Dash (BL)

Capítulo 41

Dash (BL)

Eu não tinha a menor intenção de forçar a barra, mas estava curioso. Que tipo de dívida, afinal, ele poderia ter contraído para que Kwon Jaegyeong, de todas as pessoas, suportasse tal incômodo e comparecesse a um lugar como aquele? Não havia a menor possibilidade de Kwon Jaegyeong ter pedido dinheiro emprestado.

Não, não era apenas sobre dinheiro. Dada a personalidade de Kwon Jaegyeong, ele não teria feito nada para, deliberadamente, se colocar em dívida com alguém. Mesmo que ele tivesse acabado devendo um favor por acidente, ele não era do tipo que possuía consciência social suficiente para reconhecer aquilo como uma dívida. Ele era o tipo de cara que diria algo enfurecedor como: *Eu ajudei porque tive vontade, por que isso deveria ser uma dívida? Se você não gostou, não deveria ter se envolvido desde o início.* Aquele era o Kwon Jaegyeong.

*Então ele realmente deve algo? Isso é verdade? E ele não está apenas dando desculpas porque quer estar com ele de alguma forma?*

— Hyung, no que você está pensando de novo?

Assim que Jiheon tinha, mais uma vez, afundado em suas próprias ilusões, Kwon Jaegyeong, como um fantasma, lançou um bote.

— Não estou pensando em nada.

— Não me faça rir. Está escrito em todo o seu rosto.

— Não, eu realmente não estou pensando em nada.

Jiheon disse isso com uma voz calma enquanto lançava um olhar furtivo para o próprio rosto refletido no espelho retrovisor. Um suspiro foi ouvido vindo do banco do passageiro.

— Pare de suspirar o tempo todo. Você vai espantar a sua sorte.

Sentindo-se envergonhado, Jiheon falou com uma risada forçada.

Em vez de responder, Kwon Jaegyeong apoiou o cotovelo na moldura da janela. Ele massageou a testa com as pontas dos dedos, parecendo pensar em algo por um momento, então falou novamente com outro suspiro curto.

— Quando eu estava na Austrália, aquele hyung foi para lá uma vez para uma sessão de fotos.

— Ei, você não precisa me contar.

Jiheon falou apressadamente, perturbado.

— Eu não estou realmente curioso, então se você não quer falar sobre isso, não fale. Não há necessidade.

— Não. Eu não gosto que o hyung tenha pensamentos estranhos, então vou te contar.

— Eu disse que não estou tendo pensamentos estranhos.

*Ei, Kwon Jaegyeong, por favor.* Jiheon implorou como se estivesse brincando.

— É porque eu realmente não quero ouvir.

Ele falava sério. Separado de estar curioso, ele não queria saber. Especialmente não ouvir a história diretamente de Kwon Jaegyeong.

— Escute.

Mas não havia como Kwon Jaegyeong permitir isso. Jiheon suspirou e disse: “Tudo bem, tudo bem, eu entendi”.

— Vamos conversar sobre isso mais tarde. Depois da competição.

— Esqueça. Eu vou te contar agora, então escute.

*Eu odiaria arrastar isso até lá*, disse Kwon Jaegyeong irritado.

— Se você quer que eu me concentre na competição, escute.

Isso era praticamente uma chantagem. É claro que ele não arruinaria a competição só porque não ouviu aquilo, mas quando chegava a esse ponto, ele não podia mais recusar.

— Tudo bem. Me conte.

Jiheon finalmente desistiu. Kwon Jaegyeong olhou de lado para Jiheon, depois olhou para frente novamente e falou.

— Foi em dezembro, logo antes do Natal. Naquela época, a pessoa que guiava aquela equipe de filmagem por lá era alguém que eu conhecia através de um conhecido em comum, e eles disseram que aquele hyung queria sair comigo e que, se eu estivesse interessado, eles poderiam organizar algo.

*Esse foi um primeiro encontro bastante mundano.*

Jiheon achou inesperado. É claro que ele não esperava um primeiro encontro digno de filme, mas também não poderia ter imaginado que fosse tão descaradamente materialista assim. Para ser sincero, foi um pouco chocante também. O fato de Kwon Jaegyeong ter conhecido homens tão casualmente daquela maneira. Aquele garoto jovem que agia como se não tivesse interesse em nada além de nadar.

— Eu disse que não estava interessado, mas eles me disseram para pelo menos olhar uma foto. Disseram que definitivamente seria meu tipo. Então eu olhei, e era de fato meu tipo. Alto, com um porte físico um tanto parecido, e especialmente, os olhos eram muito semelhantes.

*Quem, afinal?*

Jiheon, mais uma vez, guardou o pensamento para si mesmo. Ele não verbalizou porque acreditava que descobriria se apenas continuasse ouvindo. Parecia que Kwon Jaegyeong, perdido em sua própria história, tinha pulado o nome. Ele achou melhor não interromper e deixá-lo viajar pela estrada da memória sozinho. Além disso, ele já tinha um palpite aproximado de quem era, de qualquer forma.

— Mas quando nos conhecemos de verdade, eles não se pareciam em nada com ele. Achei que eram bem parecidos pela foto, mas vendo pessoalmente, não eram nada parecidos. A energia era muito diferente.

A essa altura, Jiheon achou que entendia mais ou menos de que tipo de dívida Kwon Jaegyeong estava falando. Se o que ele estava pensando estivesse correto, então Kwon Jaegyeong definitivamente tinha cometido um grande erro… uma indelicadeza, pode-se dizer. Se fosse algo assim, então mesmo que Cha Seonghyeon tivesse esbofeteado a bochecha de Kwon Jaegyeong, não haveria nada a dizer.

— No começo, pensei que fosse por causa da cor do cabelo. Aquele hyung tinha cabelo castanho naquela época. Eu mencionei isso, e no dia seguinte ele veio com o cabelo tingido de preto. Ainda não parecia semelhante. Então eu disse que sentia muito, mas que não daria certo.

*Correção. Jiheon agora achava que poderia entender até mesmo se Cha Seonghyeon tivesse arrancado a masculinidade de Kwon Jaegyeong. Ter tingido o cabelo só para dormir com Kwon Jaegyeong. E na Austrália, de todos os lugares, naquela terra distante, ele foi e encontrou um salão de beleza para mudar a cor. Aquele Cha Seonghyeon, aquela celebridade popular. E mesmo depois de tudo isso, ele foi rejeitado.*

— Aquele hyung apenas riu, dizendo que se não era para ser, então não era para ser. Depois ele perguntou se eu apenas sairia com ele enquanto estivesse na Austrália. Então eu saí com ele algumas vezes, para clubes ou para fazer compras.

*Então foi assim que aquela foto foi tirada.* Jiheon soltou um suspiro silencioso.

— Aquele hyung disse que estava tudo bem, que eu não precisava mais me sentir culpado, mas eu também sou humano, eu não poderia simplesmente fazer isso, certo? Então, quando nos encontramos pouco tempo depois que voltei para a Coreia e ele me pediu um favor, eu disse sim. É só isso.

Ao ouvir a história, ele finalmente entendeu a situação toda. Por que Kwon Jaegyeong saía com Cha Seonghyeon e por que ele disse que lhe devia uma dívida. O *me ligue a qualquer hora que precisar* provavelmente veio do mesmo contexto.

*Sim, eu entendo perfeitamente o relacionamento deles agora. Mas agora que entendo, perguntas sobre o outro relacionamento inevitavelmente surgem.*

— Se você chegou ao ponto de encontrar alguém que se parece tanto com ele, não seria melhor apenas entrar em contato com a própria pessoa novamente? Em vez de machucar uma pessoa inocente e se sentir culpado.

Às palavras de Jiheon, Kwon Jaegyeong ficou em silêncio por um momento antes de falar.

— Quem, ele mesmo?

— Lin Han.

— Quem é esse?

À réplica de Kwon Jaegyeong, Jiheon ficou surpreso e gritou: “O quê?”

— Ei, espere um minuto. Esse não é o nome?

— Então quem é?

— A pessoa com quem você teve seu primeiro escândalo. O jogador de polo aquático taiwanês. Não era Lin Han? Um nome diferente?

Só então Kwon Jaegyeong murmurou: “Ah”. Sua expressão, olhando de lado com o olhar meio baixo, massageando o queixo com as pontas dos dedos, parecia dizer: *Certo, existia tal pessoa.*

Naquele instante, Jiheon percebeu. Ele não pôde deixar de perceber. Não era sobre Lin Han. Kwon Jaegyeong não estava pensando naquela pessoa de forma alguma desde o início.

Ao mesmo tempo, ele percebeu mais uma coisa. Kwon Jaegyeong não tinha omitido aquele nome porque estava perdido em sua história. Ele tinha deixado de fora deliberadamente.

— Bem, é claro que eles se pareciam com ele.

Kwon Jaegyeong falou tardiamente. A boca escondida por seus dedos longos sorria levemente. Era um sorriso autodepreciativo que ele tinha visto uma vez antes.

— Afinal, ele se aproximou de mim em primeiro lugar porque me confundiu com alguém. É claro que ele estava bêbado na época. Mas ainda assim, eles se pareciam com ele. Eles eram ainda mais semelhantes fisicamente, já que ele também é um atleta.

Desta vez também, Kwon Jaegyeong não revelou o nome. Isso era essencialmente pedir para ser questionado, não era? *Com quem, afinal, eles se parecem? De quem você está falando agora?* Ele estava esperando que Jiheon perguntasse isso.

Se ele queria ser perguntado, então perguntar era a coisa certa a se fazer. Se o atleta queria algo, era seu papel fornecer, fosse o que fosse. Isso não deveria ser tão difícil.

Mas, por alguma razão, sua boca não abria. Ele nem sabia o que perguntar ou como. Sua cabeça estava tão cheia, tanto que nenhum pensamento vinha.

No final, foi Kwon Jaegyeong quem falou primeiro.

— Por que você não está perguntando?

— Sobre o quê?

— Então, com quem eles se parecem?

Ele não hesitou mais.

— Por que você não está perguntando de quem eu estou falando agora?

— Bem, eu tenho que perguntar isso?

Jiheon forçou um tom calmo.

— Você sempre perguntou imediatamente sobre as coisas que estava curioso antes, não é?

— Eu perguntei?

Jiheon murmurou como se fosse assunto de outra pessoa. Ao contrário de seu tom seco, o suor estava escorrendo pelas palmas das mãos que seguravam o volante. O interior do carro estava fresco, quase frio, graças ao ar-condicionado soprando sem parar, mas ele estava suando.

— Eu só não estou tão curioso sobre isso.

Jiheon disse, encarando a traseira de um sedã branco puro dirigindo logo à frente. Vendo que ele nem sequer olhava de lado, Kwon Jaegyeong riu baixinho.

— Hyung.

Sua mão no volante apertou.

— Você está realmente com medo, não está?

Jiheon ainda olhava para frente e não deu resposta. Kwon Jaegyeong, talvez não esperando uma resposta, não pressionou nem insistiu mais.

Antes que percebesse, o carro tinha chegado em frente ao hotel.

— Até amanhã, Hyung.

Kwon Jaegyeong disse, soltando o cinto de segurança, e saiu do carro sem esperar pela resposta de Jiheon.

Assim que a porta do passageiro fechou, Jiheon imediatamente pisou no acelerador. Com o ar-condicionado ainda ligado, ele abaixou as janelas do motorista e do passageiro, e um vento morno entrou no carro em um instante.

Por um momento, pareceu que um perfume intenso e desconhecido de grama picou a ponta de seu nariz.

Ele sabia. Era tudo falso. Uma ilusão criada por seu cérebro devido à obsessão excessiva.

Ele sabia, mas odiava. Mais do que ódio, era preocupante, e mais do que preocupante, era assustador.

Mais uma vez, sua mão no volante apertou. Ele devia estar apertando com tanta força que as veias nas costas de sua mão saltavam azuladas, contorcendo-se como se fossem estourar através da pele a qualquer momento. Jiheon, sem perceber até então, relaxou conscientemente sua mão apenas depois de sentir uma dor dormente na palma.

*Acalme-se, acalme-se.*

Jiheon disse a si mesmo, lentamente apertando e soltando o volante. Felizmente, ele pôde sentir sua agitação diminuindo gradualmente com o passar do tempo. E quando o prédio da empresa apareceu à distância, ele tinha recuperado completamente a compostura.

Com a cabeça mais calma, Jiheon primeiro pensou em quais dias ele poderia tirar meio dia de folga. Parecia que ele precisava visitar o hospital o mais rápido possível.

Comentários