguém importante. Portanto, o garoto manteve a calma e também se curvou.

“Senhor Rein” ignorou a reverência respeitosa e caminhou diretamente até Sunders com um olhar um tanto frustrado. “O senhor já deve saber por que estou aqui.”

Sunders ponderou. “Alguém o convenceu a vim, senhor?”

“Sim. A Samantha.”

“Entendo. Ela é a única pessoa que consigo imaginar que poderia convencê-lo, Senhor Rein. Parece que não tenho o direito de recusar desta vez”, disse Sunders.

Rein abriu a boca, mas suspirou no final. “Vamos… conversar sobre isso lá dentro. Não é uma tarefa difícil.” Enquanto Rein e Sunders se afastavam, Angor se perguntou se deveria segui-los ou simplesmente voltar para casa.

“Espere aqui um pouco. Ainda tenho algo para lhe dizer mais tarde”, disse Sunders, transmitindo a voz para seus ouvidos.

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